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Astronauta Eugene Cernan acredita em vida extraterrestre

Astronauta Eugene Cernan acredita em vida extraterrestre



Nenhum outro astronauta passou tanto tempo explorando a superfície lunar.


Eugene Cernan entrou para história por ser o último ser humano a ter pisado na Lua. Ele faz parte do clube mais exclusivo que existe: o das 12 pessoas que pisaram na superfície do satélite da Terra.


“Há milhares de sóis e planetas no universo. E tem de haver alguma forma de vida em algum lugar, talvez parecida com a que temos na terra, talvez diferente. Se acreditamos em um Deus que criou todo o universo, como é que você e eu podemos ser tão maravilhados com nós mesmos ou tão egoístas a ponto de acreditar que este criador não decidiu criar vida em outro lugar deste universo? Não consigo imaginar que nós, na Terra, somos a única forma de vida em todo o universo. Não consigo aceitar isso!”


Aos 76 anos de idade, ele confessa que viajou para o espaço para “descobrir” a Lua, mas, quando chegou lá, terminou “descobrindo” a Terra: ao ver o nosso planeta, uma esfera azul flutuando no espaço, constatou que este é o grande mistério.


Notícia publicada na página da Globo News, em 19 de setembro de 2010.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Deitados sobre a areia de uma praia numa noite de Verão, olhamos as profundezas do céu noturno. Alumiados pelo brilho débil de estrelas e galáxias longínquas, sentindo o fascínio de uma realidade extraordinária que não somos capazes de dimensionar, uma ideia nos surge persistente: Existirá vida algures na vastidão do Universo? Estaremos sozinhos? No notável livro Cosmos, o astrônomo Carl Sagan escreveu: “Na imensidão do cosmos não haverá outras civilizações, mais antigas e mais avançadas que a nossa? Que desperdício de espaço se não houver."


Desde épocas remotas, o Homem pensa em si próprio como um ser à parte da criação, a quem Deus criara à sua imagem e semelhança. A demonstração da teoria Heliocêntrica de Copérnico, por parte de Galileu, no início do século XVII, foi o primeiro rude golpe nessa pretensão humano. Darwin, no século XIX, demonstrou que nem mesmo na Terra o Homem dispunha de uma natureza especial, sendo apenas um descendente do mundo animal. Quando, num qualquer dia do futuro, a ciência obtiver evidências de vida inteligente extraterrestre, isso será um grande momento histórico com inevitáveis consequências filosóficas. A comprovação de que não somos únicos no Universo, levará o Homem a ter de assimilar a realidade inequívoca de que não é o filho predileto da Criação.


Tal como afirma o último homem a pisar na Lua, Eugene Cernan, mesmo sem evidências claras, a lógica e a razão já nos deveriam fazer compreender essa realidade. Vejamos: O número de galáxias do Universo é estimado na ordem de grandeza das centenas de bilhões, enquanto o número de estrelas que formam a nossa galáxia, a Via Láctea, varia dependendo das estimativas, entre 200 bilhões e 500 bilhões. Num Universo tão vasto, a existência de planetas similares à Terra, com dimensões semelhantes, constituição física idêntica, com uma distância aproximada da sua estrela e com uma atmosfera parecida, é muito mais do que uma questão de probabilidade. Havendo condições idênticas às nossas para a existência de vida, o que a impediria de surgir e de se desenvolver nesses lugares? Mas habituados a pensar na vida unicamente da forma estrita como a expressamos neste planeta, esquecemos que em condições bastante diferentes daquelas que usufruímos, a vida pode ser possível de uma forma bem distinta da nossa. Investigações recentes desvendaram a existência no nosso planeta de formas de vida em evolução sob condições em que se julgava ser impossível ela eclodir, como em aberturas vulcânicas, na profundidade das fossas oceânicas e em nascentes de água a ferver. Tudo isto nos leva a refletir na extraordinária capacidade de adaptação dos diferentes organismos, na genialidade surpreendente daquilo a que chamamos Vida e nas infinitas possibilidades que essa vida terá para se desenvolver nas incontáveis condições proporcionadas pelos bilhões de planetas que existem nos bilhões de galáxias que constituem o Universo.


A Doutrina Espírita, tendo como um dos seus pontos basilares a pluralidade dos mundos habitados, compreende que o Homem não é um ser privilegiado da Criação. Diz-nos Allan Kardec, nos comentários à pergunta 55, de O Livro dos Espíritos, revelando ideias à frente das que eram difundidas à época: “Nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.”


A vida física não se circunscreve ao planeta em que habitamos. A vida desenvolve-se em muitos outros orbes, proporcionando aos seus habitantes condições diferenciadas, dependendo da evolução espiritual dos Espíritos que habitem esses planetas. O gênio de Deus não se resume à difusão de vida num insignificante pedacinho do Sistema Solar. Esse gênio estende-se por todos os sistemas planetários, galáxias, universos e dimensões desconhecidas, fazendo eclodir preciosas oportunidades para que a vida não apenas surja, mas também se propague e evolua para formas cada vez mais sublimadas, oferecendo aos Espíritos que dela usufruem a capacidade para desenvolverem constantemente a forma como agem, como sentem, como pensam e como amam ao longo da eternidade.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.