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Mãe americana cria polêmica ao declarar que ama mais um dos filhos

Mãe americana cria polêmica ao declarar que ama mais um dos filhos



Para os psicólogos os pais podem ter uma afinidade maior com um dos filhos, mas que a preferência pode se tornar um problema na convivência familiar. Saiba como agir nesse dilema.


Ana Brito
São Paulo, SP


Será possível um pai ou uma mãe amar mais um filho do que o outro? Muitos irmãos dizem que sim.


A discussão antiga voltou à tona nesta semana quando esta americana admitiu que ama mais o filho de um ano e oito meses do que a filha de três anos. A mulher conta que ficou doente quando a filha nasceu e não pôde ficar ao lado do bebê. Já o filho, foi entregue a ela após o nascimento.


O assunto também é discutido na novela da Rede Globo "Insensato Coração". Raul, o ator Antônio Fagundes, diz que ama igualmente os dois filhos, Leonardo e Pedro, mas deixa claro para amigos que tem mais afinidade com Pedro.


Segundo os psicólogos, é natural ter mais afinidade com um filho do que com outro. Por exemplo, se identificar com temperamento do mais velho, admirar características do caçula, mas isso é afinidade e não preferência. A proximidade com um dos filhos varia e se alterna com o tempo, com a idade. Por isso, os psicólogos alertam que os pais não devem declarar eventuais preferências pelos filhos.


Para a psicóloga que trabalha com crianças, Ana Olmos, a dificuldade é quando isso é atuado. Feito atitude, feito palavra que machuca, fere e pode estragar uma relação. Ela explica ainda que tratar os filhos de forma desigual pode incentivar a rivalidade entre irmãos e que se os pais centralizarem os seus comentários no estímulo de aumento e treino das habilidades e daquilo que a criança está aprendendo com o erro, ambos lidam com suas habilidades e dificuldades de uma maneira muito parecida e consegue ambos chegar num mesmo patamar de gratificação de resultados.


Notícia publicada na página do Jornal Hoje, em 24 de março de 2011.



Luiz Gustavo C. Assis* comenta


A princípio esta notícia cria alguma perturbação, mas se refletirmos sobre o seu conteúdo compreendemos que ela nos mostra evidências dos ensinamentos trazidos pelos Espíritos Superiores através da Codificação Espírita. Como sabemos, através do estudo das obras básicas do Espiritismo, numa mesma família podem reencarnar espíritos afins, que se amam e se respeitam desde épocas remotas, espíritos indiferentes entre si e inimigos de outras encarnações.


Allan Kardec, analisando esta problemática em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” destaca: “Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências”.


A confissão desta mãe Americana, revelando amar mais o filho mais novo do que a outra filha, pode assim ser explicada de uma forma simples pela pluralidade das existências. No entanto, não há acaso nas reuniões familiares. Quando Deus une duas ou mais pessoas num mesmo ambiente familiar, é para que através dessa experiência tão próxima haja uma oportunidade de harmonização, crescendo e aprendendo pelo exercício do amor e da ajuda mútua.


O reconhecimento da maior afinidade com algum dos filhos é feito com muita resistência por muitos pais. Não compreendendo a vida como um ciclo de vidas que se interligam, não conseguem entender que os seus sentimentos de maior afinidade com algum dos filhos está oculto pelo véu das vidas passadas, e isso é muitas vezes gerador de conflitos íntimos. Porém, mesmo havendo uma sentimento de alguma antipatia instintiva por algum filho, os pais deverão esforçar-se para conduzi-lo ao caminho do bem, procurando superar essas sensações através do exercício do amor.


A paternidade e a maternidade são deveres sagrados. Portanto, mesmo sentindo que amamos um filho mais do que outro devemos nos esforçar para procurar demonstrar amor pelos dois da mesma forma. Deus nos uniu para que haja cada vez mais harmonia e amor entre todos os seus filhos. Em casos como este da reportagem sigamos sempre o conselho de Santo Agostinho, contido no capítulo XIV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec:


“Ó espíritas! Compreendei agora o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda? Se por culpa vossa ele se conservou atrasado, tereis como castigo vê-lo entre os Espíritos sofredores, quando de vós dependia que fosse ditoso. Então, vós mesmos, assediados de remorsos, pedireis vos seja concedido reparar a vossa falta; solicitareis, para vós e para ele, outra encarnação em que o cerqueis de melhores cuidados e em que ele, cheio de reconhecimento, vos retribuirá com o seu amor”.


* Luiz Gustavo C. Assis é psicólogo, trabalhador do Centro Espírita Maranhense, em São Luís do Maranhão, e da equipe do Espiritismo.net.