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Com 1ª moeda social do estado do RJ, Silva Jardim agita sua economia

Com 1ª moeda social do estado do RJ, Silva Jardim agita sua economia



Em apenas um mês, Capivari aumentou movimento no comércio. Prefeitura espera que atrações turísticas também atraiam mais visitantes.


Aluizio Freire
Do G1 RJ


A rotina dos moradores de Silva Jardim, na Baixada Litorânea, mudou há pouco mais de um mês, quando foi lançada e começou a circular a primeira moeda social do Estado do Rio de Janeiro, o Capivari. A nova moeda, que é administrada com recursos do município, ganhou a adesão de grande parte da população e passou a financiar o comércio local, provocando um “boom” na economia da cidade.


Em frente aos supermercados, açougues e drogarias, carros de som anunciam as promoções em produtos que são adquiridos com o novo dinheiro. Com faixas e outras publicidades, comerciantes fazem propagandas para atrair mais clientes com capivaris no bolso.


Em alguns casos os descontos chegam a 20% do valor da compra. “Achei a ideia excelente. Isso está revitalizando o comércio de Silva Jardim”, elogiou Sonia Maria Cruz, 42, enquanto fazia compras no supermercado usando seus capivaris.


Muitos comerciantes garantem que o movimento aumentou em até 60% depois da nova moeda.


“Nosso objetivo, em primeiro lugar, é promover a economia solidária, valorizando o comércio local e ajudando o pequeno empreendedor com o microcrédito. Agora, o dinheiro fica aqui no município. Antes, a gente enchia uma lata furada”, explica a secretária municipal de Turismo, Indústria e Comércio (Semtic), Vera Lúcia Brito.


A abertura do Banco Comunitário Capivari (BCC) garante a circulação da moeda desde o dia 16 de novembro. O prefeito Marcello Zelão foi o principal idealizador da iniciativa.


“Os comerciantes e a população aceitaram a moeda, apoiando a iniciativa. Queremos o melhor para o nosso município. O banco é para atender os trabalhadores, as pessoas mais pobres e não para quem tem dinheiro. Vamos mudar a realidade econômica da cidade através das pessoas de menor poder aquisitivo, que não conseguem empréstimos nos bancos convencionais”, disse Zelão, defendendo o micro-crédito para agricultores e outros setores produtivos.


Com cerca de 22 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE, a atividade econômica que movimenta Silva Jardim ainda é a agricultura. Numa cidade cuja renda per capita é de um salário mínimo e meio e que muitos moradores ainda compram a crédito no mercado e deixam a dívida anotada em uma ficha para pagar mensalmente, o chamado “pendura”, um banco que abre com a proposta de oferecer crédito a pessoas com esse perfil precisou ser concebido com alguma flexibilidade.



Em vez de SPC ou Serasa, carro de som


“A gente não consulta o Serasa ou SPC, mas, os vizinhos, para saber se a pessoa merece mesmo crédito. O que exigimos é que a pessoa tenha pelo menos dois anos de endereço fixo”, afirma a analista de crédito do BCC, Tatiana da Costa Pereira. Mas a coisa pode se complicar para os maus pagadores.


Segundo Tatiana, caso o beneficiado se mantenha inadimplente e fique comprovado que houve má-fé para obter o crédito, ele poderá ter seu nome exposto em uma lista de devedores na entrada no banco ou até anunciado em um carro de som. Isso está previsto no contrato que ele assina e registrado no fórum.


“Mas, sabemos que as pessoas daqui são muito corretas, honestas e bons pagadores”, elogia a analista.


O gerenciamento geral da moeda social ficará a cargo da Associação Comercial, sob a supervisão do Fórum da Economia Solidária de Silva Jardim (Feso).


O suporte técnico e a consultoria para a implantação da moeda, que circula apenas no município, foram dados pelo Instituto Palmas, que já implantou moedas sociais em várias cidades brasileiras e administra uma moeda própria, o Palmas, no Conjunto Residencial Palmeira, em Fortaleza (CE).


