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Opinião: Pais têm de estar preparados para amadurecimento das crianças

Opinião: Pais têm de estar preparados para amadurecimento das crianças



Acesso à cultura e educação explicam desenvolvimento precoce. Filhos adquirem independência cada vez mais cedo.


Ana Cássia Maturano
Especial para o G1, em São Paulo


Quem trabalha com o público infantil ou tem filhos em idade de desenvolvimento se surpreende com a precocidade dessas crianças quando as compara com gerações anteriores. Assustam-se diante de seus comportamentos e ideias. Os pais chegam a questionar onde erraram, se não tiveram pulso firme para conduzir melhor os pequenos na vida. Ou se determinadas manifestações, que esperariam quando fossem adolescentes, não seria um modo de provocá-los.


As crianças parecem mesmo diferentes desde o nascimento. Algumas pessoas mais velhas têm comentado que os bebês demoravam alguns dias para abrirem os olhos quando nasciam, mas que hoje em dia já saem do útero materno com os olhinhos bem abertos, querendo ver tudo. Ainda nessa época, parecem estar muito atentas ao mundo que as rodeia, interessando-se por tudo.


Assim, vão se desenvolvendo, parecendo que sempre as coisas se antecipam na vida delas, estando sempre adiantadas. E estão mesmo, não é simples percepção, é fato. Quando pequeninas, são questionadoras sobre o mundo e suas regras. Foi-se o tempo em que pareciam mais inocentes e eram facilmente enroladas pelos adultos para que entrassem em seu esquema.


Provavelmente, vários são os fatores que estão interferindo no amadurecimento das crianças, que não ocorre só no campo do comportamento e da inteligência. Várias pesquisas têm mostrado uma tendência delas entrarem mais cedo na puberdade, o que já vem acontecendo há algum tempo – cada vez estão se adiantando em seu desenvolvimento. Alguns associam com a melhora na qualidade de vida, principalmente da alimentação, com consequente interferência no sistema hormonal.



Gravidez


Outro fator que temos que considerar é o lugar que elas ocupam no mundo. Se há algumas décadas as mamães grávidas escondiam suas barrigas por pudor, hoje mostram a barriga com orgulho e conversam com ela mesmo se ainda está oculta e se o bebê nem consegue ouvir. Já são estimulados aí. Inclusive, por músicas e conversas com os papais.


Com pouca idade, às vezes meses, vão para a escola. E os conflitos vividos mais tarde, já são enfrentados, como a separação da mãe e a convivência com outras crianças. Sem contar que ficarão independentes mais cedo. Por mais que a escola cuide, um adulto não poderá ficar grudado na criança, ajudando-a em tudo. Além, é claro, de a estimularem a fazer as coisas por si só.


Consequentemente, as aprendizagens também vão acontecer antes. Inciava-se a alfabetização com sete anos. Atualmente, com cinco ou seis anos elas já escrevem e leem, fazem contas e têm conhecimentos sobre estrelas, músicos e pintores.


Em casa, os pais têm dado mais valor à cultura. Facilitam o acesso aos livros, passeios, filmes, internet... O que antes acontecia um pouco mais tarde na vida delas. A informação vem de todos os lados.


Sem contar que elas são mais incluídas na realidade naquilo que antes parecia restrito ao domínio dos adultos. Falam de morte e participam de seus rituais. O corpo não é algo mais tão escondido. O interesse pela sexualidade tem sido encarado com mais naturalidade.


Diante disso, dá para entender a precocidade delas. Os pais, por sua vez, tem que ter essa compreensão. Caso contrário, vão se culpar por não terem cuidado direito, o que não é verdade. Os tempos são outros. Houve avanços na forma de se encarar algumas coisas na vida, inclusive as crianças. Assim, elas também estão mais avançadas. É o sinal dos tempos.


Matéria publicada no Portal G1, em 12 de agosto de 2010.



Marcia Leal Jek* comenta


Os pais ficam maravilhados com a precocidade dos filhos e muitos deles não entendem a procedência de tal fenômeno.


Para entender porque algumas crianças trazem talentos precoces, só mesmo compreendendo a Lei Natural da Reencarnação. “Nascer, viver, morrer, tornar a nascer e progredir sempre, tal é a lei” (Allan Kardec).


A reencarnação, segundo a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, é a volta do espírito a um novo corpo. Isto é, a alma que não se depurou em uma vida corpórea recebe a prova de uma nova existência, durante a qual dá mais um passo na senda do progresso.


Sem a reencarnação, não há como explicar a precocidade musical de Mozart, além de sábios, pintores, poetas e literatos.


Esses casos de crianças superdotadas, que sempre aparece de tempos em tempos, em vários lugares, é a prova da Pluralidade das Existências.


Segundo a Doutrina Espírita, reencarnar como superdotado é uma oportunidade de evolução, inclusive para os pais que assumem esta tarefa.


Cabe também aos pais escolhidos para essa responsabilidade, educar o espírito que chega ao lar, com amor, dedicação e, acima de tudo, muita paciência, por ser realmente uma prova de muita coragem para ambas as partes.


Os pais têm de conscientizar de que o lar é uma escola, oficina e também um hospital espiritual, onde os filhos recebem o preparo necessário para aproveitarem a oportunidade abençoada da reencarnação.


Os Espíritos anunciaram no livro A Gênese, de Allan Kardec, a chegada de uma nova geração, mas os escritores Lee Carroll e Jan Tober acreditam que esses seres finalmente chegaram (crianças índigo). As crianças índigo seriam líderes de uma nova civilização e o mundo seria transformado por elas, surgindo assim uma nova era. Assim, identificamo-las como extremamente inteligentes, mas que também agem com orgulho, agressividade e prepotência. Conforme descrito em A Gênese, a nova geração se destaca pelo “sentimento inato do bem e nas crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento interior“. Os pais precisam perceber de que a mais superdotada das crianças é criança em primeiro lugar, superdotada depois.


* Marcia Leal Jek estuda o Espiritismo há mais de 25 anos e é trabalhadora do Centro Espírita Francisco de Assis, em Jacaraipe, Serra, ES.