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Suposto suicida é ‘salvo’ por pilha de lixo em Nova York

Suposto suicida é ‘salvo’ por pilha de lixo em Nova York



Um homem que saltou do nono andar de um prédio em Nova York, em uma aparente tentativa de suicídio, sobreviveu após cair em uma pilha de lixo que não havia sido recolhida por causa das recentes nevascas na cidade.


Segundo o jornal New York Post, citando a polícia nova-iorquina, Vangelis Kapatos, de 26 anos, caiu neste domingo de uma altura de mais de 30 metros de seu apartamento, vestindo pijamas, e aterrissou de costas no lixo acumulado nas ruas desde o Natal.


Kapatos foi levado ao hospital em estado crítico e submetido a uma cirurgia, de acordo com o jornal. Ele não corre mais risco de morte, segundo o New York Daily News.


“Talvez tenha sido sorte que houve essa nevasca e que o lixo não foi recolhido”, disse ao Post a tia de Kapatos, Katharina. Segundo ela, o sobrinho tinha problemas psiquiátricos e depressão e havia acabado de passar um mês internado.


Ela também disse que Kapatos estava no meio de uma disputa com seu senhorio, que supostamente queria despejá-lo do apartamento.



Reservada


O jovem era grego e havia mudado aos Estados Unidos com sua família aos três anos de idade. A mãe agora voltou a viver na Grécia e o pai está internado, tratando um câncer. Seus vizinhos descreveram Kapatos como uma pessoa quieta e reservada.


Ele não havia deixado nenhuma carta, e ninguém estava no apartamento quando ele caiu. Mas, segundo fontes policiais, ele já havia tentado suicídio anteriormente.


O vizinho Joe Kantor, 55, disse ao Daily News que, ao ouvir sirenes da polícia, foi à janela de seu apartamento e viu Kapatos sobre a pilha de lixo. "Ele não se movia e estava sangrando", disse. "Pensei que estivesse morto."


Notícia publicada na BBC Brasil, em 3 de janeiro de 2011.



Darlene Polimene Caires* comenta


A matéria acima nos relata um caso bem curioso de tentativa fracassada de suicídio e que poderíamos dizer ser um feliz desfecho, uma oportunidade ímpar para a reconstrução de um diferente modo de viver e pensar. Provavelmente, o “fracasso” tenha ocorrido devido ao merecimento desse jovem e também por ser um caso psiquiátrico, onde dificilmente a pessoa consegue responder por seus atos, deixando-se levar por seus verdugos, ávidos de vingança.


O suicídio tem se tornado um dos escapes que mais crescem na população mundial, principalmente nos países mais desenvolvidos tecnologicamente, onde a solidão, o descaso e a falta de amor permeiam seus habitantes.


No Brasil, também há um sutil crescimento, embora não seja tão alarmante, como é o caso do Japão e países escandinavos.


Existem vários tipos de suicídio. Há aqueles em que o fato é consumado, o indivíduo morre de uma forma abrupta, violenta ou não.


Há os casos devido às drogas ilícitas. Mesmo a sociedade combatendo, indiretamente os propicia através da negligência na educação, na segurança e na corrupção.


Também temos aqueles em que a própria sociedade endossa, proporcionando o meio para que lentamente haja a concretização do fato, como é o caso do álcool, cigarro, comidas saborosas, mas altamente prejudiciais ao corpo. Não querendo dizer que a sociedade seja a culpada pelo desmando ou falta de equilíbrio do indivíduo. Ela só facilita.


Vivemos num mundo de provas e expiações. Consequentemente, todo tipo de desvio comportamental está presente em nosso planeta-escola, planeta-hospital, planeta-prisão. Então, é comum que o suicídio também permeie entre nós. Se a compaixão já estivesse aflorada em nossos corações, com certeza, em vez de ser um fato crescente, seria decrescente.


Felizmente, estamos num momento de transição de nosso planeta. Bezerra de Menezes, espírito, através de Divaldo Pereira Franco, no dia 19 de abril de 2010, em reunião mediúnica no Centro Espírita Internacional, nos aponta: “Os novos tempos em transcurso no plano físico anunciam uma era de transformações necessárias à implementação do processo evolutivo do ser humano... Em atendimento aos compromissos firmados por orientadores do Planeta, almas abnegadas se desdobram em atividades, definindo responsabilidades e tarefas a serem desenvolvidas em épocas específicas... O certo é que a Humanidade chegou a um ponto de sua caminhada evolutiva que não mais se lhe permite retrocesso de qualquer natureza. Para os próximos cinquenta anos já se delineia um planejamento destinado a ser cumprido por uma coletividade de Espíritos que irão conviver com grandes e penosos desafios... Anuncia-se, então, o processo renovador de consciências por meio de provações, algumas acerbas... A massa humana de sofredores, de Espíritos empedernidos, repetentes de anteriores experiências, retornará à gleba terrestre em cerca de cinquenta anos, mas os guardiões da Terra estarão a postos, ao lado de cada encarnado ou desencarnado convocando-os à transformação para o bem... Ouçam as vozes do céu, pois estão marcados pela luz dos guardiões planetários. Façam a parte que lhes cabem. Sejam bons, honestos, laboriosos, fraternos. Os dias futuros de lutas e dores assemelham-se aos “ais” apocalípticos. Surgirão aqui, acolá e mais além, implorando pela união, compaixão e misericórdia, individual e coletiva... Façam brilhar a própria luz, meus filhos! Este é o clamor do Evangelho, hoje e sempre!...”


