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Brasil bate recorde de doadores de órgãos

Brasil bate recorde de doadores de órgãos



DE SÃO PAULO


Em 2010, o número de doadores de órgãos foi 11% maior do que em 2009, segundo a ABTO (Associação de Brasileira de Transplante de Órgãos).


Foram 1.842 doadores com órgãos transplantados. É a maior média da história.


O número total de transplantes feitos no Brasil teve um aumento de 6,5%.


Os tipos que mais tiveram aumento foram os transplantes de rim e de fígado.


Segundo a ABTO, São Paulo é o Estado com maior proporção de doadores. A região Norte é a que tem menos doações.


Notícia publicada na Folha.com, em 28 de janeiro de 2011.



Marcia Leal Jek* comenta


(...) Segundo a ABTO, São Paulo é o Estado com maior proporção de doadores. A região Norte é a que tem menos doações.


Será que na região norte há menos doadores porque demanda certa burocracia e os cidadãos preferem não se incomodar com o assunto, além de terem a ideia de que serão destratados nas repartições públicas? Será que eles têm pouca ou nenhuma informação a respeito do assunto? Ou muitos dizem não ter conhecimento sobre a lei brasileira que regulamenta a doação de órgãos? Ou é pela crença na falta de credibilidade do sistema de saúde brasileiro?


Mas o que vem a ser doação de órgãos? A doação de órgãos é um ato através do qual um indivíduo manifesta sua vontade de que, após sua morte ou em vida, uma ou mais partes de seu corpo sejam transplantados para outros indivíduos.


Após a morte física, os laços energéticos que uniam o espírito ao corpo material vão se desfazendo gradualmente. Porém, ainda que seja gradativo, uma vez iniciado o processo do desencarne, é impossível o espírito voltar a “reencarnar” no mesmo corpo. Isso ocorre também com a morte cerebral. Com isso, os órgãos do corpo já não servirão para mais nada, entrarão em processo de decomposição e irão alimentar micro-organismos e vermes, ou então, poderá ser cremado. Por outro lado, numa atitude caridosa, podemos autorizar o transplante para que sirvam de instrumentos a outro corpo físico.


Encontramos em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap I, item 3: “O corpo não passa de um acessório seu (do Espírito), de um invólucro, uma veste (do Espírito), que ele deixa, quando usada (...) Por ocasião da morte, despoja-se dele (do corpo físico)”.


Cada pessoa tem o direito de escolher entre a doação ou não dos órgãos. Mas doar órgãos é ato de amor. Só trará benefícios a quem o faça.


A Lei Divina de Ação e Reação muito beneficiará o doador, além do que o beneficiado, seus parentes, amigos e a própria equipe médica envolvida, estarão todos direcionando a ele, ao doador, vibrações positivas, em preces de gratidão. Para o doador desencarnado isso é bênção incomparável.


Numa entrevista à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, nº 38, Francisco Cândido Xavier comenta que o transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante. Os Espíritos, segundo ele, não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais, pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito.


Não existem reflexos traumatizantes no corpo espiritual em contrapartida à mutilação do corpo físico. O doador de olhos não retornará cego ao Além. Se assim fosse, que seria daqueles que têm o corpo consumido pelo fogo ou desintegrado numa explosão?


Temos uma questão levantada que é a rejeição do organismo após a cirurgia. Lembramos que, se for do merecimento, haverá uma assimilação energética em torno do órgão recebido e o transplante será bem sucedido.


A doação de órgãos para transplantes não afetará o espírito do doador, exceto se acreditarmos ser injusta a Lei de Deus.


O ato de doar órgãos é um exemplo de desapego à matéria, expressando a sublimidade do amor incondicional em benefício do próximo.


As pessoas, perante a legislação recente da doação de órgãos, devem, pela precisão de conceitos e lucidez de raciocínio, se basear na resposta de Emmanuel (em Manual Espírita do Principiante, pg. 91): “A doação de órgãos deve ser regida pela consciência individual. Se o desencarnado é muito apegado ao corpo material, poderá sentir-se um tanto perturbado, mas sem gravidade. Tendo notícia do real papel do próprio corpo na trajetória ascensional do espírito, entenderá. Uma vez inútil ao seu trabalho, algo dele serve ao outro, cuja máquina perdeu só um parafuso. Como o carro fundido ou acidentado cede peças sãs a um menos lesado.”


A doação de órgãos para transplantes é perfeitamente legítima. Divaldo Franco certifica: “Se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças às conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada”. (Divaldo Pereira Franco, Seara de Luz, Salvador, Editora LEAL - o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.)


Reflitamos neste artigo (Folha de S.Paulo, A3, “Opinião”, 15 de maio de 2001):


“(...) Heróis são difíceis de achar – doadores vivos, doadores potenciais mantidos vivos em UTIs em respiradores artificiais e famílias esclarecidas que acabaram de sofrer a tragédia da perda de um ente querido. É preciso uma alta dose de altruísmo, solidariedade e generosa caridade cristã para transferir a própria vida, por nossa vontade, após nos despirmos das prisões da carne, ou consentir que um parente venha a compartilhar o dom da vida com alguém da lista nacional (de pacientes aguardando recepção de órgãos), após um infortúnio. (...) Os transplantes, ligados intimamente que estão ao ato supremo das doações, surgiram como que para testar nossas virtudes de solidariedade humana, nosso altruísmo, nossa generosidade, nossa piedade, nossa compaixão, nossa filantropia, nossa benevolência, nossa bondade, nosso amor ao próximo, nosso espírito humanitário, nossa indulgência, nossa excelência moral, nossa grandeza de alma, nossa misericórdia, nosso espírito de socorro, amparo e auxílio e, sobretudo, a virtude mais decantada nos Evangelhos: o amor e a caridade”.


* Marcia Leal Jek estuda o Espiritismo há mais de 25 anos e é trabalhadora do Centro Espírita Francisco de Assis, em Jacaraipe, Serra, ES.