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"Eu posso clonar humanos"

"Eu posso clonar humanos"



Em procedimento que virou documentário do Discovery Channel, o geneticista Panayiotis Zavos disse que implantou 11 embriões clonados em quatro mulheres, mas que ainda não conseguiu gerar uma gravidez. Segundo ele, o primeiro clone humano nascerá em até dois anos


REDAÇÃO ÉPOCA


O polêmico geneticista Panayiotis Zavos afirmou ao jornal britânico The Independent que está desenvolvendo rapidamente uma técnica para clonar seres humanos e que os primeiros clones devem nascer dentro de dois anos. Zavos, um cipriota naturalizado americano, já foi companheiro de trabalho do italiano Severino Antinori, que em março disse à revista Oggi ter realizado a clonagem de três pessoas, e que os bebês têm vida saudável hoje em dia.


Zavos disse ao jornal britânico que conseguiu clonar 14 embriões e implantou 11 deles em quatro mulheres – três casadas e uma solteira – dos Estados Unidos, do Reino Unido e de um país do Oriente Médio não identificado, onde Zavos teria realizado a implantação do embrião clonado, procedimento proibido em dezenas de países. Zavos afirmou que nenhum dos embriões gerou uma gravidez, mas que este era o primeiro passo para uma clonagem de sucesso. “Não há dúvida nenhuma.


Eu posso não ser o primeiro a fazer, mas a criança clonada está chegando”, afirmou. “Se intensificarmos nossos esforços podemos ter um bebê clonado em um ano ou dois, mas não acho que possamos fazer isso tão rápido”, disse. “Não estamos sob pressão para conseguir apenas um bebê clonado, mas sim um bebê clonado saudável”.


De acordo com o The Independent, o trabalho de Zavos foi acompanhado por documentaristas do canal de televisão Discovery Channel, que afirmaram ao jornal ter filmado todo o processo. Segundo eles, as quatro mulheres sabiam estar participando de um programa de clonagem. Um programa especial deve ser exibido nesta quarta-feira pelo canal.


Panayiotis Zavos ficou famoso em 2001, quando anunciou estar trabalhando na clonagem humana ao lado do italiano Severino Antinori. Em 2004, Zavos ganhou as manchetes dos jornais ao afirmar ter implantando um embrião clonado no útero de uma mulher. Ele não apresentou nenhuma evidência da técnica e foi condenado como “irresponsável” por “dar falsas esperanças a mulheres que não podiam ter filhos”. Até o ministro da Saúde do governo britânico na época, John Reid, se manifestou sobre a notícia, afirmando que, caso fosse verdade, seria um “brutal desvio de ciência genética”.


Na entrevista ao Independent, Zavos disse que, desde então, continua recebendo pedidos de mulheres que tentam ser mães. “O critério que eu uso é o de escolher mulheres que tenham na clonagem a única opção possível após terem tentado exaustivamente outros métodos”, disse. “Não estamos interessados em clonar ‘Michael Jordans’ e ‘Michael Jacksons’. Os ricos e famosos não participam deste processo”, afirmou.


Matéria publicada na Revista Época, em 22 de abril de 2009.



Jorge Hessen* comenta


A clonagem humana é defensável? Eis a questão! O assunto é intrigante e impõe debate mais amplo. Não há respostas definitivas para o problema. Qual a melhor atitude bioética diante dela? A resposta não é fácil. O tema ainda é assustador, todavia, invariavelmente, será uma prática rotineira nos séculos futuros, atendendo a cuidadoso planejamento que envolverá Espíritos encarnados e desencarnados. Atualmente, é complexo o assunto, por isso, suscita problemas e dúvidas.


Para alguns, o clone(1) humano é uma utopia patética. Para os estressados, há um certo delírio que faz com que algumas pessoas pensem na possibilidade de se criarem indivíduos descerebrados na clonagem e depois armazenados para transplantes de órgãos. É uma sandice! Isso não nos deve preocupar. Outros acreditam que podem interferir no gene, no DNA e retirar a sensibilidade para fazerem indivíduos totalmente imunes à dor, mas, em verdade, isso não passa de "ciência-ficção". Contudo, “a busca de conhecimento é característica fundamental do Homem, ainda que muitas vezes proceda como um aprendiz de feiticeiro, sem domínio sobre suas próprias conquistas, em virtude de seu subdesenvolvimento moral.”(2)


O geneticista Panayiotis Zavos tem, insistentemente, afirmado que implantou 11 embriões clonados em quatro mulheres e crê que, se ampliar os esforços atuais, poderá chegar ao primeiro bebê clonado em um ano ou dois. Para algumas autoridades, o procedimento de Zavos é um “brutal desvio de ciência genética”, por isso, o método é ilegal em vários países. Há alguns anos, Panayiotis não apresentou qualquer evidência da técnica e foi condenado como “irresponsável” por dar falsas esperanças a mulheres que não podiam ter filhos.


Considerando-se que há um descarte de gigantesca quantidade de embriões, o método é, ainda, algo muito arriscado. A cada 100 tentativas, no mínimo 95 não prosperarão, deixando um rastro de abortos e mortes de gestantes; as cinco gestações que, eventualmente, prosperarem, provavelmente, não garantirão vida saudável para os clones, a começar pelo previsível envelhecimento celular precoce.