À medida que a compaixão, o amor, a caridade forem se expandindo nesse orbe, todos os desvios comportamentais e morais, inclusive o suicídio, irão diminuir.


Mas ainda estamos num momento em que “...uma coletividade de Espíritos irá conviver com grandes e penosos desafios...” e o suicídio, com certeza, estará dentre eles, daí o crescente número deles.


Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos: “A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as ideias materialistas, numa palavra, são os maiores incitantes ao suicídio; ocasionam a covardia moral. Quando homens de ciência, apoiados na autoridade do seu saber, se esforçam por provar aos que os ouvem ou leem que estes nada têm a esperar depois da morte, não estão de fato levando-os a deduzir que, se são desgraçados, coisa melhor não lhes resta senão se matarem? Que lhes poderiam dizer para desviá-los dessa consequência? Que compensação lhes podem oferecer? Que esperança lhes podem dar? Nenhuma, a não ser o nada. Daí se deve concluir que, se o nada é o único remédio heróico, a única perspectiva, mais vale buscá-lo imediatamente e não mais tarde, para sofrer por menos tempo. A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a ideia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade”.


Vejamos o que Léon Denis nos diz sobre o assunto: “Ignorando seus destinos, flutuando sem cessar entre o preconceito e o erro, o homem maldiz, por vezes, a vida. Curvando-se sob seu fardo, lança sobre seus semelhantes a culpa das provas que suporta e que, muito frequentemente, são geradas por sua imprevidência. Revoltado contra Deus, a quem acusa de injustiça, chega mesmo, algumas vezes, na sua loucura e desespero, a desertar do combate salutar, da luta que, por si só, poderia fortificar sua alma, esclarecer seu julgamento, prepará-lo para os trabalhos de uma ordem mais elevada.” (O Porquê da Vida.)


Joanna de Ângelis, no livro Adolescência e Vida, nos fala que “a desinformação a respeito da imortalidade do ser e da reencarnação responde pela correria alucinada na busca do suicídio, com a proposta de encontrar nele solução para as dificuldades que são ensanchas de progresso, sem as quais se permaneceria estacionado no patamar em que se transita.”


Percebemos que o suicida nada mais é que um ser muitas vezes descrente da Justiça e Amor Divinos. É um ser rebelde que pode não saber sobre a imortalidade da alma, mas que não aceita a vida como ela se apresenta. Sente-se, muitas vezes, vítima da situação e sem forças para lutar contra esses maus pensamentos e sentimentos, pensando em livrar-se de toda essa carga que tanto lhe pesa sobre o ser, tira a própria vida, esperando e acreditando no fim, no nada.


Vã ilusão! Emmanuel, espírito, nos diz que “a primeira decepção que os aguarda é a realidade da vida que se não extingue com as transições da morte do corpo físico, vida essa agravada por tormentos pavorosos, em virtude de sua decisão tocada de suprema rebeldia... De todos os desvios da vida humana, o suicido é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia.”


Sabemos que em casos onde a morte violenta é dívida cármica, e já prevista, sempre há uma equipe de amparadores para fazer o ‘desligamento’ do corpo e dispersão das energias densas. Os suicidas não contam, obviamente, com esse amparo, pois seria assim um incentivo à prática do suicídio, não havendo aprendizado com o erro.


Portanto, “todo indivíduo enfrenta desafios para crescer. A própria existência terrestre é um permanente convite ao esforço. A melhor solução para enfrentar problemas é tentar resolvê-los nas suas fontes, evitando-se as atitudes que os postergam, trazendo-os de volta mais complicados. O que não é feito hoje, amanhã estará, por certo, mais difícil de ser conseguido”. (“Vida: Desafios e Soluções”, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco.)


E, inegavelmente, “a morte nada mais é do que a verdadeira forma de existir!” (Memórias de um Suicida, Yvonne do Amaral Pereira.)


* Darlene Polimene Caires é professora aposentada e participa das atividades do Centro Espírita Nosso Lar, em Londrina, no Paraná.