O Capivari é emitido e administrado pelo BCC. Além de realizar o trabalho de "câmbio", isto é, a troca de reais por capivaris, o banco tem uma linha de crédito para pequenos empreendedores, com o intuito de promover a geração de trabalho e renda no município.



Capivari


As cédulas são de cinquenta centavos (lilás), um (verde), dois (salmão), cinco (amarela) e dez (azul) capivaris.


A Semtic preparou, ainda, uma cartilha com 20 perguntas e respostas esclarecendo sobre as dúvidas mais frequentes a respeito da nova moeda.


A circulação do Capivari é amparada pela Lei de Economia Solidária proposta pela Administração Municipal e aprovada pela Câmara em 27/05/2010. A iniciativa conta com a parceria do Banco do Brasil.


O nome da moeda é em virtude de o município de Silva Jardim ter sido inicialmente conhecido como Capivari, que também é o nome do rio que corta o centro da cidade. A escolha do título para a nova moeda, diz a prefeitura, é uma forma de resgate da história do município. Seu significado é "rio que tem capivara", o que também justifica a escolha da gravura que ilustra as cédulas.



Turismo é outra aposta


A 113 quilômetros do Rio, Silva Jardim é uma pequena cidade interiorana com uma bem cuidada pracinha central, traduzindo o clima de tranquilidade que atrai visitantes das cidades grandes.


A localidade, grande potencial turístico natural, possui cachoeiras e florestas que são um convite a passeios e caminhadas. Silva Jardim faz divisa com os municípios de Casimiro de Abreu, Nova Friburgo, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu e Araruama.


Uma parte do seu território encontra-se protegido pela Reserva Biológica Poço das Antas, unidade federal de conservação da natureza destinada ao projeto de preservação da Mata Atlântica e do mico leão dourado.


Para quem gosta de praticar esportes náuticos, o endereço é a Lagoa de Juturnaíba, com águas indicadas para banhos, passeios de barco e pescaria. O local é cercado por bares e restaurantes.


Para quem gosta de dar uma esticada, nos arredores de Silva Jardim encontra-se a Aldeia Velha, uma antiga vila fundada por imigrantes suíços e alemães. Algumas casinhas coloniais continuam mantendo o charme da região. O visitante pode fazer caminhadas por trilhas que levam a cascatas que garantem refrescantes mergulhos.


Notícia publicada no Portal G1, em 27 de dezembro de 2010.



Sergio Rodrigues* comenta


Na vida, às vezes é preciso usar a criatividade acompanhada de uma boa dose de ousadia. A iniciativa deste município, criativa e ousada, pelo que nos dá notícia a matéria em questão, foi bem aceita pela população, sem o que a ideia estaria fadada ao fracasso. Na medida em que o dinheiro, representado pela nova moeda, circule dentro dos limites do município, toda a sociedade se fortalece, fortalecendo, em consequência, o ente público, o que beneficia a todos.


E o que torna atrativa a troca da moeda nacional por esta cuja validade se restringe ao município? A facilidade na obtenção de empréstimo, muitas das vezes indispensável para a satisfação das necessidades imediatas, o desconto no preço da mercadoria a ser adquirida, a venda com prazo para pagamento, enfim, práticas antigas e simples que são oferecidas aos que optam pela moeda local, mas que ainda se fazem necessárias no relacionamento entre as pessoas. Mas o que vai dar sustentação de verdade a esta iniciativa é a consciência da população no sentido de que está fortalecendo e dinamizando a economia local. Com isso, muitos problemas decorrentes da falta de uma economia forte e sustentada, como o desemprego, poderão ser, senão eliminados, pelo menos minimizados a níveis suportáveis. Sem dúvida, um nova fase de esperança se abre para a cidade com o fortalecimento de sua economia.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.