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Igrejas dão salto no ranking brasileiro de confiança

Igrejas dão salto no ranking brasileiro de confiança



As Forças Armadas são a instituição mais confiável no país.


Em um levantamento trimestral feito pela FGV-SP que faz um ranking das instituições mais confiáveis do país, as igrejas passaram de 7º para 2º lugar. As Forças Armadas lideram a lista. Ainda segundo a pesquisa, os partidos políticos, o Congresso Nacional, a polícia e o Judiciário estão entre as instituições menos confiáveis do Brasil. Como explicar o avanço dos religiosos? E o que fazer para melhorar a imagem das instituições políticas e sociais desacreditadas pelos brasileiros? Para falar sobre o assunto, Mônica Waldvogel recebe a professora de Direito da FGV-SP Luciana Gross Cunha e o historiador da Unicamp Leandro Karnal.



Matéria publicada na página da Globo News, em 19 de novembro de 2010.



Darlene Polimene Caires* comenta


Ano passado, tanto a mídia como a Fundação Getúlio Vargas foram pegas de surpresa, devido ao resultado de uma pesquisa trimestral feita pela própria fundação, com o objetivo de avaliar a confiança da população brasileira quanto às instituições, principalmente o poder judiciário.


A surpresa foi que as igrejas, que há três meses estavam em sétimo lugar, pularam para o segundo lugar. Os partidos políticos, o Congresso, a polícia, o judiciário foram os menos confiáveis.


No programa Entre Aspas, Monica Waldvogel convidou a professora de Direito da FGV-SP Luciana Gross Cunha e o historiador da Unicamp Leandro Karnal. Eles tentaram explicar o que está acontecendo com a confiança do brasileiro em relação às instituições.


A explicação do porquê os partidos políticos, a polícia, o Congresso ficarem como últimos nos ranking deu-se por causa dos escândalos, da corrupção em que estas instituições desde sempre estiveram envolvidas.


Em relação ao Poder Judiciário, O prof. Leandro Karnal explicou que, historicamente, o Poder Judiciário é o único dos três poderes que está distante da população, pelo fato de ser o único poder que o povo não elege e, com isso, a população não pode nem puni-lo nem premiá-lo com o voto, sendo isso um ponto negativamente significativo. Há também a morosidade com os processos, os altos valores cobrados e algumas arbitrariedades cometidas pelos juízes, em nome do poder. E que ainda a pesquisa depende muito da classe social, renda e cor. “Quem tem mais acesso à justiça, tem mais condições de confiar nela”.


Já as forças armadas, mesmo estando distante, desde o militarismo, são atuantes e pouco têm se envolvido em escândalos e corrupção. As forças armadas representam a “força” do país e, em período de crise, a “força” cresce.


“À medida que nossos valores estão se perdendo, falta de limites, mais a população se volta para os valores conservadores, permanentes, eternos. A média tem um censo comum que tudo o que representa ordem, estabilidade, o eterno, tende a crescer, daí o porquê da confiança depositada nas forças armadas e igrejas”, disse o prof. Leandro.


E, continuando, a igreja trata do sagrado e o sagrado é intocável. Como disse o prof. Leandro, “a igreja trabalha com o sagrado e o sagrado não se verifica se é eficiente ou não. Ele existe em si mesmo, ele é eficiente sempre. Mesmo que haja um padre pedófilo, um pastor corrupto, as bases da igreja não se abalam. A população entende e acredita que se trata de um problema do indivíduo, não da igreja”.


Outro fator bastante significativo foi que a nova classe média emergente, ao adquirir mais poder aquisitivo, desvinculou-se da política e voltou-se ao conservadorismo. “O povo brasileiro é nacionalista, conservador, familiar, crente”, disse o prof. Leandro. Implicando aí em uma valorização e confiança na igreja.


Isto parece e é um paradoxo. À medida que o mundo torna-se quase caótico, violento, estressante, rápido, a população busca como ponto de equilíbrio a igreja, e a ideia que o passado é perfeito tende a crescer. Mesmo que tenhamos mais facilidades, mais opções de escolha, o passado normalmente apresenta-se como o melhor que já tivemos. Isso porque, no presente, surgem novas escolhas que nos reportam a mudanças, e as mudanças nos desinstalam, criando certo desconforto. E, compartilhando com Sartre, “a submissão é mais confortável e a liberdade é desconfortável”.


E o Espiritismo? O que diz sobre tudo isso? “Nossas instituições podem mudar de forma; não nos libertarão, porém, dos males inerentes à nossa natureza atrasada. A felicidade dos homens não depende das mudanças políticas, das revoluções nem de nenhuma modificação exterior da sociedade. Enquanto esta estiver corrompida, as suas instituições igualmente o estarão, sejam quais forem as alterações operadas pelos acontecimentos. O único remédio consiste nessa transformação moral, cujos meios os ensinos superiores fornecem-nos. Que a Humanidade consagre a essa tarefa um pouco do ardor apaixonado que dispensa à política; que arranque do seu coração todo o germe do mal, e os grandes problemas sociais serão dentro em pouco resolvidos. (Léon Denis, O Caminho Reto.)


* Darlene Polimene Caires é professora aposentada e participa das atividades do Centro Espírita Nosso Lar, em Londrina, no Paraná.