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Crianças encaram com naturalidade as mães que trabalham fora de casa

Crianças encaram com naturalidade as mães que trabalham fora de casa



Psicóloga pesquisa crianças e jovens de 5 a 22 anos para revelar o impacto na vida dos filhos quando a mãe não abre mão de trabalhar fora de casa.


Veruska Donato
São Paulo, SP


A psicóloga Cecília Russo Troiano pesquisou 500 crianças e jovens de 5 a 22 anos de idade durante um ano. A pesquisa revela o impacto na vida dos filhos quando a mãe não abre mão de trabalhar fora de casa.


A preocupação está só na cabeça dos adultos, pois os filhos acham natural a mãe trabalhar fora. É o que revela a pesquisa. “Acho muito difícil falar para uma mãe reduzir as horas de trabalho. Ás vezes um hora ou duas de boa qualidade uma vez por semana, 1, 2 vezes por semana ou todos os dias é o que conta”, afirma a psicóloga.


O pai tem uma melhor imagem com os filhos. Além de trabalhador, ele também é definido como brincalhão. “Aí tem quase um recado para as mães. Não podemos abrir mão de ser tarefeira, mas trazer o marido para ser tarefeiro também e a gente abre um espaço para brincadeira".


Uma das conclusões do estudo é que um sentimento une os pais que trabalham fora: a culpa. Essa culpa é maior entre as mulheres. Elas acham que a carreira é importante, mas gostariam de passar mais tempo em casa. “A gente de noite também cansada, ainda vai fazer jantar, ainda vai cuidar da casa. Aí vem o bilhete da professora que ele não fez a lição e aí a gente fica culpada, se sente culpada por não poder ajudar”, conta a mãe e professora Berta, que também trabalha fora.


Ela tem quatro filhos: Caroline, Alan, Daniele e Jean. O caçula, assim como toda criança de até sete anos, é o que mais cobra a presença da mãe. “Eu acho que minha mãe ia me dar um pouco de atenção se parasse de trabalhar um pouco”, desabafa.


Segundo a pesquisa, ganhar dinheiro e comprar presentes, na opinião dos filhos estão entre os principais motivos para os pais trabalharem.


O estudo ainda faz uma constatação e que Caroline já traz como meta para o futuro. “Eu quero ter filhos, quero casar, mas eu quero trabalhar também. Ganhar meu próprio dinheiro”.


Para a autora da pesquisa, Cecília Russo Troiano, o maior desejo dos filhos é que eles querem que os pais trabalhem e ganhem mais. É preservar os pais e preservar as conquistas financeiras que vem do trabalho deles.


A pesquisa revela o impacto na vida dos filhos quando a mãe não abre mão de trabalhar fora de casa:


- As crianças hoje encaram com naturalidade o fato de ambos os pais trabalharem. A afirmação "acho natural minha mãe trabalhar fora" é dita por 91% das entrevistadas. Vários sentimentos estão envolvidos na relação com ambos os pais: a saudade e a falta de tempo são alguns deles. Mas todos concordam que não dá para viver sem os frutos do trabalho e têm ampla consciência de que, quanto mais bem-sucedidos os pais, maiores os benefícios para si (boas escolas, brinquedos, viagens, lazer), segundo 68% dos filhos.


- Questionados sobre porque o pai e a mãe trabalham, o repertório de explicações apontam, em primeiro lugar, para ganhar dinheiro, em segundo lugar, para dar uma vida melhor à família, depois para comprar coisas para os filhos e, em quarto lugar, porque eles gostam.


- Amiga e carinhosa são atributos clássicos associados às mães e os que encabeçam a lista na hora dos jovens definirem suas mães, mas trabalhadora é o primeiro adjetivo citado, com 55% de menções, mas também as consideram menos protetora e mais inteligente do que os filhos das que não trabalham fora de casa. Todos, sem exceção, elegeram uma imagem da mulher na cozinha como representativa da mãe - ou seja, trabalhe ou não fora, ela ainda é responsável por alimentar a família.


