Espiritismo .NET

Pessoas que se sentem amadas dão menos valor às coisas materiais

Pessoas que se sentem amadas dão menos valor às coisas materiais



Redação do Diário da Saúde


Amor e aceitação


Pessoas que se sentem mais seguras em receber amor e aceitação por parte dos outros atribuem menos valor monetário aos seus bens.


A conclusão é de um estudo realizado por cientistas das universidades de New Hampshire e Yale, nos EUA, liderados pelo Dr. Edward Lemay.


Os pesquisadores descobriram que as pessoas com sentimentos de segurança interpessoal mais intensos - uma sensação de ser amado e aceito pelos outros - acreditam que seus bens têm menos valor do que as pessoas que não compartilham desses sentimentos.



Sensação de proteção e segurança


Nos experimentos, os pesquisadores mediram o quanto as pessoas valorizavam itens comuns, como um cobertor ou uma caneta.


Em alguns casos, as pessoas que não se sentiam seguras deram um valor a um item cinco vezes maior do que o valor atribuído ao mesmo item por pessoas mais seguras.


"As pessoas valorizam suas posses, em parte, porque esses bens lhes dão uma sensação de proteção, segurança e conforto," explica Lemay.


"Mas o que descobrimos foi que, se as pessoas já têm um sentimento de serem amadas e aceitas pelos outros, o que também fornece uma sensação de proteção, segurança e conforto, esses pertences perdem valor."



Sovinice e brigas por herança


Os pesquisadores acreditam que os resultados do estudo podem ser usados para ajudar pessoas com distúrbios de acumulação de bens materiais.


"Essas descobertas parecem ser particularmente relevantes para compreender porque as pessoas guardam bens que não são mais úteis.


"Elas também podem ser relevantes para entender por que membros da família muitas vezes brigam por bens que sentem que são deles por direito, mesmo que já estejam usufruindo deles.


"Bens de herança podem ser especialmente valorizados porque a ameaça de morte associada ameaça a segurança pessoal," diz Lemay.


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 9 de março de 2011.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Somos Espíritos imortais em plena jornada de crescimento, centelhas divinas trabalhando pela sua evolução. Como aprendizes, fazemos da matéria a nossa escola, doce cinzel, amarga tentação. Ao leme do barco da nossa vida, ambicionamos o porto da felicidade sem saber muito bem como alcançá-lo. Olhando em redor e seduzidos pelas tramas da sua aparência, pela facilidade com que o imediato nos conquista, julgamos possuir na brutalidade da matéria o mapa desse porto tão apetecido. Inexperientes, acreditamos que a ilusão de “TER” é o rumo a seguir, mas os portos que encontramos nesse caminho amplo não conseguem saciar o nosso anseio interior. A sensação é a de que andamos constantemente em círculos, dominados por um gigantesco remoinho que nos faz atracar vezes sem conta no arruinado porto do descontentamento. Desconhecedores de outro caminho, permanecemos agarrados a este ciclo interminável que nos arrasta de forma irremediável para a desilusão e desânimo.


A sedução pelos bens materiais é semelhante a um copo de água salgada bem fresco: a sua aparência cristalina torna difícil distingui-lo de um copo de água normal, a sensação é agradável ao contato do vidro gelado com a mão. Apenas quando ingerida é que a patranha se revela, deixando um rasto de secura por onde passa. A água salgada tem a sua função que não é a de matar a sede. Sucede o mesmo com os bens materiais quando se pretende que eles sejam instrumentos de felicidade. Prisioneiras do vazio que as invade e da insatisfação pelas suas vidas, muitas pessoas ainda procuram inflamar o seu ego vivendo emocionalmente da vaidade e do orgulho, da admiração e respeito que julgam infundir nos outros. Cultivam a ideia de que o valor íntimo de alguém é contabilizado por aquilo que possui, no sucesso alcançado e na notoriedade conseguida. Tal como o problema não está na água salgada, mas na intenção de usá-la para saciar a sede, o problema também não são os bens materiais, mas a tentativa de os usar para suprimir as nossas carências emocionais e afetivas.


É triste perceber como tantas vidas são desperdiçadas em lutas fratricidas, ilusões de posses e ostentações exibidas com petulância. Tudo pelo prazer de possuir, de dizer com ingenuidade: “É meu!” São atitudes tão infantis como a daquela criança que ambiciona aprisionar uma bolinha de sabão. Só possuímos verdadeiramente o que conseguimos armazenar na nossa alma e aquilo que implantamos no coração dos outros. E é por isso que a nossa essência espiritual não se satisfaz com aquilo que tem, que mostra ou que aparenta, pois pressente que são apenas contingências desta vida física que poderão ser modificadas numa outra. A nossa alma, essência divina que em nós vibra, rejubila com aquilo que sente, satisfaz-se com aquilo que é, unicamente através do prazer de ser. Aos poucos, a vida empurra-nos para um amadurecimento espiritual que abre novos horizontes à nossa consciência. Ela vai nos mostrando que estamos mergulhados numa energia invisível possuidora de um poder arrebatador. Essa energia é a força motriz do Universo, a verdadeira voz de Deus. Ela é o amor. Reconhecer que somos amados, saber que há pessoas que nos amam sem máscaras e fingimentos, que se preocupam e estão sempre disponíveis para nos ajudar, é uma sensação fantástica que muitas vezes faz esquecer as tentações materiais. Mas um dos segredos para potenciar essa felicidade está em saber valorizar sistematicamente a graça que nos foi concedida não cedendo às garras do apego, como um pescador que parte ao raiar do dia para a faina necessária, tranquilo e sorridente, com a certeza que existe sempre um porto seguro à sua espera.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.