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Idosa escondia corpos do marido e da irmã em casa nos EUA

Idosa escondia corpos do marido e da irmã gêmea em casa nos EUA



Mulher de 91 anos argumentou que tem dificuldades em encarar a morte. Autoridades da Pensilvânia devem definir destino dos cadáveres sexta (9).


Da AP


Uma viúva de 91 anos que morava sozinha manteve os cadáveres de seu marido e de sua irmã gêmea escondidos em sua casa, em uma estrada desolada no estado americano da Pensilvânia, sem despertar desconfiança dos vizinhos.


Jean Stevens mantinha os corpos embalsamados e tentava conservá-los da melhor maneira possível, até que o caso foi descoberto pela polícia da cidade de Wyalusing, no mês passado.


"É muito difícil para mim encarar a morte", ela disse em entrevista.


Depois da investigação policial, ninguém foi processado no caso.


Agora, Jean só quer poder novamente ficar ao lado dos restos de seu marido por mais de 60 anos, James - morto em 1999 - e de sua gêmea June, que morreu de câncer em outubro do ano passado.


Mas seus corpos agora estão com as autoridades do condado de Bradford, pelo menos temporariamente.


O procurador distrital Daniel Barret disse nesta terça-feira (6) que Jane planeja construir uma cripta em sua propriedade para abrigar os corpos. Se ela não fizer isso, os corpos serão novamente enterrados. O destino dos corpos deve ser definido pelas autoridades apenas na sexta-feira.


Jean disse que teve suas razões para desenterrar os corpos e mantê-los consigo.


A irmã foi desenterrada do próprio quintal da casa, onde havia sido enterrada.


"Eu acho que, quando você os enterra, significa adeus para sempre", disse. "Desse jeito, eu podia tocá-la e olhá-la e falar com ela."


Ela mantinha a irmã em um velho sofá em um cômodo próximo a seu quarto. Jean passava o que era o perfume favorito quando ela estava viva.


A viúva deu uma explicação semelhante para o caso do cadáver do marido, que ficava em uma garagem, separada da casa.


Ela desenterrou-o de um cemitério próximo.


"Eu podia vê-lo, eu podia olhá-lo, tocá-lo", disse.


Para as pessoas que acham seu caso estranho, ela tem uma explicação: "Bem, eu sinto de maneira diferente em relação à morte".


Jean afirmou ter pensamentos ambivalentes sobre Deus e a vida depois da morte. "Eu não vou sempre à igreja, mas eu quero acreditar."


A viúva também deu uma explicação adicional para seu caso: ela sofre de claustrofobia, e a irmã tinha o mesmo problema.


Ela achava horrível o fato do corpo de as pessoas amadas terem de passar a eternidade em um caixão fechado. "Isso é sufocante para mim, mesmo que você não esteja respirando", disse.


Então ela explica que, por tudo isso, desenterrou os corpos, dias depois dos enterros.


Jean conta que conseguiu manter seu segredo durante muito tempo, mesmo dos vizinhos que cortavam sua grama e levavam suas compras.


Ela não explica quem a ajudou na tarefa, mas culpa um parente do marido pela denúncia que levou ao fim de seu segredo.


Notícia publicada no Portal G1, em 6 de julho de 2010.



Sonia Maria Ferreira da Rocha* comenta


“Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.” (Religião dos Espíritos – Emmanuel.)


O desencarne continua sendo o maior motivo de sofrimento da humanidade, principalmente quando se trata de perda de entes queridos.


Ainda não aprendemos amar sem a posse. Mesmo sabendo que somos seres imortais e que a nossa passagem por esse plano é tão somente um estágio para que possamos evoluir, ainda não estamos educados para conviver com a saudade.


Para alguns, a matéria chega a ser mais importante que o espírito, chegando ao absurdo de comportamentos doentios como o que lemos nessa notícia.


Por isso, devemos aprofundar nossos conhecimentos no entendimento da imortalidade do espírito, respeitando suas etapas, uma após a outra. Devemos valorizar a nossa vida e conscientizarmo-nos do quanto ela é importante para a nossa evolução, mas entender que tem o seu limite, que ela é, tão somente, uma passagem, pois a nossa verdadeira pátria é a espiritual, de onde viemos e para onde retornaremos.


O nosso corpo físico faz parte de uma importante etapa da nossa escala evolutiva, mas que pertence à nossa casa encarnatória e que aqui deve permanecer quando do retorno do nosso espírito.


Enterrar nossos mortos é um respeito que devemos ter com aqueles que amamos para que seu espírito faça o seu desligamento e possa continuar sua vida com muita serenidade no mundo espiritual.


A demonstração do nosso verdadeiro amor com os nossos entes queridos não está na conservação do seu corpo físico petrificado entre nós, mas na nossa comunicação através do nosso pensamento e das nossas preces.


Devemos amar de espírito para espírito, pois é nele que estão depositados todos os valores que amamos naquele corpo sem vida.


Por fim, encerramos com o ensinamento do Cristo: “– Não vos inquieteis com o corpo, preocupai-vos antes com o espírito. Ide ensinar o reino de Deus, ide dizer aos homens que sua pátria verdadeira não está na Terra, mas sim no Céu, pois lá é que flui a vida verdadeira.”


* Sonia Maria Ferreira da Rocha reside em Angra dos Reis, RJ, estuda o Espiritismo há mais de 30 anos e é colaboradora regular do Espiritismo.net.