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1/3 de toda a comida produzida no mundo é desperdiçado

1/3 de toda a comida produzida no mundo é desperdiçado



O número equivale a 1,3 bilhão de toneladas de alimentos que são jogados fora anualmente. O número do desperdício, nos países industrializados, é de 670 milhões de toneladas, enquanto que nos países em desenvolvimento fica um pouco abaixo, nos 630 milhões de toneladas


Redação ÉPOCA, com Agência EFE


1,3 bilhão de toneladas de alimentos produzidos para o consumo humano são desperdiçados anualmente, segundo aponta um novo estudo divulgado nesta quarta-feira (11) pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). O número equivale a cerca de 1/3 de tudo o que é produzido, e a quantidade desperdiçada é semelhante tanto para países desenvolvidos - desperdiçam apenas um pouco mais - quanto para nações em desenvolvimento.


A pesquisa da FAO, entitulada Global Food Losses and Food Waste (Perdas e Desperdício de Alimentos no Mundo), foi encomendada pelo instituto sueco de alimentos e biotecnologia (SIK). O estudo faz uma diferenciação entre perdas de alimentos (que podem acontecer nas fases de produção, colheita ou processamento) e desperdício, um problema mais presente nos países industrializados, causado na maioria dos casos tanto pelo comércio no varejo como por consumidores que jogam mantimentos ainda comestíveis no lixo.


"A produção total de alimentos per capita para o consumo humano se situa em cerca de 900 quilos anuais nos países ricos, mais do que o dobro dos 460 quilos produzidos nas regiões mais pobres", afirma a FAO na nota.


O número do desperdício, nos países industrializados, é de 670 milhões de toneladas, enquanto que nos países em desenvolvimento fica um pouco abaixo, nos 630 milhões de toneladas. Quando considerado só o desperdício feito pelos consumidores, ao jogar fora alimentos ainda próprios para o consumo, o número se aproxima de toda a produção líquida da África Subsaariana - são 222 milhões de toneladas desperdiçadas pelos ricos e 230 milhões produzidas pelos africanos.


"Nos países em desenvolvimento, 40% das perdas ocorre nas fases de pós-colheita e processamento, enquanto nos países industrializados mais de 40% das perdas se dá no nível das vendas a varejo e do consumidor", diz a nota.


Frutas e hortaliças, assim como raízes e tubérculos, são os alimentos mais desperdiçados, e a quantidade de mantimentos que se perde ou desperdiça a cada ano equivale a mais da metade da colheita mundial de cereais (2,3 bilhões de toneladas em 2009-2010).


"Em nível da venda a varejo também se desperdiçam grandes quantidades de alimentos devido às normas de qualidade que dão excessiva importância à aparência. As pesquisas indicam que os consumidores estão dispostos a comprar produtos que não cumpram as exigências de aparência caso não sejam nocivos e tenham um bom sabor", afirma a agência das Nações Unidas.


A FAO aposta ainda pela educação nas escolas e iniciativas políticas que mudem a atitude dos consumidores nos países ricos, para que planejem de forma mais adequada suas compras de alimentos.


LH


Matéria publicada na Revista Época, em 11 de maio de 2011.



Luiz Gustavo C. Assis* comenta


Normalmente, quando nos deparamos com notícias alarmantes sobre a fome e a miséria, logo nos questionamos se a causa não será o crescimento excessivo da população, principalmente nos países em desenvolvimento.


A notícia acima destacada vem nos mostrar que não.


Os espíritos amigos que trabalharam na codificação já nos alertavam, inclusive, que o aumento da população não chegaria a ser excessiva na Terra, conforme resposta da questão 687, de O Livro dos Espíritos. Vejamos:


687. “Indo sempre a população na progressão crescente que vemos, chegará tempo em que seja excessiva na Terra?”


Resposta: “Não, Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio. Ele coisa alguma inútil faz. O homem, que apenas vê um canto do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto.”


A questão que surge, portanto, é: se nós, seres humanos, produzimos tanto, porque tanta pobreza, miséria e fome? A resposta para esta nossa pergunta pode ser encontrada, muitas vezes, em uma análise fria e racional do nosso modo de agir: somos egoístas.


Nós desperdiçamos muito.


Analisemos detalhadamente a matéria: “Quando considerado só o desperdício feito pelos consumidores, ao jogar fora alimentos ainda próprios para o consumo, o número se aproxima de toda a produção líquida da África Subsaariana - são 222 milhões de toneladas desperdiçadas pelos ricos e 230 milhões produzidas pelos africanos”.


Percebe-se dessa forma que o desperdício não é apenas das indústrias, fábricas, produtores e transportadores. É nossa também, dos consumidores comuns. Eu, você, sua família, pessoas normais que convivemos diariamente uns com os outros.


Devemos, dessa forma, procurar nos educar, porque, às vezes, a ignorância nos leva a desconhecer atos simples, mas que podem ajudar nossos irmãos que passam fome. Lembremo-nos aqui da questão 642, de O Livro dos Espíritos:


642. “Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?”


Resposta: “Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem”.


Assim, todos nós, devemos nos esforçar para praticar o bem. Será que desperdiçar comida, quando temos inúmeros irmãos passando fome, não será um mal? Como vimos na resposta acima, devemos praticar “o bem no limite de nossas forças”. Devemos, portanto, nos educar, acabar com o egoísmo em nós, pararmos de desperdiçar. Fazer a nossa parte. Devemos parar de culpar apenas governos pelos males que afligem a sociedade e começarmos a agir para erradicar o egoísmo em nós mesmos. Como nos ensina Pascal, espírito, em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. XI, item 12.):


“O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem a caridade não haverá descanso para a sociedade humana. Digo mais: não haverá segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos dadas, a vida será sempre uma carreira em que vencerá o mais esperto, uma luta de interesses, em que se calcarão aos pés as mais santas afeições, em que nem sequer os sagrados laços da família merecerão respeito”. – Pascal. (Sens, 1862.)


A matéria nos traz ainda que a FAO aposta na educação nas escolas como um dos meios de combater o desperdício. Kardec também era dessa opinião. Porém, não apenas “a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. (...) Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem estar, o penhor da segurança de todos”. (O Livro dos Espíritos, questão 685-a, nota de Kardec.)


Portanto, procuremos nos educar para saber como combater o desperdício, mas eduquemo-nos, também, moralmente, procurando ajudar aqueles que sofrem com aquilo do que nos sobra. Sejamos melhores, sejamos caridosos, visando, a partir dos pequenos atos de cada um, tornar o mundo, um mundo melhor. Não pensemos que nossos pequenos atos não ajudam. Ajudam e muito. Vale sempre tentarmos, afinal, como nos disse John Lennon, em uma poesia em forma de música:


“Imagine que não ha posses


Eu me pergunto se você pode


Sem a necessidade de ganância ou fome


Uma irmandade dos homens



Imagine todas as pessoas


Partilhando todo o mundo



Você pode dizer que eu sou um sonhador


Mas eu não sou o único


Espero que um dia você junte-se a nós


E o mundo viverá como um só”.


* Luiz Gustavo C. Assis é psicólogo, trabalhador do Centro Espírita Maranhense, em São Luís do Maranhão, e da equipe do Espiritismo.net.