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Violência na Paulista traz questionamento: crianças podem se tornar violentas?

Caso de violência contra adolescentes na Avenida Paulista traz questionamento aos pais: crianças "normais" podem se tornar violentas no futuro?



Cinco rapazes, quatro deles menores de idade, são acusados de agredir pessoas naquela região. A motivação seria o preconceito contra homossexuais. Os pais de dois dos meninos garantem que eles nunca foram violentos. Veja o que diz o psicólogo Ives de La Taille sobre o assunto


As cenas de violência protagonizadas por cinco jovens, quatro deles menores de idade, na Avenida Paullista (São Paulo) no dia 14 de novembro ganharam destaque na mídia e deixaram muitas famílias indignadas. Os meninos de classe média foram reconhecidos, por meio de câmeras de segurança, como responsáveis por quatro ataques a pessoas que circulavam na região durante a noite. A motivação, segundo a polícia, seria homofóbica.


No entanto, os pais de dois dos acusados afirmaram em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, no último domingo (dia 28), que os filhos nunca tiveram esse tipo de comportamento. Como, então, explicar a conduta dos garotos (até lâmpadas foram usadas para ferir), que agora estão na Fundação Casa, a antiga Febem?


Para responder essa pergunta, conversamos com o psicólogo Yves de La Taille, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo. Veja a entrevista.


CRESCER: É possível prever esse tipo de situação?
Yves de La Taille:
Nada é totalmente previsível. Mas, antes de pensar na agressão, é preciso pensar nos valores que o adolescente tem. Ele pode nunca ter sido agressivo com ninguém, mas o preconceito pode desencadear uma atitude violenta em algum momento da vida. Nunca ter sido violento não é um bom argumento.


C: Em que os pais devem estar mais atentos?
Y.L.T.:
Você precisa observar seu filho, estar perto, acompanhar o crescimento dele. É estar presente. Os valores que você passa para a criança vão acompanhá-la por toda a vida. E um bom parâmetro de que você está no caminho certo é quando seu filho sente indignação diante de uma situação injusta: perguntar por que há crianças vendendo balas no farol, por exemplo. Isso mostra que ele se importa com as pessoas - e aqui o outro não deve ser apenas pai, mãe ou um amigo da escola. O outro é qualquer um. Demonstrar indignação é legítimo, mostra que ele está atento com as questões do mundo. Mas é preciso saber o que ele vai fazer com esse sentimento. Se vai agir de maneira solidária ou se vai transformar a indignação em preconceito e violência.


C: Um dos pais entrevistados pelo jornal disse que o filho não agrediu ninguém, apenas ficou ao lado de quem batia. Isso reduz a responsabilidade desse adolescente diante do ocorrido?
Y.L.T.:
Do ponto de vista legal, entendo que essa deva ter sido a orientação que o pai recebeu do advogado. Mas não tomar nenhuma atitude para evitar a violência faz de você um cúmplice. Para aquele jovem, a violência seria aceitável. É como saber que a vizinha é espancada todos os dias pelo marido e não denunciar.


Matéria publicada na Revista Crescer, em novembro de 2010.



Sonia Maria Ferreira da Rocha* comenta


É muito triste ver um filho sendo vítima de qualquer violência, mas pior que isso é sabê-lo como agressor.


Ultimamente, tem sido rotina ver na mídia notícias sobre violência de diversos tipos: em casa, nas escolas, na rua, no trânsito e por aí vai. Onde houver mais de uma pessoa, há o risco da ausência de amor, de tolerância, de paciência, enfim, de total falta de respeito.


Mas se temos a reencarnação para aprender, é porque sempre temos o que corrigir. Daí vem, em primeiro lugar, a responsabilidade dos pais perante Deus. Somos colaboradores do Pai a partir do momento em que colocamos na nossa família mais um ser em desenvolvimento.


Na questão 208, de O Livro dos Espíritos, está escrito que "o Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação; isso é para ele uma tarefa. Se nela falhar, será culpado."


Na questão 582, lemos igualmente que este dever implica, mais do que o homem pensa, sua responsabilidade para o futuro.


E como disse o professor, na entrevista, é sempre bom estarmos atentos e presentes na vida desses seres que vêm para enriquecer a nossa vida e o nosso lar. É nele que tomamos conhecimento de valores importantes para a nossa evolução espiritual e que vamos levar por toda eternidade.


A reencarnação é um projeto educacional espiritual que nos dá a bendita oportunidade de renascer junto a espíritos que têm condição de nos ajudar a apurar nossos valores diante das leis Divinas.


São os pais que exercem o importante papel de protetores nos primeiros anos de vida, como, também, a responsabilidade de desenvolver valores que vão ajudar seus filhos no decorrer da sua vida física e, também, na sua escalada evolutiva.


Contudo, os pais estão sempre amparados nesse maravilhoso desafio. Além deles, os professores, a mídia, os livros e revistas também são responsáveis por esses valores, e não podemos esquecer a influência dos espíritos do bem a nos proteger.


A educação espiritual, ultimamente, tem sido esquecida pelos pais que, atualmente, só tem se preocupado com o desenvolvimento intelectual, com a finalidade de abastecer suas necessidades materiais e suas fantasias.


O amor e o respeito não estão sendo devidamente valorizados na educação dos nossos pequeninos, gerando assim adolescentes rebeldes sem causa e adultos preconceituosos, disseminando a violência por toda a sociedade que dela participa.


Em qualquer situação que nos encontremos como pais, educar é nossa responsabilidade. Mostrar aos filhos que a vigilância é o maior recurso que temos de proteção e que o verdadeiro caminho para encontrar a felicidade é a PAZ.


* Sonia Maria Ferreira da Rocha reside em Angra dos Reis, RJ, estuda o Espiritismo há mais de 30 anos e é colaboradora regular do Espiritismo.net.