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Estudante australiano se vinga de bullying com golpe de Street Fighter e vira hit na internet

Casey Heynes, estudante australiano, se vinga de bullying com golpe de Street Fighter e vira hit na internet



Lauro Neto


RIO - Um estudante australiano gordinho virou sensação na internet depois que caiu na rede um vídeo em que ele reage com violência após ser agredido diversas vezes por outro adolescente. Postado originalmente na segunda-feira com o nome "Child finally snaps after being bullied" (criança finalmente reage após sofrer bullying), o vídeo foi tirado diversas vezes do ar do YouTube por mostrar cenas de violência envolvendo menores, mas transformou-se num viral com versões e paródias que consagraram o garoto como Pequeno Zangief, em alusão ao personagem do game "Street Fighter" que aplica um golpe de pilão nos oponentes.


De acordo com o site "Know your Meme", os meninos que aparecem no vídeo estudam no Chifley College no Dunheved Campus, em St. Marys North, na Austrália. O gordinho, identificado como Casey Heynes, teria 16 anos, e teria sido suspenso da escola depois de revidar as provocações do magrelo, cujo nome seria Ritchard Gale.


Rapidamente, Casey ganhou uma página no Facebook que já foi curtida por mais de 6 mil pessoas, perfil fake no Twitter e até um site em seu tributo, liderando o movimento da internet para que o diretor da escola volte atrás da decisão de suspendê-lo. Se ele vai acatar o pedido da campanha não se sabe, mas Casey já virou símbolo da vingança dos adolescentes vítimas de bullying.


Notícia publicada no Jornal O Globo, em 15 de março de 2011.



Nara de Campos Coelho* comenta


O Patinho Feio


A história, presente em muitas infâncias, escrita por Hans Christian Andersen, dizia de um patinho que, por ser feio, era desprezado e maltratado por muitos, inclusive pela própria mãe. Mais tarde, ele se transformaria em lindo cisne, a nadar, elegantemente, pelas águas... da vida.


As boas histórias infantis têm sempre um pensamento moral que introduz o pequeno leitor nas realidades da vida, ajudando-o no próprio amadurecimento para enfrentar as dificuldades naturais do processo evolutivo.


Quando a mídia dá espaço para a reflexão sobre o bullying, nosso pensamento se volta para o “patinho feio”. Ele sempre existiu na infância de todos, traduzido como “orca, quatro-olhos, magricela” e tantas outras expressões da criatividade infantil. Quem poderia se esquecer de alguém que era chamado de “Tunico sacarrolhas?” Este comportamento sempre existiu, ajudando-nos a construir o conceito de que “criança é cruel.” Porém, no desenrolar da vida, muitas “magricelas” tornaram-se modelos famosas ou atrizes; muitos “quatro-olhos” tornaram-se galãs de novelas ou adultos bem sucedidos; muitas “orcas” tornaram-se elegantes e realizadas, surpreendendo quem as conheceu em idade infantil. Os “patinhos feios” fizeram-se adultos, superando as adversidades e tornaram-se lindos cisnes, fortes de corpo e de espírito.


Na raiz de todo bullying está a violência, o desrespeito ao semelhante, a falta de educação que, antigamente, era chamado de “berço”, hoje tão fora de moda. Nossos avós diziam, “Fulano não tem educação de berço!” Eis que faltava a este Fulano a orientação moral que era passada de pai para filho. Quando o filho chegava em casa e reclamava com os pais que estava sendo chamado de “patinho feio”, normalmente, o pai ou a mãe o abraçava, dizendo “mas você é lindo! Não ligue para isto!” E desfilava todas as qualidades do filho, que, geralmente, acreditava, sentindo-se seguro. Muitos tiravam dali forças para superar o bullying.


Em nossos dias, infelizmente, os pais não têm tempo para este diálogo íntimo com os filhos. Estão sempre trabalhando ou exaustos demais para desanuviar a mente infantil. Assim, ou os filhos ficam a mercê dos maus tratos ou se defendem com o que lhes resta: a violência. Eis uma arma mais facilmente passada de pai para filho...


Este grave problema tem vindo à tona com as manifestações agressivas de vários matizes. Alguns jovens, vítimas de bullying na infância, tornaram-se assassinos, fazendo da violência que sofreram armas de vingança, cruelmente executadas, assustando a sociedade. E, ainda, há outros casos, como o do garoto australiano Casey Heynes, que revidou, violentamente, as agressões de um menino que, fora os bofetões, o chamava de “gordo”. Sua reação foi comparada a um game famoso... E eis que a cena surpreendente, filmada e colocada no Youtube, virou sensação no mundo todo.


Com o Espiritismo, aprendemos que somos espíritos em evolução, vivenciando as experiências da vida terrena como oportunidade de superar nossas dificuldades e aprimorarmo-nos moralmente. Sendo Jesus o nosso Mestre maior, não poderemos nunca abdicar de seus ensinos, pois são eles que nos conduzem a fortaleza moral capaz de nos sustentar nas dificuldades e usá-las como degraus evolutivos. E foi Jesus quem nos ensinou: “Ouviste o que foi recomendado aos antigos: ‘Não matarás’ e quem matar estará sujeito a julgamento”. Eu, porém, vos digo que quem quer que se encha de cólera contra seu irmão, estará sujeito a julgamento; que aquele que disser ao seu irmão: ‘Raca’, estará condenado pelo tribunal; e que aquele que disser ‘És louco’, merecerá condenação ao fogo do inferno.” (Mateus, 5:21-22.)


Nestes nossos modernos dias, quando verificamos o materialismo dominando as ações, não nos admiramos dos acontecimentos. Pais que orientem seus filhos a luz dos ensinos de Jesus, trazidos de volta pelo Espiritismo, saberão o que fazer tanto com os agentes como com as vítimas de bullying. Casey Heynes livrou-se de uma pecha que poderia adoecê-lo. Seu colega agressor teve a lição que merecia. Mas, se isto fosse o certo, aplaudiríamos as guerras, que fomentam dor e miséria.


Jesus se referia ao termo “raca”, usado pelos judeus para aqueles que queriam desprezar, humilhar. E o faziam cuspindo de lado... Era o bullying da época. Jesus, ainda, expandiu a área da atenção que devemos ter para com as nossas ações em relação ao próximo: aquele que acusar o outro de louco, “merecerá condenação ao fogo do inferno.” Quando ele fala em Tribunal, é o da própria consciência que se repercute nas dores que se verificam no cotidiano da vida na Terra. E o “inferno”, nada mais é do que o estado de consciência desesperado pelo remorso, pela dor de estar desarmonizado com as leis divinas, que a todos nós cumpre seguir. Notemos que ele diz: “merecerá”. Eis o que nos fazem os nossos atos: merecer o “inferno” ou o “céu” da consciência... Por isto, Jesus, também, nos disse que “a cada um será dado segundo as suas obras...”


Assim, prezado leitor, não existe saída para a paz senão o amor. Só ele nos cobre a multidão de pecados, como nos ensinou o Apóstolo Pedro. E, por isto, Jesus nos aconselhou a amar o nosso próximo como a nós mesmos.


Pensemos nisto e façamos os nossos patinhos feios entender a Lei de Causa e Efeito, seguindo, desde logo, a Lei de Amor e merecendo, enfim, ser seguros e verdadeiros cisnes.


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.