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Professora mata a facadas deputado que acusou de estupro

Professora mata a facadas deputado que acusou de estupro



Uma professora matou um deputado do estado indiano de Bihar a facadas nesta terça-feira como vingança por ter sido supostamente estuprada por ele durante mais de três anos, informaram fontes da polícia.


O deputado Raj Kishore Kesri, do partido hinduísta Bharatiya Janata Party (BJP), estava acompanhado de amigos e familiares em sua residência na cidade de Purnia quando a mulher, Rupam Pathak, entrou no imóvel e cravou uma faca no baço do político, relataram fontes da Polícia e testemunhas à agência Ians.


Um parente de Kesri explicou que, ao ver o deputado no chão, pensou que tinha caído da cadeira.


"Me perguntei por que ele não se levantava. Só quando fui puxá-lo me dei conta de que estava sangrando profusamente", explicou S. Kumar à imprensa local.


Após perceberem o ocorrido, os guardas pessoais do político separaram a mulher de Kesri, que foi declarado morto no hospital para o qual foi levado.


Segundo algumas testemunhas, após o incidente a professora teria sido linchada, mas a versão foi desmentida por um policial. A suspeita "foi presa e está sendo interrogada", disse outro agente da segurança local.


No ano passado, a professora havia denunciado Kesri por estupro, crime que, segundo ela, se repetiu durante três anos, mas depois retirou a denúncia.


O chefe do Governo de Bihar e presidente do partido Janata Dal (United), Nitish Kumar, expressou seu pesar pelo fato e determinou uma investigação para esclarecer a morte do deputado.


Notícia publicada no Portal Terra, em 4 de janeiro de 2011.



Carlos Miguel Pereira* comenta


“(…) Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; (…) Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos (…)” (Jesus de Nazaré, em “O Sermão da Montanha”.)


Através da vingança, o indivíduo se julga no direito de punir quem o agrediu ou ofendeu. Francis Bacon descreveu-a como “uma espécie de justiça selvagem.”


Mas de onde surge este impulso vingativo e avassalador, responsável por tantos crimes e atrocidades? Só poderemos entender o comportamento humano na sua plenitude quando tomarmos em consideração a dualidade evolutiva espírito/matéria que nos acompanha. Somos herdeiros de uma evolução orgânica que se prolonga há milhões e milhões de anos, mas também somos o incompleto resultado da aprendizagem individual que o nosso Espírito foi adquirindo ao longo de vidas sucessivas. Com a evolução orgânica, para além do complexo aparelho físico que dispomos atualmente, revelamos ainda vestígios de comportamentos instintivos primários que nos ajudaram a sobreviver como espécie. A vingança, como arma de defesa e medida persuasora de novas agressões, foi um desses mecanismos instintivos. Já através da evolução espiritual, ao longo de milhares de anos de experiências e adversidades distintas, cada Espírito foi estabelecendo determinados padrões de conduta que gradualmente se foram transformando em traços marcantes da sua personalidade. Essa tendência individual, numa existência física, será potenciada ou depurada pela herança genética recebida e pelo ambiente cultural e social em que o indivíduo estiver envolvido.


Pelos padrões morais de grande parte da população mundial, a vingança é um comportamento negativo e desajustado que deverá ser evitado. A ideia da paz apenas ser alcançada através de atitudes pacíficas felizmente prevalece. Porém, ao assistirmos aos noticiários, verificamos que proliferam as atitudes de vingança: entre estados, povos, partidos políticos, times de futebol, mas também nas pequenas comunidades, nas empresas, entre vizinhos e até no interior dos lares. Se prestarmos atenção às conversas que se desenrolam à nossa volta, perceberemos os sentimentos de vingança que algumas contrariedades provocam: discussões de trânsito; picardias; humilhações; diferenças de opinião; pequenas mentiras; maledicências; traições; entre muitos outros problemas. Tudo isso é justificação para planos vingativos ou retaliações no mesmo número e grau. A vingança como mecanismo punitivo não desapareceu da nossa sociedade. O desejo de impingir sofrimento aos que nos magoaram ainda abunda na vida diária.


A vingança infligida em consequência de uma ofensa que nos machucou coloca-nos ao mesmo nível moral do agressor. E se julgamos que vingança é unicamente matar alguém por um crime que nos roubou algo de muito precioso ou é agredir outro que nos caluniou ou antes difamar um inimigo na praça pública, estamos enganados. Vingança não é apenas isso. Na verdade, cometemos pequenas vinganças a todos os instantes. Nos vingamos todas as vezes que repetimos comportamentos que nos magoaram com a justificação de que o outro também o fez. Quando desprezamos aqueles que nos desprezam, quando odiamos os que nos odeiam, quando devolvemos intrigas aos intriguistas, quando usamos a indiferença como resposta à ingratidão, entre tantos outros exemplos, estamos a exercer uma postura vingativa.


Normalmente, os impulsos vingativos são justificados de duas formas distintas: auto-defesa e justiça. Através desta ideia de justiça, aquele que nos prejudicou “precisa de pagar pelo que fez!”. Mas a justiça selvagem não é justiça, é vingança. Vamos dar os nomes certos às coisas. Já a auto-defesa dispensa a retaliação. Quando alguém pretende se defender de possíveis agressões bastará, em situações normais, criar circunstâncias adequadas para que quem o quer agredir ou ofender não possa concretizar a sua intenção. A vingança cria ciclos intermináveis de violência, com retaliações atrás de retaliações, raivas recalcadas, agressões mútuas e obsessões doentias pelo desejo de sofrimento daqueles a quem se odeia. Estas lutas e perseguições não se limitam à dimensão física em que nos encontramos. A morte não coloca um termo no ódio, nem no sentimento de injustiça. A sede de vingança e retaliação continua no mundo espiritual, se agrava em outras vidas, se mantém ativa num nível de opressão e descontrole emocional terrível, através de obsessões espirituais perturbadoras, quando um dos contendores se encontra encarnado e outro desencarnado. É um longo jogo do gato e do rato sem vencedores, apenas derrotados.


Essa perseguição obsessiva terá um fim? Só poderá terminar quando uma das partes da contenda, mesmo sentindo-se magoada, deixar de se concentrar nas suas mágoas e conseguir compreender a sua responsabilidade nas dores próprias, colocando em prática o princípio basilar do amor pelo próximo: “Faz aos outros o que gostarias que os outros te fizessem”. Daí brotará o botão da flor que colocará um ponto final neste ciclo de violência: O perdão.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.