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Robinho não vê erro em falta a lar espírita e aponta religião como responsável

Robinho não vê erro em ausência a lar espírita e aponta religião como responsável



Do UOL Esporte
Em Santos (SP)


A ausência de grande parte dos titulares santistas em uma ação solidária promovida pelo clube causa polêmica. Líder do grupo que se recusou a descer do ônibus para entregar ovos de Páscoa para os pacientes da casa Lar Espírita Mensageiros da Luz, em Santos, na tarde de quinta-feira, Robinho apontou motivos religiosos como responsável pela atitude, e diz não estar arrependido.


“Só ficamos sabendo quando chegamos ao local que se tratava de um ambiente espírita. Cada jogador tomou a atitude que achou conveniente, e acho que a religião de cada um precisa ser respeitada. Ninguém orientou a gente para que tomássemos essa atitude. Ela foi movida pela religiosidade de cada um. Isso não tem que virar polêmica” disse o atacante, em entrevista à TV Bandeirantes.


Neymar e Paulo Henrique também concederam entrevista para a mesma emissora. Eles se mostraram arrependidos e prometeram visitar a instituição brevemente.


“Cheguei em casa, conversei com o meu pai, e percebi como foi ruim a nossa postura. Jamais vou repetir algo assim, e por isso, temos que pedir desculpas” destacou Neymar.


O jovem atacante santista é evangélico fervoroso e apontou a religiosidade como a principal motivadora da atitude. “Fiquei sabendo dos rituais religiosos realizados no local somente quando cheguei lá. Tomei essa atitude, pois tinha receio de não me sentir bem. Pretendo voltar lá (Lar Mensageiros da Luz) para visitar o pessoal” justificou Neymar, que ainda apontou a existência de outros motivos.


“Isso não pode ser dito aqui. Precisa ficar fechado no grupo mesmo. Melhor nem tocarmos mais nesse assunto" comentou o camisa 17.


Já Paulo Henrique Ganso foi ao local com seu carro. Quando se encaminhava para dentro da instituição foi chamado pelos jogadores presentes no ônibus. Ganso entrou no veículo e foi convencido a aderir ao movimento.


"Foi o que o Neymar falou. Foi um motivo pessoal do elenco e que diz respeito ao grupo" tentou explicar, Ganso.


A religiosidade foi o motivo da ausência de Roberto Brum no local. O volante, no entanto, nem sequer esteve presente no ônibus santista que saiu do CT Rei Pelé com destino ao lar espírita, no início da tarde de quinta-feira. O jogador realiza frequentemente doações a diversas instituições.


“Posso garantir que não fomos pilhados pelo Brum, nem por ninguém. É uma decisão que varia de pessoa para pessoa. Não sou moleque, e arco com as conseqüências” finalizou Robinho.


Somente 11 atletas santistas participaram da ação beneficente. Felipe, Wladimir, Edu Dracena, Zé Eduardo, Arouca, Pará, Gil, Maikon Leite, Breitner, Zezinho e Wesley foram os responsáveis pela entrega dos ovos. Dorival Júnior e grande parte da diretoria também estiveram presentes no local.


Notícia publicada no Portal UOL, em 2 de abril de 2010.



Claudia Cardamone* comenta


Tenho visto muitas manifestações no Twitter contendo certa agressividade contra o Robinho, os jogadores e erroneamente até contra o clube. Por que as pessoas reagem desta forma? Por que o Robinho tem que fazer aquilo que nós achamos certo?


Eu não estou julgando a atitude dos jogadores, porque eles não quiseram entrar num lar espírita e tinham este direito. Todos, mas principalmente os espíritas que estudam e compreendem a doutrina espírita, devem respeitar o livre-arbítrio.


Muitos criticaram que eles deixaram de fazer a caridade por não querer entrar no lar espírita. Cito aqui a questão 642, de O Livro dos Espíritos:


"Será suficiente não se fazer o mal, para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura?


- Não: é preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer."


Os meninos do Santos perderam uma oportunidade de fazer o bem, falharam numa prova que talvez colocasse à frente o que seria mais importante: a sua crença ou o bem ao próximo. É bem possível que tenham falhado nesta prova. Não nos cabe fazer este julgamento, porque não temos conhecimento suficiente para isto.


Se nós enchemos o peito para nos denominar espíritas, se com orgulho dizemos estudar O Evangelho segundo o Espiritismo, este é o momento para demonstrar que aprendemos alguns dos conceitos mais essenciais desta doutrina, como tolerância, compaixão, caridade, paciência e amor ao próximo. É fácil nutrir estes sentimentos por aqueles em sofrimento, por aqueles que vivem uma vida restrita por qualquer motivo, mas a verdadeira prova para o espírita é nutrir todas estas virtudes por aqueles que ainda não compreenderam a lei de Deus, não compreenderam a realidade da vida espírita e se perdem em sua própria ignorância.


Mas este incidente teve um final feliz. Roberto Brum, Robinho, Neymar e Paulo Henrique, depois de 10 dias, voltaram à instituição espírita, visitaram as crianças e Robinho, o personagem que mais críticas sofreu, doou a camisa do seu 200º jogo pelo Santos. (http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,robinho-paulo-henrique-e-neymar-visitam-lar-espirita,537379,0.htm)


Por que podemos dizer um final feliz? Não, não é porque o Robinho e os outros fizeram a vontade de muitos espíritas indignados e intolerantes, mas porque podem ter progredido, e a questão 992, de O Livro dos Espíritos, nos esclarece:


"Qual é a consequência do arrependimento no estado corpóreo?


- Adiantar-se ainda na vida presente, se houver tempo para a reparação das faltas. Quando a consciência reprova e mostra uma imperfeição, sempre se pode melhorar."


Pode ser que algumas pessoas digam que se não tivessem reclamado, demonstrado sua indignação, talvez eles nem percebessem o erro. Neste caso, continuam demonstrando certo orgulho ao querer compartilhar do mérito de uma boa ação que não lhes pertence.


Parabéns aos meninos da vila, que se arrependeram e corrigiram o erro da única forma possível: fazendo o bem a quem se tenha feito o mal.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.