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Crianças moem giz e brincam de traficante em escola de Sapucaia do Sul (RS)

Crianças moem giz e brincam de traficante em escola de Sapucaia do Sul (RS)



GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre


Crianças da quarta série de uma escola pública de Sapucaia do Sul (região metropolitana de Porto Alegre) usaram pó de giz para fingir serem traficantes e consumidores de cocaína durante brincadeira no recreio.


A brincadeira, que provocou apreensão no setor de educação da cidade, consistia em simular a venda de drogas em sala de aula e foi descoberta na semana passada por uma professora.


No lugar da droga, saquinhos plásticos eram enchidos com pó de giz. Os quatro alunos, com idade entre nove e dez anos, que participavam da brincadeira foram encaminhados à orientação pedagógica.


"As crianças não medem as consequências. Conversamos com eles sobre o significado do que estavam fazendo, se era aquilo que queriam da vida. Eles se surpreenderam", contou Inacira Lopes, diretora da escola Getúlio Vargas.


Segundo ela, a escola participa do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) da Brigada Militar do Estado, em que policiais desenvolvem ações de prevenção com os estudantes.


Com cerca de 700 alunos, a escola fica em uma região pobre e de ocupações irregulares.


As cerca de 5.000 pessoas que vivem no local não têm acesso a serviços básicos e, segundo a Brigada Militar, há trafico de drogas nos bairros próximos à escola.


A diretora disse não ver relação direta entre as condições sociais da região e o episódio. "Não é porque as pessoas são pobres que serão violentas. Essa cultura de violência é incentivada em filmes e em jogos de videogame."



Discussão


A simulação de tráfico pelas crianças vai ser discutida nas demais escolas da cidade, que participarão em novembro de uma conferência municipal de prevenção ao uso de drogas.


"É um episódio que, apesar de isolado, faz parte de um contexto maior, que é o do vício em drogas", disse o secretário municipal da Educação, Adílpio Zandonai. Segundo ele, o episódio é um alerta para reforçar ações de segurança preventiva.


Com 123 mil habitantes, Sapucaia do Sul é um dos municípios mais violentos do Estado. A taxa de homicídios da cidade em 2008 (19,6 mortes por 100 mil habitantes) superou a média estadual (16,4). O município ocupa neste ano a 12ª colocação no número de homicídios entre as 496 cidades gaúchas, com 24 casos - mesmo número de todo o ano de 2008.


Segundo Zandonai, o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania), do Ministério da Justiça, disponibilizou R$ 140 mil para realização de oficinas de música, arte e esporte na cidade.


Notícia publicada na Folha Online, em 23 de outubro de 2009.



Sonia Maria Ferreira da Rocha* comenta


Essa notícia tão preocupante serve, no mínimo, para nossa reflexão. Onde erramos? O que fazer para modificar, recuperar e desenvolver importantes valores nesses nossos pequeninos?


Será que somos resultado ou os responsáveis pelo meio em que vivemos?


Sabemos que vários são os valores que desenvolvem e que formam a personalidade de um ser humano, no dia-a-dia, resultando a formação de uma sociedade moral e cultural equilibrada.


Cabe a todos nós a responsabilidade de implantar e alimentar os valores e os limites que vão reger desde a família até as leis de um país, nos seus mais diversos segmentos.


Como educadores - pais, professores, familiares e amigos -, somos os formadores da sociedade em que estamos inseridos. Assim, todos somos responsáveis, direta ou indiretamente, com nossos exemplos, pela educação de um povo, pricipalmente quando estamos desempenhando papéis dentro do círculo familiar.


Quando não educamos os nossos filhos, meio os educa por nós. Por isso, é importante estarmos atentos às suas atitudes diante dos problemas diários da vida, pois é por intermédio deles que está o futuro, não só da nossa nação, mas desta casa que nos acolhe, chamada Terra.


Por eles, e para eles, todo nosso amor, carinho, atenção no seu desenvolvimento moral e intelectual. Pois é esse o nosso compromisso com o Criador.


Através da Doutrina Espírita, sabemos que o homem foi criado simples e ignorante e está destinado a conquistar a perfeição, através do aprendizado de múltiplas vidas sucessivas.


E, como somos participantes de um mundo em evolução, temos, perante Deus, o dever de nos modificar, de nos melhorar, moral e intelectualmente, conforme orientação da nossa Doutrina.


A educação faz parte desse processo, é através dela que, na ação livre no mundo, crescemos espiritualmente, fazendo desabrochar as virtudes e a sabedoria, que serão nossas quando atingirmos o alvo evolutivo a que Deus nos destinou. Sabemos que todo mal existente na nossa rota evolutiva é de nossa total responsabilidade, e que é passageiro, porque o nosso progresso espiritual é uma questão de tempo.


Temos, hoje, um mundo egoísta, voltado para os interesses individuais. Estamos carentes da solidariedade para com os nossos semelhantes, o que tornaria o mundo mais pacífico e racional.


Hoje os nossos meninos estão sós, vivendo os valores que o seu meio lhe oferece. Estamos sem tempo de dedicar-lhes uma educação religiosa e mostrar um mundo onde os ensinamentos de Jesus devem ser seguidos e onde Deus é a nossa bússola.


Devemos estar alertas para as mudanças comportamentais das nossas crianças para que possamos ajudá-las, antes que a droga seja instalada.


A prevenção é o maior recurso para resistir aos arrastamentos do mal. O Espiritismo, através da fé e da crença na vida futura, nos mostra a responsabilidade que temos por preservar nosso corpo, mente, perispírito e fazendo bom uso do nosso livre-arbítrio. Mostra-nos também a necessidade da sintonia com os bons espíritos, que nos ajudam na nossa reforma íntima e afastam os obsessores, para estes também serem tratados e esclarecidos.


* Sonia Maria Ferreira da Rocha reside em Angra dos Reis, RJ, estuda o Espiritismo há mais de 30 anos e é colaboradora regular do Espiritismo.net.