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Sites guiam visitas a locais "assombrados"

Sites guiam visitas a locais "assombrados"



DE SÃO PAULO


A França é um dos destinos mais lembrados quando o assunto é romance ou alta costura. Mas você já pensou em explorar o lado, digamos, "oculto" do país?


Fica fácil com a ajuda do site do Maison de la France (http://br.franceguide.com), órgão oficial do turismo francês, que traz, em português, uma lista de locais "assombrados" pelo país.


Confira as dicas na seção "Atualidades" do site. Elas estão divididas em três partes, com a indicação do local, histórias, lendas e links com informações para visitas.


Um exemplo é o château Gaillard, em Andelys. Segundo a lenda, por ali costuma aparecer o fantasma de Margarite de Borgonha, que em 1.305 casou-se com Luís, rei de Navarra, sendo assassinada depois por adultério.


O Reino Unido é um destino conhecido pela variedade de locais "assombrados". Uma busca no item "Grã-Bretanha Secreta" no site do Visit Britain (www.visitbritain.com), órgão oficial de turismo do país, traz dicas para quem gostaria de experimentar o lado fantasmagórico das ilhas - disponível também em português.


Um exemplo conhecido é a Torre de Londres, tida como um dos locais mais "assombrados" do país - isso por causa de seu passado como local de aprisionamento e morte ao longo da história do Reino Unido.


Outros sites não relacionados a órgãos de turismo também exploram a curiosidade sobre o sobrenatural e apontam locais que abrigariam fantasmas. O site do Travel Channel (www.travelchannel.com) elenca destinos em diversos países.


Um dos tópicos traz os dez hotéis tidos como os mais assombrados nos EUA, incluindo o Roosevelt (Hollywood), onde o fantasma de Marilyn Monroe teria sido avistado.


Já o Haunted House (www.hauntedhouse.com) traz indicações de locais "assombrados" nos EUA - e, em menor escala, em outros países. A página inclui links para alguns serviços de tours fantasmagóricos.


Notícia publicada em Folha.com, em 17 de fevereiro de 2011.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Lugares assombrados, fantasmas, espíritos que batem portas ou se fazem ouvir sempre estarão presentes nas nossas mentes, relembrando amigos ou parentes contando o que se passou com eles e filmes que trazem verdadeiros demônios atrás das pessoas. Em qualquer das situações, o intuito é fazer ter medo, sentir aquele frio percorrendo nossa espinha, nos deixando impressionados e ficando com a ideia de "Deus me livre, nunca quero ver um fantasma pela frente".


Será racional temerem-se os lugares assombrados pelos Espíritos?


“Não. Os Espíritos que frequentam certos lugares, produzindo neles desordens, antes querem divertir-se à custa da credulidade e da poltronaria dos homens, do que lhes fazer mal. Aliás, deveis lembrar-vos de que em toda parte há Espíritos e de que, assim, onde quer que estejais, os tereis ao vosso lado, ainda mesmo nas mais tranquilas habitações. Quase sempre, eles só assombram certas casas, porque encontram ensejo de manifestarem sua presença nelas.” (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns.)


O mais interessante é que, mesmo com este pensamento medroso, todos parecemos nos atrair por assuntos desta natureza. Exemplo disso é o que observamos na reportagem lida. Mas por que isso? Para muitos, apenas por diversão e, para outros, a busca por uma certeza da vida futura.


Como é curioso para todos uma situação desta, ver ou sentir um espírito vagar por uma casa, palácio ou teatro, contanto que não seja em nossa casa. Todos possuímos muitas dúvidas referentes a lugares assombrados, por isso Allan Kardec reservou um capítulo especial em O Livro dos Médiuns. Selecionamos algumas perguntas para elucidarmos o tema:


“Parece que não se deve considerar absolutamente falsa a crença em lugares mal-assombrados?


Dissemos que certos Espíritos podem sentir-se atraídos por coisas materiais. Podem sê-lo por determinados lugares, onde parecem estabelecer domicílio, até que desapareçam as circunstâncias que os faziam buscar esses lugares.


a) Que circunstâncias podem induzi-los a buscar tais lugares?


A simpatia por algumas das pessoas que os frequentam, ou o desejo de com elas se comunicarem. Entretanto, nem sempre os animam intenções louváveis. Quando são Espíritos maus, podem pretender tirar vingança de pessoas de quem guardam queixas. A permanência em determinado lugar também pode ser, para alguns, uma punição que lhes é infligida, sobretudo se ali cometeram um crime, a fim de que o tenham constantemente diante dos olhos.”


O mais importante é tirarmos o ensinamento profundo das situações, como Allan Kardec fez quando todos olhavam as mesas girantes como divertimento e ele viu algo muito maior. Precisamos olhar os nossos irmãos que continuam presos a esses lugares com muito respeito e amor, considerando alguns aspectos.


