Espiritismo .NET

Ex-enfermeiro é acusado de encorajar suicídios pela internet

Ex-enfermeiro é acusado de encorajar suicídios pela internet



Um ex-enfermeiro foi acusado nos Estados Unidos por ter persuadido, através da internet, duas pessoas a se suicidarem.


Promotores alegam que William Melchert-Dinkel, de 47 anos, se apresentava como uma enfermeira em salas de bate-papo da rede de computadores e oferecia instruções de como acabar com a própria vida.


Ele usava os nomes "Cami", "Falcon Girl" e "Li Dao", e fingia sentir empatia pelas pessoas que pensavam em se matar, tendo inclusive feito pactos suicidas com algumas delas.


Melchert-Dinkel, de Rice County, Minnesota, é acusado de ter encorajado ao suicídio Mark Drybrough, de 32 anos, que se enforcou na Inglaterra em 2005, e Nadia Kajouji, de 18 anos, que se afogou em 2008, no Canadá.


Segundo a polícia, Melchert-Dinkel disse que encorajou "dezenas" de pessoas a se matarem.


Ele teria admitido que fazia alarde de sua experiência médica e dava conselhos sobre remédios e técnicas para dar nós em cordas, de acordo com o site do jornal canadense Toronto Star.


O ex-enfermeiro disse ainda aos investigadores que parou de usar salas de bate-papo da internet pouco depois do Natal de 2008, por "se sentir terrivelmente mal" por fazer o papel de defensor do suicídio.


Melchert-Dinkel não fez declarações públicas sobre a acusação. A primeira audiência do julgamento está marcada para 25 de maio.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 24 de abril de 2010.



Bárbara Paracampos* comenta


Vivemos em uma Era em que o materialismo dita as regras da maior parte das culturas no mundo. Existe uma verdadeira legião de infelizes buscando na matéria o júbilo pessoal e certa “felicidade”. Porém, não satisfeitos (porque a Terra é um planeta de expiações e a verdadeira felicidade é para este mundo uma utopia), acabam decepcionados e sem qualquer esperança na vida.


Talvez por essa razão, William, o ex-enfermeiro, tenha conseguido conhecer na internet dezenas de pessoas dispostas a serem “encorajadas”. Sim, porque apenas uma pessoa desesperançada e sem fé na continuidade da vida daria vazão à conversa suicida de uma suposta enfermeira na rede.


Resta-nos, de antemão, deixar claro que não se pode generalizar e responsabilizar unicamente o materialismo pelo suicídio. Não podemos esquecer os processos obsessivos, os transtornos psíquicos, a culpa, a paixão e diversas outras razões que podem levar um ser a retirar a própria vida, voluntária e involuntariamente (no caso dos com problemas psiquiátricos).


Com a busca desenfreada pelo poder, dinheiro, status social, beleza, etc, o materialismo traz a frustração de uma vida vazia, em que a menor adversidade se torna um óbice intransponível – em que pese sabermos que os fardos são proporcionais às forças do ser. Aliado a tudo isso, a falta de fé no futuro, em Deus e a crença da existência do nada, faz com que o homem tente aniquilar a sua dor da forma mais drástica: o suicídio.


Se, de fato, William Melchert-Dinkel fez o papel de defensor do suicídio, instruindo pessoas, através de seus conhecimentos profissionais (o que é um agravante), a tirarem a própria vida, certamente sua responsabilidade lhe será atribuída. E aqui não nos referimos apenas à responsabilidade perante a Justiça Americana, mas, principalmente, à responsabilidade de seus atos, de acordo com a sabedoria da lei de Deus.


De acordo com trecho extraído do Cap. V, item 16, de O Evangelho Segundo o Espiritismo:


“A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a ideia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade.”


Melchert-Dinkel, que, conforme a reportagem, já se diz arrependido pelos seus atos, terá que enfrentar longo caminho de regeneração neste e no outro plano, haja vista que sua própria consciência, se de fato arrependido está, realmente lhe fará “sentir terrivelmente mal”. Será diretamente responsabilizado por seus atos, assim como pelos suicídios que houver de fato persuadido, devendo, ainda, no futuro, se conciliar com os suicidas por ele encorajados.


No que diz respeito ao suicida, ao chegar no plano espiritual e se deparar com a vida após a vida e a certeza de que o nada não existe, ele sofre, arrepende-se, descobre que “se liberta de um mal, para incorrer num mal pior, mais longo e mais terrível.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, item 17).


De acordo com O Livro dos Espíritos, pergunta nº 957:


957. Quais, em geral, com relação ao estado do Espírito, as consequências do suicídio?


“Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Mas, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.”


Por fim, não podemos esquecer que somos todos irmãos e fazemos parte de uma só família: a família humana. William Melchert-Dinkel é nosso irmão e devemos nutrir a compaixão e a indulgência, emanando, para ele e para as pessoas que foram sugestionadas por ele a praticarem o suicídio, energias positivas. Assim, estaremos praticando a verdadeira caridade.


* Bárbara Paracampos reside em Salvador, na Bahia, é espírita e colaboradora regular do Espiritismo.net.