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Após 60 anos de casados, marido e mulher morrem no mesmo dia

Após 60 anos de casados, marido e mulher morrem no mesmo dia



Após mais de 60 anos de feliz casamento, marido e mulher morreram exatamente no mesmo dia. No mesmo hospital, em Leeds (Inglaterra). E da mesma doença. Blanche, de 90 anos, e Stanley Dale, de 94, foram vítimas de pneumonia e faleceram com poucas horas de diferença, contou o "Yorkshire Evening Post".


Os dois viviam em uma casa para idosos em Cross Gates. Blanche foi a primeira a ser levada ao hospital em 4 de março. O marido, que sofria de demência, não tinha noção da internação da mulher. Pouco depois, foi a vez de ele ser internado.


Stanley foi o primeiro a falecer, às 8h. Sem saber da morte do marido, Blanche morreu às 16h30m.


"Nenhum dos dois sabia que o outro estava doente. Então não houve problema cardíaco. O fato de os dois terem morrido no mesmo dia depois de tantos anos juntos foi uma triste coincidência", disse a sobrinha Alma Heaps.


Blanche e Stanley não tiveram filhos.


Notícia publicada no Jornal O Globo, em 4 de abril de 2011.



Darlene Polimene Caires* comenta


Essa notícia faz-nos pensar sobre a teoria das almas gêmeas. Alma gêmea é algo que ultimamente está na moda. Muitos dos que querem se enamorar procuram pela alma gêmea, ou seja, alguém que os complete e com quem vivam felizes para todo o sempre. Nem a morte os poderá separar, porque ao encontrá-la nunca mais se separam. É nisto que querem acreditar.


Entretanto, ao aceitarmos que exista algures fora de nós alguém que nos complete, somos forçosamente obrigados a assumir a incompletude. Tornamo-nos seres incompletos em busca de alguém que nos faça felizes.


Romantismo à parte, é bastante inquietador sentirmo-nos incompletos e dependentes de um único ser. Será por isso que tantos casamentos não dão certo? Será por isso que existe tanta dor no amor, tanta desilusão? Só seremos felizes se encontrarmos a nossa alma gêmea? E como ficam as pessoas que se sentem plenas, mesmo sozinhas? E aquelas que somente encontram pessoas que têm muito pouco a ver com elas? Será que as almas gêmeas dessas pessoas não nasceram? Estarão com outros parceiros? É possível ser feliz sem a alma gêmea?


Consultórios de terapias, sites, blogs e toda a parafernália de meios de comunicação colocam-se à disposição para o encontro com a tão sonhada alma gêmea. Existe até quem faça regressão a vidas passadas com o intuito de descobrir quem é sua alma gêmea.


Mesmo no tempo de Allan Kardec, o conceito de almas gêmeas já era motivo de inquietação. Analisemos a pertinente pergunta que o mestre lionês fez aos espíritos, em O Livro dos Espíritos: “298. As almas que devam unir-se estão, desde suas origens, predestinadas a essa união e cada um de nós tem, nalguma parte do Universo, sua metade, a que fatalmente um dia reunirá? Não; não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade.”


Notemos que a resposta, além de objetiva também nos explica como as uniões dependem do grau de evolução dos espíritos e revela a particularidade de cada união. As uniões de provas e expiações, que são a grande maioria das relações neste planeta, só terão finais felizes se ambos investirem nessa relação, procurando limar seus defeitos e sublimar as suas virtudes à medida que o parceiro faça o mesmo.


Então, a relação entre dois Espíritos tornar-se-á gradualmente mais sólida e fraterna, aumentando a afinidade à medida que eles próprios vão crescendo espiritualmente. Mesmo assim, eles não se tornarão almas gêmeas. Analisemos o que é dito na questão 299, de O Livro dos Espíritos: “Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que alguns Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos? A expressão é inexata. Se um Espírito fosse a metade do outro, separados os dois, estariam ambos incompletos.”


À medida que evoluímos, a sensação de completude vai nos “preenchendo” porque quanto mais próximos da felicidade suprema, mais completos nos sentimos. A sensação de incompletude que por vezes nos atinge não ocorre pelo desencontro com outro ser, mas devido à intuição que possuímos de que podemos ser mais, crescer mais.


E os companheiros, que papel desempenham nessa nossa busca? Com certeza que eles são fundamentais. Os nossos companheiros, quer eles sejam parceiros amorosos, familiares, amigos, são as molas propulsoras para nossa evolução. Dalai Lama disse que eles são nossos professores. E não apenas aqueles que nos revelam a sua estima, pois as pessoas que sentem certa animosidade por nós são as que mais nos ajudam a crescer, pois com elas aprendemos a conhecer nossos limites, exercitamos a tolerância, a paciência, o perdão. Ou seja, aprendemos a amar.


Imaginemos esse casal que viveu por sessenta longos anos juntos. Quantas experiências! Encontrar razões que expliquem o desencarne quase simultâneo pode ser mera especulação, mas temos certeza que Deus em sua infinita bondade, não permitiu que sofressem a dor da separação, a dor da perda.


* Darlene Polimene Caires é professora aposentada e participa das atividades do Centro Espírita Nosso Lar, em Londrina, no Paraná.