O sentimento básico que sentem é um apego excessivo ao passado, sem vontade de modificação íntima. Qual seria o maior interesse deles? Dinheiro, casa, família, saúde física, posições sociais ou pontos de vistas. Mesmo com a morte, os interesses por essas coisas continuam. Onde estiver o teu tesouro, ali estará o teu coração.” (Jesus, Mateus 6:20-21.)


Allan Kardec continua:


“Os Espíritos se apegam unicamente às pessoas, ou também às coisas?


Depende da elevação deles. Alguns Espíritos podem apegar-se aos objetos terrenos. Os avarentos, por exemplo, que esconderam seus tesouros e que ainda não estão bastante desmaterializados, muitas vezes se obstinam em vigiá-los e montar-lhes guarda.”


Um dado importante respondido pelos Espíritos a Kardec é quanto a verdadeira identidade daquele espírito: Os lugares assombrados sempre o são por antigos habitantes deles? “Sempre, não, às vezes, porquanto, se o antigo habitante de um desses lugares é Espírito elevado, tão pouco se preocupará com a sua habitação terrena, quanto com o seu corpo. Os Espíritos que assombram certos lugares muitas vezes não têm, para assim procederem, outro motivo que não simples capricho, a menos que para lá sejam atraídos pela simpatia que lhes inspirem determinadas pessoas.” Mostrando assim, nem sempre aqueles que “assombram” são os próprios Espíritos famosos, conforme supõe muita gente.


Ficamos impressionados e pensamos porque eles não esquecem e seguem em frente. Nesta hora, modifiquemos o pronome, de "eles" para "nós", e vejamos se não fazemos o mesmo. Se uma situação ou alguém nos retiram alguma dessas coisas, como respondemos? A maioria como uma verdadeira criança mimada que perdeu o brinquedo predileto, esperneia, se revolta, fica triste ou depressiva, como uma forma de convencer nosso Pai. Nós, os “adultos”, ficamos presos ao passado, não nos melhorando ou estagnados, porque temos razões de ficarmos assim, pois “meus pais me magoaram quando eu tinha 10 anos”, “perdi aquele emprego que queria”, “não recebi o carinho que precisava” ou “perdi minha saúde” e por aí vai. Perdemos anos de nossas vidas com esses pensamentos, como vítimas eternas, sem noção que o tempo tem passado.


Para treinarmos escapar desta situação já em vida, tentemos seguir o conselho de Emmanuel, desenvolvendo a ideia de Paulo de Tarso, no livro Fonte Viva:


"Irmãos, quanto a mim, não julgo que haja alcançado a perfeição, mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que ficam atrás, avanço para as que se encontram diante de mim." – Paulo (Filipenses, 3:13 e 14.)


“Na estrada cristã, somos defrontados sempre por grande número de irmãos que se aquietaram à sombra da improdutividade, declarando-se acidentados por desastres espirituais.


É alguém que chora a perda de um parente querido, chamado à transformação do túmulo.


É o trabalhador que se viu dilacerado pela incompreensão de um amigo.


(...)


É a mulher que se enrola no cipoal da queixa contra os familiares incompreensivos.


(...)


É alguém que deplora um erro cometido, menosprezando as bênçãos do tempo em remorso destrutivo.


O passado, porém, se guarda as virtudes da experiência, nem sempre é o melhor condutor da vida para o futuro.


É imprescindível exumar o coração de todos os envoltórios entorpecentes que, por vezes, nos amortalham a alma.


A contrição, a saudade, a esperança e o escrúpulo são sagrados, mas não devem representar impedimento ao acesso de nosso espírito à Esfera Superior.


(...)


Centralizemos nossas energias em Jesus e caminhemos para diante.


Ninguém progride sem renovar-se.


Quantos de nós passamos uma vida com rancor, mágoas ou depressões porque não soubemos perdoar. E quantos já ouvimos as histórias do além-túmulo que choram por esse tempo perdido. Não desperdicemos nossas vidas. As vicissitudes virão e os conflitos ocorrerão, não para nos jogar para baixo, mas para nos jogar para o mais alto espiritualmente. Se bem aproveitarmos, resgataremos erros, faremos nosso autoconhecimento, educaremos nossas mazelas morais e desenvolveremos a caridade em cada contrariedade que ocorrer.


A Doutrina Espírita relata que nossos irmãos nesta situação não possuem paz, pois estão presos ao passado que viveram. Enxergam como se vivessem em outras épocas ou buscam uma vingança por não conseguirem perdoar. Por isso, quando passarmos ou tivermos conhecimentos de locais assombrados, emitamos vibrações de paz, amor, amparo e esperança para que possa sair dessa ilusão o quanto antes. E façamos outras preces por nós mesmos, pedindo a Deus discernimento e desapego em nossos pensamentos e atitudes, para não sermos “as assombrações” do futuro.


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.