Espiritismo .NET

Bebês são levados para abrigo depois da rejeição do pai, dizem médicos

Bebês são levados para abrigo depois da rejeição do pai, dizem médicos



Casal fez tratamento para ter dois bebês; nasceram três. Após o parto, pai teria tentado deixar um deles na maternidade.


Do G1 PR, com informações da RPC TV


Três meninas que nasceram por inseminação artificial foram levadas pelo Conselho Tutelar para um abrigo, em Curitiba, depois de uma delas ser rejeitada pelo pai após o nascimento.


De acordo com médicos e enfermeiros da maternidade, o pai teria rejeitado uma das meninas porque esperava que o tratamento resultasse no nascimento de no máximo dois bebês. As crianças nasceram no dia 24 de janeiro deste ano. A maternidade não quis comentar o assunto.


O médico responsável pelo tratamento, Karan Abou Saab, explicou que nos primeiros exames de gravidez os pais já sabiam que seriam três bebês, mas quando eles nasceram o pai se recusou a levar para casa a terceira criança. Ele foi impedido pelo hospital de levar somente duas crianças. A maternidade acionou o Ministério Público e uma liminar determinou que as três crianças fossem levadas para o Conselho Tutelar. O caso segue em segredo de justiça.


Em entrevista ao G1, Saab disse também que em 36 anos de profissão nunca tinha visto uma situação destas. "Pra mim é uma novidade, nunca vi um casal rejeitar um filho após um tratamento para engravidar", afirmou.


A advogada da família informou que os pais não querem comentar sobre o assunto porque o caso está em segredo de justiça.


Notícia publicada no Portal G1, em 1º de abril de 2011.



Marcia Leal Jek* comenta


A infertilidade é um tema que preocupa e abala muitas famílias. São considerados inférteis, os casais que, após um ano de relações sem o uso de métodos anticoncepcionais, não conseguem gerar um filho, ou aqueles que, na ocorrência de gravidez, não levam a gestação até ao nascimento do bebê.


Existem vários fatores que estão na origem de uma possível infertilidade: as causas podem ser femininas (disfunções orgânicas nos órgãos reprodutivos (útero, trompas ou ovários e problemas hormonais), masculinas (alterações acusadas no espermograma ou disfunções no aparelho reprodutor masculino), mistas (abrangendo tanto o homem quanto a mulher) ou ainda não haver causas aparentes.


Mas como entender o porquê desses problemas, principalmente sob o aspecto espiritual?


Sabemos, pela lei de causa e efeito, que tudo o que vivenciamos hoje tem uma causa no passado. Ninguém nasce por acaso, bem como o que nos acontece também não. A questão não é de sorte ou azar, mas de merecimento, de assumir as escolhas realizadas através do livre-arbítrio. Assim, pelo axioma de causa e efeito, cada um receberá segundo as suas obras, ou seja, a sementeira é livre, mas a ceifa é obrigatória.


Deus nada criou ao acaso. Mesmo perante as fraquezas das almas, oferece-lhes novas oportunidades de darem cumprimento à sua vontade. Diante da impossibilidade orgânica de exercer a maternidade, existem outras formas de conquistar a mesma.


A vida em família é por demais importante no crescimento espiritual. É na família, através do relacionamento próximo, que muitos reajustes do passado se consumam, transformando pelo amor e pela educação dolorosos conflitos e desavenças.


A impossibilidade de gerar um filho agita emocionalmente homens e mulheres. Sabemos que existem recursos científicos que auxiliam o processo reprodutivo, mas esta é sempre uma situação muito dolorosa para o casal. É um processo moroso, com uma taxa de sucesso não muito elevada e em que a ansiedade do tempo de espera é dividida entre o receio de falhar, a angústia e a esperança em serem bem sucedidos.


Aos pais é solicitado amor, compreensão e fé, pois se houver merecimento a vida vencerá.


Em relação aos gêmeos, e segundo Oneida Terra, em Palestra Virtual realizada pelo IRC-Espiritismo, em 13/03/1998: “Os gêmeos ou trigêmeos têm o mesmo papel de todos os filhos, mas, com certeza, o nascimento de gêmeos, trigêmeos, etc, envolve um exercício de doação, de gratuidade interior, de fraternidade bem maior do que quando o casal tem um único filho. Tanto os pais, quanto os filhos, nessas circunstâncias, são chamados a um trabalho maior, no exercício do amor e na união da família.”


Na mesma ocasião, Oneida Terra falou dessa forma sobre o abandono: “Os pais ficam com a responsabilidade desse abandono e isso não é tão simples: as consequências que essa criatura possa viver conduzem aos pais responsabilidades muito sérias. Quem abandona enfraquece, e os laços da maternidade fortalecem profundamente os sentimentos da mulher. (…) Um pai irresponsável consigo mesmo precisa de muita compreensão, muita prece e energia. Nem sempre conseguimos utilidade passando a mão na cabeça das pessoas. Não é pela consanguinidade que iremos permitir desrespeito. Um filho não pode arcar com responsabilidades que pertençam ao seu pai.”


Todos somos suscetíveis de errar. Jesus nos disse que não tinha vindo ao mundo para julgar o mundo, e por isso não cabe a nós tal tarefa. Usemos de nosso amor e capacidade de compreensão para abraçar o pai que a notícia nos fala, envolvendo-o nas nossas vibrações de carinho, para que ele compreenda o seu erro e o possa retificar ainda nessa vida.


* Marcia Leal Jek estuda o Espiritismo há mais de 25 anos e é trabalhadora do Centro Espírita Francisco de Assis, em Jacaraipe, Serra, ES.