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Ricos são mais egoístas

Ricos são mais egoístas



Pelo menos é o que concluiu um estudo feito pela Universidade da Califórnia, do qual participaram 115 pessoas de várias classes sociais. Na experiência, os voluntários foram agrupados em duplas para jogar um jogo. Cada pessoa recebia 10 créditos, e tinha de decidir quantos deles iria doar ao parceiro. Os voluntários ricos doaram 44% a menos do que os pobres. Segundo os psicólogos, isso supostamente acontece porque, como os indivíduos pobres enfrentam mais dificuldades no dia a dia, estão acostumados a se ajudar para sobreviver - o que seria menos frequente entre os ricos.


Notícia publicada na Revista Superinteressante, em dezembro de 2010.



Luiz Gustavo C. Assis* comenta


Avaliando a conclusão da pesquisa acima destacada, percebemos o quanto é atual o alerta que nosso Mestre Jesus nos deu há mais de dois mil anos: "Digo-vos em verdade que bem difícil é que um rico entre no reino dos céus. - Ainda uma vez mais vos digo: É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus." (Mateus 19: 23 a 25.)


Ao realçar a dificuldade dos ricos alcançarem o reino dos céus, Jesus não está a colocar a riqueza como um impeditivo, mas sim o egoísmo e o apego aos bens materiais. A riqueza, conforme nos ensina Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, é o maior incentivador da vida sensual, supremo excitante do orgulho e do egoísmo e "o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos".


Contudo, não se deve daí inferir que seja a riqueza o óbice maior à salvação do rico. Deus não seria bom e justo se colocasse nas mãos de uma pessoa um instrumento de perdição completa. Antes pelo contrário, a riqueza quando bem utilizada pode ser um grande elemento de progresso material e moral. Dessa forma, o que dificulta a entrada no reino dos céus aos detentores da riqueza, é o uso egoísta que é dado a esse instrumento de progresso. Comportamento egoísta que a pesquisa comprova, revelando que os ricos tendem a partilhar menos que os pobres.


O egoísmo, segundo os ensinamentos dos espíritos superiores que ajudaram na codificação do espiritismo, é o pior dos vícios. Analisemos a questão 913, de O Livro dos Espíritos, obra basilar da Doutrina Espírita:


"913. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical? R: Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Que todos os vossos esforços tendam para esse fim, porque nele se encontra a verdadeira chaga da sociedade. Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar do seu coração todo sentimento de egoísmo, porque é incompatível com a justiça, o amor e a caridade: ele neutraliza todas as outras qualidades."


Assim, procuremos extinguir o egoísmo que ainda está guardado na nossa alma, transformando-o com todas as nossas forças e com toda nossa coragem. "Faz aos outros o que gostarias que fizessem por ti", esta é a única forma de nos renovarmos interiormente e construirmos um mundo melhor. Compreendendo a realidade da dimensão espiritual e a transitoriedade desta vida física, perceberemos que o egoísmo e o apego apenas limitam as nossas conquistas e diminuem as posses que acumulamos na nossa alma. É que as verdadeiras posses e conquistas não são medidas em Reais, Dólares, Ouro ou Diamantes, mas na capacidade para amar sem olhar a quem. "[O egoísmo] é a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens". (Emmanuel, no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.)


* Luiz Gustavo C. Assis é psicólogo, trabalhador do Centro Espírita Maranhense, em São Luís do Maranhão, e da equipe do Espiritismo.net.