- O modelo tradicional de paternidade, o do provedor, ainda é a imagem mais forte na mente dos filhos: 64% apontam essa característica para definir o pai, mas depois de trabalhador, a segunda palavra associada aos pais é brincalhão (40%), o que mostra que os homens têm mais tempo e disposição mental para viver momentos de lazer com sua prole. Na hora de escolher imagens que representem o pai, as crianças escolheram várias associadas ao mundo profissional, mas uma das campeãs foi a do pai relaxando, sem fazer nada!


- Muitos filhos não sabem qual é exatamente o trabalho dos pais. Curiosamente, as meninas sabem mais do que os meninos. Em geral, os filhos sabem mais sobre o trabalho da mãe do que dos pais. Provavelmente, as mães justificam mais a sua ausência e dão mais detalhes sobre os motivos de estar fora de casa. Pode ainda existir o estilo de pai mais fechado, que divide pouco os assuntos profissionais com a família.


- As crianças se adaptam ao que vivenciam. Prova disso é que, quase na mesma intensidade, os filhos estão satisfeitos com a opção da mãe de não trabalhar ou de trabalhar fora. Em ambos os casos, 75% aprova a decisão da mãe, seja ela qual for.


- Em um termômetro medindo a felicidade dos filhos (de 13 a 22 anos), a nota média dada por eles mesmos foi de 8,5, sejam filhos de mães que trabalham fora ou mães em período integral.


Notícia publicada na página do Jornal Hoje, em 6 de abril de 2011.



Sonia Maria Ferreira da Rocha* comenta


“A tarefa doméstica nunca será uma válvula para gozos improdutivos, porque constitui um trabalho de cooperação com Deus. O homem ou a mulher que desejam ao mesmo tempo ser pais e gozadores da vida terrestre estão cegos e terminarão seus loucos esforços, espiritualmente falando, na vala comum da inutilidade.” (Emmanuel)


Esse é um dos problemas mais atuais que enfrentamos na nossa sociedade e, não podemos deixar de assinalar, é também uma das causas de uma sociedade mais violenta. Em relação à educação familiar, nossas crianças encontram-se desamparadas, entregues diariamente a pessoas de quem não possuem vínculos afetivos, sendo esses afetos tão importantes na infância e na adolescência dos nossos pequeninos.


Atualmente os pais estão mais preocupados com a vida de consumo imposta pela mídia, colocando como prioridades valorizações fúteis dentro do nosso lar. O carinho e a afetividade estão sendo substituídos por jogos, internet e outros produtos que amenizam a culpa que sentimos por negligenciarmos o precioso processo de educação e que é essencial para o futuro de um adulto bem estruturado e equilibrado. O resultado da pesquisa demonstra que as nossas crianças já estão conscientes da importância do “vil metal” nas suas vidas. Elas ainda não têm a percepção do valor do amor nas relações humanas.


É necessário, no entanto, salientar àqueles pais que para proporcionar melhores condições de conforto e crescimento àqueles que a vida abrigou nos seus braços, ficam limitados no contato com eles. Contudo, podemos sempre contar com o apoio incondicional da espiritualidade amiga que nunca nos desampara.


Elevando os nossos pensamentos, podemos pedir pelo amparo sustentável, pela energia de luz que é indispensável aos nossos lares.


Temos também a ajuda da Evangelização infantil. É importantíssimo trazer o Mestre com os seus exemplos para nosso cotidiano. Exemplificar com atitudes dignas de um lar cristão, dialogar com eles os seus problemas remetendo sempre aos ensinamentos do Mestre, mostrar o valor da prece utilizando o Evangelho no Lar. A oração é o maior recurso que temos para estarmos sempre ligados à Espiritualidade Superior. Nela encontramos a calma, o conforto, o alívio e até mesmo a solução para os nossos males, para as nossas horas de desânimo, de aflição e de desespero que nos vão atingindo em determinados momentos da nossa caminhada.


Estas sugestões são preciosas para o dia-a-dia de uma família atarefada nos seus afazeres profissionais, mas que sabe que pode recorrer à Espiritualidade para a realidade que tem pela frente, ajudando a educar os filhos com ideias e valores indispensáveis ao cidadão digno, honesto e acima de tudo cristão.


* Sonia Maria Ferreira da Rocha reside em Angra dos Reis, RJ, estuda o Espiritismo há mais de 30 anos e é colaboradora regular do Espiritismo.net.