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A felicidade tem um lado ruim?

A felicidade tem um lado ruim?



Redação do Diário da Saúde


Ciência e filosofia


Recentemente, um filósofo alertou que, pouco a pouco, a busca pela felicidade está se transformando em uma obsessão muito pouco saudável.


Além da filosofia, os testes práticos e repetitivos da ciência parecem concordar com isso.


Foi o que demonstrou um levantamento de todas as pesquisas científicas feitas sobre o tema ao longo da última década.


Segundo as pesquisadoras, as pesquisas mostram que a busca desenfreada pela felicidade, que parece ser uma marca registrada da época atual, tem um lado negativo - eventualmente, muito negativo.



Lado escuro da felicidade


Segundo o artigo, publicado na revista científica Perspectives on Psychological Science, o sentir-se bem não pode ser pensado como algo universalmente bom - e destaca situações em que a felicidade pode ser bem ruim.


As pessoas que se esforçam para obter a felicidade podem acabar sentindo-se pior do que quando começaram, afirmam June Gruber, da Universidade de Yale (EUA) e suas colegas.


As "ferramentas" sugeridas para se tornar mais feliz não são necessariamente ruins - como dedicar um tempo todos os dias para pensar sobre coisas que lhe deixam feliz ou grato, ou a criação de situações que possam fazer você feliz.


"Mas quando você está fazendo isso com a motivação ou a expectativa de que essas coisas deveriam fazê-lo feliz, isso pode levar à decepção e à diminuição da felicidade," diz Gruber.


Por exemplo, um estudo mostrou que pessoas que leram um artigo de jornal enaltecendo o valor da felicidade sentiram-se pior depois de assistir um filme feliz do que as pessoas que leram um artigo de jornal que não mencionou a felicidade - presumivelmente porque elas ficaram desapontadas por não se sentirem mais felizes depois do filme.


Quando as pessoas não acabam tão felizes como esperavam, seu sentimento de fracasso pode fazê-las sentir-se ainda piores.



Felicidade demais vira problema


Muita felicidade também pode ser um problema. Um estudo acompanhou crianças dos anos 1920 até a velhice e descobriu que aquelas classificadas como altamente alegres por seus professores morreram mais jovens.


Os pesquisadores concluíram que as pessoas que se sentem extremamente felizes não pensam mais de forma criativa e tendem a assumir mais riscos.


Por exemplo, pessoas que têm manias, como no transtorno bipolar, têm um grau excessivo de emoções positivas que podem levá-los a assumir riscos - o que inclui abuso de drogas, dirigir em alta velocidade ou gastar todas as suas economias.


Outro problema é a "sensação de felicidade de forma inadequada" - obviamente, não é saudável sentir-se feliz quando você vê alguém chorando a perda de um ente querido ou quando ouve que um amigo ficou ferido em um acidente de carro.


As pesquisas descobriram que essa felicidade inadequada também ocorre em pessoas com manias.


A felicidade exagerada também pode significar prestar pouca atenção nas emoções negativas, que igualmente têm o seu lugar na vida - o medo pode evitar correr riscos desnecessários, a culpa pode ajudar a lembrar de se comportar bem em relação aos outros, e assim por diante.



O que traz felicidade?


Relendo as pesquisas, as cientistas também descobriram o que parece realmente aumentar a felicidade.


"O mais forte preditor da felicidade não é o dinheiro e nem o reconhecimento externo, através do sucesso ou da fama", diz Gruber. "É ter relações sociais significativas."


Isto significa que a melhor maneira de aumentar a sua felicidade é parar de se preocupar em ser feliz e centrar suas energias em nutrir os laços sociais que você tem com outras pessoas.


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 23 de maio de 2011.



Luiz Gustavo C. Assis* comenta


Todos queremos ser felizes. Todos procuramos a felicidade, no entanto temos algumas dúvidas: O que é Felicidade?


A sociedade atual leva-nos constantemente a pensar que a felicidade se encontra num corpo perfeito, na posse de bens materiais, na satisfação dos desejos do corpo, no sucesso, na fama e nos gozos materiais, entre outros. Daí a busca incessante pela satisfação, a procura desenfreada por uma felicidade ilusória e passageira que é, segundo a matéria acima destacada, “marca registada da época atual”.


Mas, será que esta busca se dá da forma correta? Será que procurar a felicidade em coisas materiais nos proporciona a felicidade? A própria reportagem nega essa suposição. Acrescenta-nos o espírito François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que “com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram”.


Assim, ao respondermos à questão colocada no título da reportagem “A felicidade tem um lado ruim?” devemos ponderar se o que consideramos felicidade é, na verdade, felicidade. Dessa maneira, considerando que a felicidade não se encontra em coisas materiais e na satisfação dos gozos mundanos, onde ela está?


Para responder a esta pergunta precisamos recorrer aos ensinamentos do nosso Mestre Jesus, espírito mais perfeito que já esteve aqui na Terra. O Cristo já nos ensinou, há mais de dois mil anos, que o seu Reino não é deste mundo (S. JOÃO, 18:36). E, por não ser o reino de Jesus deste mundo, os espíritos superiores deram a seguinte resposta a Allan Kardec, na questão 920, de “O Livro dos Espíritos”: Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra? Resposta: “Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra.”


Para sermos felizes, devemos empreender uma busca íntima procurando o Reino de Deus, prometido por Jesus, em nossos corações, procurando suavizar os nossos males e sermos mais felizes quanto possível na Terra. Precisamos procurar a felicidade relativa na Terra nos gozos da alma e não nos gozos materiais. Ensina-nos Fénelon, espírito, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec: “O homem está incessantemente à procura da felicidade, que lhe escapa a todo instante, porque a felicidade sem mescla não existe na Terra. Entretanto, apesar das vicissitudes que formam o inevitável cortejo desta vida, ele poderia pelo menos gozar de uma felicidade relativa. Mas ele a procura nas coisas perecíveis, sujeitas às mesmas vicissitudes, ou seja, nos gozos materiais, em vez de buscá-la nos gozos da alma, que constituem uma antecipação das imperecíveis alegrias celestes. Em vez de buscar a paz do coração, única felicidade verdadeira neste mundo, ele procura com avidez tudo o que pode agitá-lo e perturbá-lo. E, coisa curiosa, parece criar de propósito de tormentos, que só a ele cabia evitar.”


Desse modo devemos procurar a felicidade dentro de nós, nos gozos da alma, imperecíveis e não passageiros, não em gozos materiais. Devemos buscar os gozos da alma, fazendo a caridade, amando-nos uns aos outros e buscando, sempre, manter nossos relacionamentos saudáveis e amorosos. Buscarmos ser felizes como o Cristo e o Espiritismo nos ensinam. Pois, assim, encontrando a felicidade verdadeira que é a felicidade em nossos corações, não existirá um “lado ruim da felicidade”.


* Luiz Gustavo C. Assis é psicólogo, trabalhador do Centro Espírita Maranhense, em São Luís do Maranhão, e da equipe do Espiritismo.net.