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Medicina genética garante fim de doenças hereditárias potencialmente perigosas

Medicina genética garante fim de doenças hereditárias potencialmente perigosas



Através de fertilização in vitro, menina Chloe se livrou do câncer de cólon. Procedimento ainda é caro, e mexe com questões éticas e religiosas.


Amy Harmon
Do ‘New York Times’


Enquanto Chad e Colby Kingsbury olham sua filha de 2 anos brincando no tanque de areia, em sua casa no subúrbio de Chicago, não deixam de pensar um milhão de vezes: Chloe nunca ficará doente.


Como todos os pais, eles queriam que a filha chegasse ao mundo com as mesmas chances que a maioria das crianças. Mas havia um problema. “Em minha família, há um gene de câncer que matou minha mãe, meus dois tios. Tenho dois primos que estão com a doença”, diz Chad.


Este gene pode levar a uma forma de câncer de cólon que afeta a pessoa no meio da vida; normalmente por volta dos 45 anos. Ele possui o gene e, segundo as leis da genética, havia 50% de chances de passar para seus filhos.


Muitas pessoas com o gene não manifestam o câncer. E, se a doença for diagnosticada e tratada cedo, a taxa de sobrevivência é de 90%. Ainda assim, o risco mostrou-se alto demais diante das opções disponíveis.


O casal conheceu um procedimento médico cada vez mais comum: o P.G.D. (Diagnóstico Genético Pré-implantacional). Nele, os futuros pais fazem fertilização in vitro e selecionam apenas os embriões que não possuem estes genes potencialmente perigosos. “O P.G.D. pega um embrião em estágio inicial, retira uma célula, examina atrás de mutações genéticas e, se o embrião não possui mutações, é implantado e se torna um feto”, explica o doutor Dr. Kenneth Offit, diretor de genética no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center.


O processo exigiu que Colby tomasse injeções frequentes de hormônio e sofresse uma extração de óvulos dolorosa. E, para pagar pelo procedimento, o casal teve de usar mais de US$ 10 mil de suas economias. Um fato que, segundo os médicos, pesa muito.


O P.G.D. está disponível desde os anos 90. Mas com este conhecimento difundido, mais pessoas estão optando por esta escolha. O doutor Offit sugere que parte disso tem a ver com o desejo dos casais de controlar o próprio destino, em vez de deixar a natureza seguir seu curso. “Nos últimos anos, percebi cada vez mais que muitos desses jovens têm uma sensação de poder ao assumir o controle quando percebem que podem ter filhos que não carregarão as mesmas mutações que eles, seus pais, seus avós e muitas gerações passadas”.


Segundo o casal, parte da dificuldade foi explicar para outras pessoas sobre a ideia de interferir na natureza. Isso significou passar por cima de preocupações religiosas de suas famílias, e convencer amigos de que aquilo não era algo da ficção científica. “Explicar o processo que nem nós mesmos entendíamos parecia algo de um filme espacial e diziam: por que vão fazer isso?”, diz Colby.


Um em cada 200 americanos carrega uma mutação genética que os tornam suscetíveis a ter câncer de seio e cólon. Dois tipos de câncer hereditários que já podem ser testados. Mas quanto mais os cientistas aprendem sobre a genética do câncer e outras doenças hereditárias, mais os dilemas ficam complexos.


E essa discussão já está acontecendo. Mas enquanto isso, casais como Colby e Chad seguem o desejo de ter filhos livres de doenças que assolam suas famílias. Eles, inclusive, já estão planejando ter mais um filho.


Notícia publicada no Portal G1, em 10 de abril de 2010.



Claudia Cardamone* comenta


Na resposta da questão 258, de O Livro dos Espíritos, os Espíritos dizem que são os próprios espíritos que escolhem o gênero de provas que desejam sofrer, e, na questão 259, afirmaram que, apesar de escolherem o gênero, não escolhem todas as tribulações da vida, estas serão consequências das próprias ações.


Ainda neste livro, nas questões 853 e 853-a, os Espíritos disseram: "Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar-vos". [...] "Mas quando chegar a tua hora de partir, nada te livrará. Deus sabe com antecedência qual o gênero de morte por que partirás daqui, e frequentemente teu Espírito também o sabe, pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência".


Refletindo nestas colocações, podemos perceber que se um espírito escolheu como prova passar por um câncer como o gênero de morte pelo qual desencarnará, nada poderá ser feito para evitar, talvez não saiba o tipo de câncer que terá. Mas não podemos pensar de forma alguma que qualquer tentativa de evitar o sofrimento de outra pessoa seja em vão. Primeiro, porque as provas existem para exercitar também a nossa inteligência, e depois, ninguém aqui sabe o momento e o gênero de morte que o outro vai vivenciar.


A medida em que vamos trabalhando para fornecer as necessidades básicas e desenvolvendo técnicas e equipamentos que minimizam ou ajudam o homem a superar as provas da vida, vamos também progredindo intelectual e moralmente.


Sabendo que a filha poderia desenvolver uma espécie de câncer, transmitida hereditariamente, os pais fizeram de tudo para tentar impedir isto e minimizar as provas dela. E o mérito está nisto: lutar pelo bem estar do outro.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.