Os métodos, ainda, estão muito distantes de êxito real; há, ainda, muito espaço a percorrer, haja vista os impedimentos éticos e legais que obstam os experimentos. Contudo, chegará o dia em que a clonagem será factível. Se não hoje, sem dúvida alguma no futuro. Os espíritas sabem que é o Espírito que dá vida inteligente ao corpo. Se um corpo humano for clonado a partir de uma célula de alguém já desencarnado, certamente será designado um Espírito para dar vida àquele corpo, mas é pouco provável que seja o do doador da célula. Mesmo que fosse o Espírito deste, seria uma nova vida e com nova missão. A vida não se repete.


Os clones já existem de forma natural. Os gêmeos univitelinos, por exemplo, são uma clonagem da Natureza. Nesse caso, só um óvulo dará origem a dois seres, geneticamente idênticos, mas com impressões digitais diferentes. São idênticos no ponto de vista genotípico, porque têm a mesma carga genética, mas não são iguais quanto à fenotipia. Um corpo poderá ser clonado perfeitamente igual, contudo, não se pode realizar o mesmo com a personalidade, raciocínio, lucidez e outros itens psicológicos, porque são do espírito. Na clonagem de seres humanos, teremos uma cópia de gens, absolutamente igual. Mas, quanto à sua personalidade, caráter, inteligência, índole, e tudo o que distingue um ser humano de outro, será, invariavelmente, diferente, guardando conformidade com o estágio evolutivo e a maneira de ser do Espírito reencarnante.


Toda criança que vive “após o nascimento, tem, forçosamente, encarnado em si um Espírito, do contrário, não seria um ser humano”.(3) Assim, se a clonagem humana for sucesso, certamente, não produzirá robôs, mas seres autênticos. Pode o homem manipular óvulos e espermatozóides, mas jamais poderá determinar que alma irá habitar em um eventual clone. Nenhum pesquisador poderá “escolher” a alma que irá habitar no resultado de uma clonagem humana reprodutiva.


Se nos basearmos, apenas, na palavra clonagem, nada encontraremos em Kardec, especificamente. Mas, com o Codificador, sem a menor dificuldade, deduzimos o quanto o Espiritismo tem de sabedoria, no seu tríplice aspecto de Ciência, Filosofia e Religião: os desdobramentos científicos, filosóficos e religiosos da clonagem lá estão. “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”.(4)


O Livro dos Espíritos esclarece que na reencarnação o “espírito se une ao corpo no momento da concepção, isto é, no instante da formação do zigoto ou célula-ovo.”(5) Segundo o Gênio de Lyon, “essa célula inicial exerce sobre o espírito uma atração tão irresistível, que ele, geralmente, une-se a ela, instantaneamente, através de “um laço fluídico” do seu perispírito ou corpo sutil.”(6) André Luiz descreve “o instante da concepção ou fertilização como sendo o das primeiras movimentações do espírito na matéria, quando começa, então, a estruturar o novo corpo. Ele atua sobre a célula-ovo como um vigoroso modelo, como se fosse um ímã entre limalhas de ferro.”(7)


Não há como duvidar que chegará o momento em que a genética encontrará recurso para clonar o ser humano, mas quando isso for possível, evidentemente o espírito reencarnará. Quando a ciência conseguir meios que facultem a reencarnação, o espírito se fará presente. Observemos que a fecundação "In Vitro" substituiu perfeitamente o organismo humano. Detalhe: Kardec não confirma que, apenas, no momento da fecundação o espírito pode se unir ao corpo. Ele afirma que no momento da fecundação isso ocorre, mas não somente neste. Este raciocínio deve ser aplicado caso a clonagem humana seja factível.


A reprodução humana, certamente, passará por mudanças consideráveis ao longo dos próximos séculos, por isso, não devemos nos surpreender com a clonagem reprodutora(8) e mesmo com as gestações em ambientes extra-uterinos. Destarte, novos conhecimentos espíritas precisam ser incorporados à Doutrina sobre um momento alternativo que o Espírito possa se unir ao corpo.  Também, entendemos que o fato de a fecundação se dar fora do útero, em nada interferirá no processo de encarnação, pois este ovo gerado será implantado no útero materno e se desenvolverá normalmente.


Para os especialistas espíritas, as indagações bioéticas continuam em aberto, aguardando progressos tecnológicos na área da pesquisa espiritual e, sobretudo, avanços humanos, no campo do amor e da misericórdia. Portanto, a clonagem humana será importante quando a Ciência estiver iluminada pelo conhecimento do espírito e trabalhando pelo engrandecimento espiritual da Humanidade.



Fontes:


(1) A palavra clone tem origem etimológica grega – klón – que significa broto, ramo. O clone é um ser VIVO, que tem a mesma constituição genética de outro; é o “broto” da planta que, ao ser destacado, pode se desenvolver como a planta-mãe;


(2) Simonetti, Richard. Reencarnação: Tudo o que você precisa Saber, Bauru-SP: Editora: CEAC, 2001;


(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991, perg 356;


(4) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1978, cap. 55;


(5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991, perg 344;


(6) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1978, cap. 11;


(7) Xavier, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992, cap. 13;


(8) Alguns espíritas defendem que a utilização dos métodos de clonagem deve ser exclusivamente para fins terapêuticos, jamais reprodutivos.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.