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Para defensor, tourada deve ser aceita por seus ‘valores éticos e humanistas’

Para defensor, tourada deve ser aceita por seus ‘valores éticos e humanistas’



Corrales diz que touradas são contribuição cultural da Espanha ao mundo. Reconhece, porém que evento precisa criar novas atrações para o público.


João Novaes
Do G1, em São Paulo


Luis Corrales é diretor da Plataforma para a Promoção e Difusão da “Fiesta”, entidade que defende os interesses culturais e econômicos de todo o setor ligado às touradas na região da Catalunha.


Entende que a Tauromaquia tem seu próprio valor ético e cultural, e pode ser uma alternativa aos “valores reinantes de hoje”. Reconhece que o espetáculo perdeu popularidade, em parte por causa de si próprio, mas também por restrições já existentes na Catalunha.


G1 – Como e por qual razão seu grupo foi criado?
Corrales –
A Plataforma foi criada em abril de 2004, em resposta ao que foi chamado de "Declaração Antitaurina de Barcelona” – uma declaração institucional e não vinculante da prefeitura daquela cidade contra as corridas de touros e a favor dos direitos dos animais. Este posicionamento não teve transcendência prática alguma.


No início, contávamos com o apoio fudamentalmente de pessoas relacionadas com a Tauromaquia, especialmente os aficionados. Sobre esse respeito, contamos com mais de 2.500 colaboradores que estão associados. Porém, hoje em dia conseguimos abranger em nosso leque de apoio pessoas relacionadas às áreas da cultura, economia, e da sociedade em geral. Eles não são pró-taurinos, ou seja, gostam e são favoráveis às touradas, mas são a favor de sua proibição.


Nascemos com um único objetivo: defender as touradas na Catalunha. Em seguida, aumentamos nossa abrangência de atuação, já que passamos a divulgar e promover essa tradição. Entretanto, voltamos a nos focar na Catalunha no fim de 2008, para defendermos uma nova tentativa de proibição pleiteada por uma iniciativa legislativa popular.


G1 – Quais foram suas principais conquistas até agora? E quais os planos para evitar que iniciativas como essa da Catalunha se espalhem por todo o país?
Corrales –
Nossos principais triunfos foram: conseguirmos interromper as propostas de lei que pretendiam proibir as corridas de touro na Catalunha em 2005 – uma pela ERC (Esquerda Republicana da Catalunha) e outra pela ICV (Iniciativa pela Catalunha Verde). Também obtivemos uma vitória no Parlamento Europeu em 12 de outubro de 2006, onde se pretendia recomendar aos estados-membros da União Europeia que proibissem as corridas de touros.


Conseguimos grandes conquistas fora do plano político também, através de ações de conscientização e da visibilidade de líderes de opinião que manifestaram sua paixão e apoio às touradas.


Esperamos que, uma vez derrotada esta iniciativa de proibição, acabem os procedimentos nesse sentido. Assim, concentraremos nosso trabalho na promoção e difusão da “fiesta”.


G1 – Em uma visão geral, porque a Tauromaquia deve ser defendida?
Corrales –
A Tauromaquia se defende por si mesma. Só seriam necessários maiores esforços para torná-la mais conhecida, para divulgá-la. Porém, como ela é atacada reiteradamente, acaba tendo de ser defendida. E deve sê-la não somente como atividade, mas também por todos os valores éticos e humanistas da qual é portadora.


G1 – As touradas são uma tradição muito antiga na Espanha. No exterior, o país muitas vezes é simbolizado pelo touro, uma referência muito clara. Por que essa associação é tão forte?
Corrales –
A corrida de touros não é uma tradição tão antiga quanto parece. Tal como é realizada, tem apenas trezentos anos. O que é muito antiga, milenar, é a relação entre o homem e o touro. Muito além do touro, é a força desse espetáculo é que faz com que essa identificação se transforme em um ícone.


Estereótipos são sempre reducionistas. Evidentemente, a Espanha vai muito além das touradas. Longe de sermos a “Festa Nacional”, essa representação tem a ver com o fato de que as corridas de touro são possivelmente a melhor e maior contribuição espanhola ao patrimônio Cultural da Humanidade.


G1 – Pesquisas indicam uma queda de interesse constante nas touradas pelo público espanhol em geral. Artigos de especialistas apontam outros problemas: queda de público; crise econômica; falta de união entre as pessoas envolvidas na tradição e no negócio; pouca interação entre o toureiro e o público. A Plataforma concorda com essas afirmações?
Corrales –
É correto que essas pesquisas refletem uma tendência sobre a diminuição pelo interesse da Tauromaquia. O que não se pode fazer é interpretá-las demagogicamente, como fazem os proibicionistas, associando a falta de interesse com maior desejo de proibição.


Essa queda de interesse tem a ver tanto com o aumento de opções de lazer e cultura que hoje são oferecidas como também pela recorrente dificuldade por parte da “indústria taurina” de saber transmitir uma mensagem positiva sobre a Tauromaquia, especialmente ao público mais jovem e às crianças. Para dizer de outra maneira, o marketing das touradas segue ainda ancorado no século XX, ou, em alguns casos, no século XIX.


Tudo isso sem contar que, na Catalunha, o acesso às praças de touros está proibido aos menores de 14 anos, mesmo que acompanhados de seus próprios pais – o que se configura uma inaceitável e seguramente inconstitucional limitação de direitos. O que se está fazendo é negar a possibilidade de conhecer uma opção cultural de lazer em uma fase da vida onde se formam gostos e amizades. É impossibilitado a esse jovem que ele venha a gostar, ou simplesmente entender ou respeitar a festa dos touros.


Também está relacionado com algo mais profundo, relacionado aos valores que propõe e difunde a Tauromaquia, alternativos aos hoje imperantes socialmente: fundamentalmente a verdade e a autenticidade contra a virtualidade e o "light".


Notícia publicada no Portal G1, em 28 de março de 2010.



Leila Henriques* comenta


O diretor da “entidade que defende os interesses culturais e econômicos de todo o setor ligado às touradas na região da Catalunha” , Luís Corrales, diz que a prática da tourada é ”Patrimônio Cultural da Humanidade” e é “portadora de valores éticos e humanistas”.


Como espírita que somos, e tendo em nosso entendimento já registrados e “sacramentados” os valores morais que a Doutrina Espírita nos transmite, a única reação que podemos ter diante de tais declarações é a de profunda tristeza por ver como a ignorância das leis divinas, acrescida da ganância pelo lucro material, ainda domina a tantos, fazendo-os desconsiderar a dívida de amor para com os animais que temos nós, já que são parte da criação de Deus e veículos onde estagia o princípio inteligente no rumo da evolução.


Como seres sujeitos à dor física, é extremamente cruel submetê-los às lanças dos toureiros que os ferem atrozmente e contra o que não podem optar, tendo apenas seu instinto de defesa como arma para fugirem do sofrimento causado pela insensatez humana.


É um sofrimento lento e que tem como objetivo principal divertir o homem que ainda não enxergou no animal uma obra do amor de Deus.


Se o homem é ferido pelo touro, em sua ação de defender-se, assim o foi por sua livre e espontânea vontade, pois teve o direito que ao touro faltou: o direito de escolher estar ali ou não.


Aguardamos, confiantes no progresso moral do ser humano, que dia virá em que tais espetáculos não mais farão parte do cotidiano terreno e que os animais serão pelos homens respeitados e amados como os amou e respeitou o venerável Francisco de Assis.


* Leila Henriques é espírita e colabora na divulgação da Doutrina Espírita na Internet.