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Enterro líquido é jeito ecológico de morrer

Enterro líquido é jeito ecológico de morrer



Depois de passar pelo processo de ressomação, o resíduo que seu corpo deixa no mundo é apenas líquido


por Redação Galileu


Você recicla seu lixo, vai trabalhar de bicicleta, adota animais abandonados, faz doação para o GreenPeace todo Natal e encaminha todo e-mail de PowerPoint ecológico que recebe. Leva uma vida de bem com o meio-ambiente... não vai querer morrer e poluir a Terra, vai? Se sua resposta for não, você deve esquecer o enterro e a cremação e pedir para os seus parentes levarem seu corpo para a ressomação.


A ressomação é a alternativa mais “ambientalmente correta” que existe hoje para lidar com a morte. Ela consome 1/6 da energia e emite menos carbono do que a cremação, anteriormente considerada o método mais ecológico. Em vez de queimar, o corpo é liquefeito por meio de uma hidrólise alcalina, que imita o processo de decomposição natural – mas acontece muito mais rápido.


Depois de aplicada a técnica, seu corpo se torna um líquido com aminoácidos, peptídeos e fosfato de cálcio que, após filtrado, pode ser devolvido como água pura para o solo. Um belo legado para deixar ao mundo, não?


O esquema abaixo explica melhor o método:


Editora Globo 


Matéria publicada na Revista Galileu, em março de 2010.



Breno Henrique de Sousa* comenta


Ecológico até a morte


A notícia em destaque, bem curiosa, nos faz pensar sobre as inovações que o mercado cria para encontrar novas formas de faturamento. De fato, a técnica pode ser útil, sobretudo nos países que sofrem problemas de superpopulação, como a China, ou, quem sabe, é a solução para quem não tem nem onde cair morto.


Brincadeiras à parte, diante desta notícia, talvez muitas pessoas se perguntem qual seria a melhor morte e qual seria, na opinião do Espiritismo, o melhor destino para dar-se ao corpo físico. Para o Espiritismo, os rituais funerários são próprios de cada cultura, sendo mais importante, neste caso, aos que ficam, o respeito ao momento, a saudade, as preces sinceras; e aos que partem pela desencarnação, que estejam em paz com sua consciência.


Quantas não são, por exemplo, as famílias que, mesmo antes de enterrarem o corpo, já estão brigando e disputando os bens? Quantos não são os funerais que mais parecem carnavais, onde as pessoas se comportam sem nenhum respeito à memória de quem parte e nem lhe oferece a caridade de uma prece neste momento importante de passagem?


Nós, espíritas, sabemos que o que faz sofrer e tornar penosa a morte biológica é a consciência culpada de quem desencarna ou as energias de ingratidão e desrespeito por parte dos que ficam. Ser enterrado, queimado ou diluído só será uma condição penosa aos espíritos materializados, apegados ao corpo de maneira narcisista, que viveram distantes de qualquer forma de espiritualidade e que nestas condições sentem os reflexos do que lhe acontece ao corpo por causa de seu apego aos despojos físicos.


Espíritos que superam as mesquinharias terrenas, normalmente, nem sequer sentem dor mesmo que sua morte nos pareça penosa, como morrer afogado ou queimado.


No entanto, aquelas pessoas que se encontram em estado de consciência comprometido perante as leis divinas, ignorantes na ilusão da matéria, ainda que morram de ataque fulminante do coração e em sono profundo, sentirão mais ou menos longa perturbação durante e depois da desencarnação.


Diante da morte de um familiar ou pessoa próxima, saibamos, antes de tudo, respeitar a vontade do desencarnante quando ainda estava em vida, dando-lhe o destino aos despojos físicos que ele declarou em vida que seria a sua vontade. Em caso de não haver declarado a sua intenção, que se deem os procedimentos fúnebres comuns à cultura local e crenças ou descrenças do desencarnante. O desrespeito a estas recomendações, dependendo da condição de esclarecimento do desencarnante, pode causar-lhe grande perturbação. É claro que um espírito evoluído não se importa com estas coisas, mas como a maioria de nós não se encontra nesta condição, é melhor fazer o que popularmente se chama “a vontade do morto”.


O mesmo se dá com relação aos pertences do desencarnado. Muitas famílias se apressam em dividir, desfazer-se ou doar os objetos de uso pessoal, sem se lembrar que o espírito recém desencarnado, dependendo de sua condição, pode interpretar esta atitude como se quisessem livrar-se de sua lembrança, ou pode ainda perturbar-se pelo apego que ainda possui aos seus bens materiais. Como só Deus sabe da condição íntima de cada um, é bom ter estes cuidados e esperar alguns meses antes de se desfazer pouco a pouco de objetos pessoais.


O mais importante para quem parte são os nossos pensamentos de gratidão e nossas preces sinceras que são sentidas por aqueles que partem e são como um alento para sua saudade. De nada adianta levar flores aos túmulos se em nossos corações a lembrança não é viva e sincera. Saibamos manter viva em nossos corações a lembrança, o respeito, o amor e a gratidão por aqueles que partem. Mas se eles não foram bons conosco, ou se nós não procedemos bem com quem já partiu, o perdão sincero é sempre o melhor remédio.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.