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Arcebispo do Rio celebra missa pelas vítimas do massacre de Realengo

Arcebispo do Rio celebra missa em homenagem às vítimas do massacre de Realengo



Vinicius Lisboa - O Globo


CBN


RIO - O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, celebrou, na manhã desta quarta-feira, uma missa em homenagem às vítimas da chacina na escola Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. A cerimônia, que marca o sétimo dia da tragédia, aconteceu na Rua General Bernardino de Matos, onde fica a escola. Duas mil pessoas assistiram à missa. Alunos do colégio participaram como coroinhas. A celebração foi marcada por muita emoção. O público levou faixas e cartazes em homenagem às vítimas.


Durante a missa, dom Orani Tempesta afirmou que a Escola Municipal Tasso da Silveira "tem que voltar a ser uma escola":


- O local tem que se tornar um lugar onde as crianças possam estudar com tranquilidade. Entregamos a Deus todos os pedidos colocados nas manifestações na frente da escola. Após sete dias, como diz a tradição da Igreja Católica, que possamos retomar a vida com novos compromissos.


Dom Orani também frisou que é preciso que as pessoas criem em seu redor um clima de paz e tranquilidade.


A cerimônia conta com a presença de várias autoridades, entre elas, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes.


Representantes de outras religiões e familiares de vítimas também estão presentes. Após a missa, um helicóptero da Polícia Civil vai jogar pétalas de rosas em homenagem às famílias das vítimas.


Na terça-feira, foram divulgados dois vídeo deixados pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira, gravados dois dias antes do crime, em que fala dos motivos que o teriam levado a promover o massacre. As imagens, mostradas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostram o rapaz falando como se estivesse dopado e com um discurso confuso, dizendo que não agiria "exclusivamente pelo que é conhecido como bullying", mas contra pessoas "incapazes de se defender".


Notícia publicada no Jornal O Globo, em 13 de abril de 2011.



Darlene Polimene Caires* comenta


Fato muito triste esse ocorrido semana passada no Rio. Sempre que uma tragédia assola nosso cotidiano, sentimo-nos meio letárgicos, meio impotentes, desalentados.


“A Humanidade chegou a um ponto de sua caminhada evolutiva que não mais se lhe permite retrocesso de qualquer natureza. Para os próximos cinquenta anos já se delineia um planejamento destinado a ser cumprido por uma coletividade de Espíritos que irão conviver com grandes e penosos desafios. Trata-se de uma população heterogênea constituída de almas esclarecidas e de outras em processo de reajuste espiritual... Anunciam-se, então, o processo renovador de consciências por meio de provações, algumas acerbas. Uma operação de decantação que visa selecionar os futuros habitantes do Planeta, aqueles que deverão viver os alvores da Era da Regeneração...” (Comunicação psicografada por Divaldo Pereira Franco, de autoria espiritual de Bezerra de Menezes.)


Por mais que saibamos que estamos vivendo um período de transição, nosso espírito sofre a dor, o medo e algumas vezes a revolta.


Ficamos sem entender o porquê é permitida uma chacina nessas proporções. O que leva uma pessoa a cometer tal atrocidade? Clamamos por respostas e a mídia, na maioria das vezes, ao invés de nos consolar, nos esclarecer, nos incita à revolta, ao ódio, à mágoa, à vingança. Perdemos a racionalidade e emocionalmente nos tornamos deuses em busca de justiça.


E nessa competição pelo mais alto IBOPE, aparece todo tipo de profissional, ora condenando o algoz, ora o absolvendo e transformando-o em vítima, e de uma maneira tão convincente que quase acabamos concordando com esse ato, afinal ele sofreu tanto que perdeu a lucidez, tornando-se um “inocente louco”.


Saindo do fato em si, podemos perceber que a sociedade em que vivemos perdeu o senso de moralidade. Há uma total inversão de valores.


O que antes não passava de zombaria de criança pequena e traquina, hoje chega às raias da crueldade e tem até nome: bullying. E sabemos que violência gera violência. Muitas vezes, o ser que sofreu o bullying não consegue digerir tamanha crueldade e vergonha sentidas. Com certeza, possuidor de uma mente já problemática, perde o senso moral e passa a viver mentalmente o que se chama “canção psicológica”. O pensamento reincidente vai potencializando o ódio, o rancor e a sede de vingança.


Há que se cuidar da crueldade de nossas crianças, primeiro porque é de criança que se aprende o respeito, a compaixão, o amor; também porque “não sabemos o mal que se esconde atrás do coração humano”, como dizia um professor de história de nossa adolescência, quando nos pegava fazendo alguma traquinagem.


Por mais queiram nos convencer do contrário, somos sim responsáveis pelo que despertamos no outro, principalmente quando foi num ato de maldade, violência, negligência. Não falamos de culpa, mas de responsabilidade.


Podemos elencar vários fatores que fizeram esse irmão infeliz cometer ato tão bárbaro.


Sabemos que os pais estão cada vez mais sem tempo em busca da subsistência ou até mesmo do supérfluo.


Muitas vezes, em nossas escolas, professores que estão ali só pelo salário e por não terem outra opção profissional, descompromissados, fazem vista grossa a certos comportamentos de qualquer tipo, tanto do agressor, como do agredido. São professores que ainda estão com aquela ideia medieval de escola somente como repassadora de conteúdos. Ouvimos pelos corredores que a educação deve vir de casa. E aqueles que têm o compromisso com a educação integral, do ser integral, ficam muitas vezes ridicularizados pelos parceiros e taxados de ruins pelos alunos.


Mesmo sendo proibido o porte e a comercialização ilegal de armas, a ganância, a displicência e a maldade proporcionam a aquisição de uma maneira não só barata, como com certa facilidade.


Filmes e jogos violentos, o desamor em casa, o abuso ao menor, tudo isso pode ter sido o gatilho desse trágico episódio.


E, ainda, voltando-se para a espiritualidade, Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, na questão 459, pergunta se os espíritos têm o poder de nos influenciar o pensamentos e atos. E os espíritos respondem: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”


Certa feita, ouvimos uma frase que nos fez pensar e rever nossa crença: “Neste planeta de provas e expiações não existem inocentes”. E se raciocinarmos sobre isso, podemos aceitar que todos os envolvidos estavam ligados de certa forma por laços de resgate ou expiação. Saber o que realmente aconteceu na mente desse jovem, porque alguns foram escolhidos, quais seus envolvimentos, não passa de mera especulação. Sabemos que muitas famílias estão sofrendo a perda, quer as das “vítimas” quer a do “algoz”.


A sociedade mais uma vez sentiu o medo. O lugar que deveria ser um porto seguro para seus filhos mostra-se também vulnerável.


Ficar buscando culpados também não adianta, porque nossa sociedade está doente, está precisando de um remédio, que Jesus, há dois mil anos, veio nos ensinar como nos curar, quando nos disse: “Ama teu próximo como a ti mesmo; Faças ao outro o que queres que o outro faça por ti”. A isso, a psicologia chama de empatia, o budismo chama de compaixão e o cristianismo (espíritas, católicos e evangélicos) chamam de Lei de Amor.


* Darlene Polimene Caires é professora aposentada e participa das atividades do Centro Espírita Nosso Lar, em Londrina, no Paraná.