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Em entrevista, físico Stephen Hawking diz que ‘não existe paraíso’

Em entrevista, físico Stephen Hawking diz que ‘não existe paraíso’



Cientista de 69 anos sofre de esclerose lateral amiotrófica desde os 21. Sem medo de morrer, ele diz que paraíso após a morte é ‘conto de fadas’.


Do G1, em São Paulo


Um dos mais renomados físicos do mundo, Stephen Hawking causou polêmica em uma entrevista publicada no jornal britânico “Guardian” ao dizer que não existe paraíso após a morte. Hawking, que tem a maior parte de seu corpo paralisado pela esclerose lateral amiotrófica, já havia afirmado no passado que não acredita na existência de Deus.


“Acredito que o cérebro é um computador que para de funcionar quando todos os seus componentes falham. Não existe nenhum paraíso ou vida após a morte para computadores quebrados; isso é um conto de fadas para pesssoas com medo do escuro”, disse o cientista.


Quando foi diagnosticado com a síndrome, aos 21 anos, Hawking foi informado que teria poucos anos de vida. Seus amigos tentaram o convencer a largar o doutorado que fazia na época. Hoje, aos 69 anos, ele diz não ter medo de morrer.


“Tenho vivido com o prospecto da morte precoce pelos últimos 49 anos. Não tenho medo da morte, mas não estou com pressa de morrer. Tenho muito que quero fazer antes”, disse ele.


Em 2010, o físico recebeu críticas de líderes religiosos ao afirmar que não existia a necessidade de um criador para explicar a existência do Universo. Na entrevista desta semana ao Guardian, ele disse que o “universo é governado pela ciência”. Como “conselho”, disse que a humanidade deve “procurar o maior valor para nossas ações”.


Notícia publicada no Portal G1, em 16 de maio de 2011.



Marcia Leal Jek* comenta


A morte já deixou de ser algo desconhecido, porque todo ser humano passa por tal experiência.


Algumas religiões acreditam que quando o corpo morre ele se transforma em espírito e vai para seu lugar de descanso ou penitência, visto que a vida acabou.


Para os adeptos do Espiritismo, há uma certeza de que, depois da morte do corpo físico, o espírito se liberta, tornando-se consciente e verdadeiramente vivo. Só o corpo morre.


A nossa individualidade continua existindo, nossos conceitos, preconceitos, gostos, qualidades, defeitos, conhecimentos e inteligência. A morte (ou desencarnação) apenas é um estágio final de um processo evolutivo nesta vida física.


Mas para onde vamos quando morremos? Onde fica este local? Existe Paraíso, inferno e purgatório?


O cientista Stephen Hawking diz que Paraíso após a morte é “conto de fadas”, mas, como o Espiritismo explica o céu e o inferno?


O céu não é um lugar demarcado, mas de um estado de perfeição espiritual conquistado individualmente pelo Espírito, através de seu constante esforço.


Jesus afirmou dizendo: “Há muitas moradas na casa de meu pai; se assim não fosse eu vo-lo teria dito..." (João, 14:1-3.)


Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, nas questões 1012 e 1012-a, lemos:


P- Haverá no Universo lugares circunscritos para as penas e gozos dos Espíritos, segundo seus merecimentos?


R- "Já respondemos a esta pergunta. As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça. E como eles estão por toda a parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe especialmente destinado a uma ou outra coisa. Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados, conforme é mais ou menos adiantado o mundo em que habitam."


P- De acordo, então, com o que vindes de dizer, o inferno e o paraíso não existem, tais como o homem os imagina?


R- "São simples alegorias: por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos. Entretanto, conforme também já dissemos, os Espíritos de uma mesma ordem se reúnem por simpatia; mas podem reunir-se onde queiram, quando são perfeitos."


Allan Kardec, a seguir, complementa este assunto dizendo que "a localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender."


Portanto, existem diversos planos espirituais para onde os espíritos vão quando desencarnam, de acordo com seu grau de evolução espiritual. E são nesses planos que o espírito tem a opção de continuar sua evolução.


Emmanuel, Espírito, no livro Renúncia, nos define o inferno ou purgatório como as regiões de sofrimento no mundo espiritual, sendo “... estados de espírito em tribulação por faltas graves, ou em vias de penitência regeneradora."


Está claro que o que a ciência descreve não pode depender da opinião dos cientistas. A ciência oficial não reconhece a existência do espírito, apenas as religiões que se ocuparam com essa questão. O tema sobre espíritos, a reencarnação e a mediunidade só dependem do paradigma espírita e isso não está em conflito com o conceito de ciência.


Portanto, devemos estudar sempre para compreender e entender o dinamismo da doutrina.


* Marcia Leal Jek estuda o Espiritismo há mais de 25 anos e é trabalhadora do Centro Espírita Francisco de Assis, em Jacaraipe, Serra, ES.