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Estupro é usado como arma no Congo

Estupro é usado como arma no Congo



A violência sexual tem sido usada como uma arma na República Democrática do Congo, um país em crise após anos de guerra.


Um recente levantamento revelou que 24% dos homens e 39% das mulheres foram vítimas de estupro no país africano. Muitos casos nunca chegam a ser registrados.


Para os homens, a vergonha muitas vezes é o motivo que os leva a não revelarem que foram vítimas de abusos.


Neste vídeo, um homem que foi estuprado por soldados conta a sua história


Notícia publicada na BBC Brasil, em 26 de novembro de 2010.



Jorge Hessen* comenta


A imprensa internacional tem divulgado que a violência sexual tem sido usada como uma arma na República Democrática do Congo, um país em crise após anos de guerra. Uma recente pesquisa revelou que 24% dos homens e 39% das mulheres foram vítimas de estupro no país africano.


Não somente no Congo ocorre a violência sexual de estupro ("institucionalizado"), mas na África do Sul também, hoje considerada a capital do estupro do mundo. Uma menina nascida no país de Mandela tem mais chances de ser violentada sexualmente do que de aprender a ler. Surpreendentemente, um quarto das meninas sul-africanas sofrem o coito forçado antes de completarem 16 anos. Este problema tem muitas raízes: machismo (62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a conjunção carnal por meio de grave ameaça não é um ato de violência). Isto é uma catástrofe humana. Acabar com a cultura do estupro requer uma liderança ousada e ações direcionadas, para assim trazer mudanças para o continente africano.


Sob o enfoque espírita, será que quando uma mulher sofre um estupro (seja por problemas culturais, seja por desvios de condutas) poderia essa barbárie estar em "seu destino", ou é apenas reflexo moral de uma violência dos tempos difíceis da humanidade atual? Baseado nas obras básicas do Espiritismo, podemos afirmar que não é e nem pode ser determinístico o destino das vítimas de estupros e nem está “escrito” (como se diz!) e nem mesmo faz parte de possíveis "provações" reencarnatórias, pois se isso fosse verdade, seríamos andróides da vida, autômatos nas mãos do destino.


Desse modo, os detalhes dos episódios que nos ocorrem não podem estar sob o guante das “escritas do além” ou pré-determinado em nossas provas e expiações.


Embora saibamos que pelo prisma da Lei da reencarnação sempre carregamos os vínculos e compromissos do passado ante a Lei de Causa e Efeito.


Doutrinariamente falando, o que dizer mais sobre violências como essa aqui referidas? Existem muitos insanos entre nós. E até questionamos quando pensamos nisso: o que é exatamente sanidade?


Diz o jargão popular que “a ocasião faz o ladrão”. Desde cedo, ouvimos na escola que o homem é produto do meio em que vive. Tendemos a concordar com isso, porque o meio, através de seus costumes, é que cria o caldo de cultura. Pelo que conhecemos sobre reencarnação, nascemos com uma certa índole decorrente de um projeto feito no plano espiritual. Sem contradizer o que disse acima, é evidente que a nossa tendência (e promessa) será também aplicar o que acordamos com espíritos superiores.


Ficamos estarrecidos ao ler e ouvir a reportagem sobre o fato africano. Recentemente, ouvimos a notícia de que foi condenada a 12 anos a professora que manteve um relacionamento íntimo com sua aluna, aqui no Brasil. Neste caso, apesar de ser condenável pela nossa sociedade, parece ter havido alguma afetividade. Perguntamos se isso não seria patológico (?...) Retornemos aos dantescos fatos que se passam no Congo e na África do Sul. É difícil vislumbrar como é exatamente o cenário de crise que vive esses países após terem estado anos em guerra e segregação racial. O que sobra dos valores construídos por um povo? Um espaço delimitado por fronteiras cuja cultura foi depauperada, e onde aqueles que sobrestaram portando armas se portam agora como algozes e que molestam homens e mulheres a esmo, subjugam qualquer um a seu bel prazer. Mas que prazer é esse? Este é o cerne de toda essa questão, não é? Como explicar o comportamento animalesco que assumem esses violentadores? Aliás, de Angola também ouvimos outras tantas barbaridades.


Podemos inferir também que esses irmãos (africanos) incorreram no erro que talvez tenham se proposto a reparar antes da reencarnação. Não temos conhecimento mais detalhado como os fatos ocorrem por lá, e não podemos compreender tampouco como descem ao nível sub-humano de molestar barbaramente uma pessoa (que a essa altura está longe de ser um irmão), ostentando uma autoridade que deveria estar sendo utilizada para a recuperação e manutenção da ordem e da dignidade que essa cultura atingiu. Parece que o caos instiga esses “fortes” a caírem no mal, quem sabe, por inspiração de outros desencarnados que se alimentam dessa situação de terror. Se assim for, a ocasião cria de fato um ambiente propício para a aparição do ladrão e das mais nefastas agruras humanas.


Em que pese os contrastes da vida social, considerando as várias culturas terrenas, Deus não abdicou do comando dos mundos. Há uma ordem nas coisas e não estamos abandonados por Jesus e pela espiritualidade, que acompanham cada acontecimento e oferece sempre a oportunidade de melhoria para o infrator e o amparo ao que sofre uma ação má.



* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.