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China cogita lei que permite punir filhos que não visitarem pais na velhice

China cogita lei que permite punir filhos que não visitarem pais na velhice



Letícia Sorg*


Um projeto de lei na China pode permitir que os pais idosos processem os filhos que deixarem de visitá-los com regularidade. A proposta, que partiu do Ministério de Assuntos Civis, foi encaminhada ao Conselho de Estado do país. Um professor de sociologia de Pequim ouvido pela reportagem do New York Times diz que a lei não deve passar, mas é possível que, mesmo que não seja aprovada, ela abra alguma brecha para discutir esse tipo de caso na Justiça chinesa.


Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a situação dos idosos na China é especialmente delicada: a taxa de suicídio entre a população dessa faixa etária no país é a terceira maior do mundo. Uma das razões é o sentimento de abandono ligado à urbanização, que diminui a relação com os vizinhos e a proximidade com os parentes.


Para mim pareceu uma tentativa de manter as famílias unidas na base da força da lei, mas teve gente na China defendendo a proposta. “A sociedade precisa começar a ver que precisamos dar aos mais velhos mais cuidado e atenção”, disse  Ninie Wang, diretora internacional da Sociedade de Gerontologia da China. De fato, não há como discordar de Ninie. E vivemos o mesmo problema no Ocidente.


Mas aqui uma lei como a que estão propondo na China é impensável. Por pelo menos duas razões. A primeira é que, na nossa cultura, os filhos têm muito menos responsabilidade pelos pais – apesar de os pais se sentirem muito mais responsáveis pelos filhos. Você concorda? Até que ponto se sente responsável por seus pais?


A segunda é que seria considerada uma intromissão do Estado na vida particular das pessoas. E um terceiro obstáculo, tanto lá como aqui, seria definir o que são “visitas regulares” aos pais. Alguns podem argumentar que de cinco em cinco anos é tão regular quanto todo mês. Existe frequência ideal para visitar os pais?


Será que são mesmo as visitas que garantem os cuidados, o afeto?  Elas são uma parte importante, mas tenho lá minhas dúvidas. E você, o que acha?


* Letícia Sorg é repórter especial de ÉPOCA em São Paulo.


Coluna publicada na Revista Época, em 31 de janeiro de 2011.



Claudia Cardamone** comenta


Na cultura chinesa, o filho homem é o responsável por cuidar dos pais idosos. Isto gerou sérios problemas com relação ao controle de natalidade, onde se permite apenas um filho por casal.


Allan Kardec, na questão 892, de O Livro dos Espíritos, perguntou: "Quando os pais têm filhos que lhes causam desgostos, não são escusáveis de não terem por eles a ternura que teriam em caso contrário"?


Os espíritos responderam: "Não, porque se trata de um encargo que lhes foi confiado e sua missão é a de fazer todos os esforços para os conduzir ao bem. (Ver itens 582-583.) Por outro lado, esses desgostos são quase sempre a consequência dos maus costumes que os pais deixaram os filhos seguir desde o berço. Colhem, portanto o que semearam".


Mas isto não quer dizer que não devemos auxiliar estes pais idosos abandonados. Pelo contrário, devemos abrandar suas provas e amenizar seus sofrimentos.


Os espíritos também afirmam que não devemos nos lamentar por aqueles que não nos tratam da maneira que merecemos, pois eles terão uma triste recompensa.


Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec nos explica que honrar pai e mãe não é apenas respeitá-los, mas assistí-los em suas necessidades, proporcionando-lhes o repouso na velhice e cercá-los de carinho e cuidados como eles fizeram por nós na infância.


** Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.