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Exorcistas poloneses veem cada vez maior ‘ameaça satânica’

Exorcistas poloneses veem ‘ameaça satânica’ cada vez maior



Número de padres que realizam exorcismos no país do leste europeu dobrou nos últimos três anos


EFE


VARSÓVIA - Cerca de 90 exorcistas de várias partes da Polônia realizaram nesta sexta-feira, 12, seu congresso anual, um evento no qual garantiram que o ritmo de vida moderno faz com que a ameaça de Satã seja cada vez maior, o que explica o fato de o número de padres exorcistas no país ter dobrado em três anos.


"A razão de sermos tantos é que somos necessários, pois o problema cresce", explicou o sacerdote Andrzej Grefkowicz, que lamentou que, nos últimos anos, tenha crescido o interesse pelo ocultismo e outras práticas quem, supostamente, aproximam do mal.


Os exorcistas reconhecem que às vezes a possessão se manifesta da forma como é retratada no cinema, com muita intensidade, mas garantem que seu trabalho é muito menos espetacular, já que se limita a ficar ao lado do possesso, rezar e recitar salmos.


"Há muitos mitos sobre o exorcismo, mas que realmente é um processo que se baseia nas leis fundamentais da Igreja", acrescentou o padre Aleksander Posacki.


Os participantes do congresso insistem que a demonologia deveria ser levada mais a sério, e que conhecer melhor o exorcismo poderia ajudar os fiéis a evitar muitos problemas.


Esta foi a 22ª edição do congresso de exorcistas poloneses, uma reunião centrada na busca das causas do aumento de possessões.


Para além das causas, no entanto, o fato é que no início dos anos 90 havia três padres exorcistas oficialmente nomeados como tal por bispos na Polônia, e atualmente há mais de cem.


Notícia publicada no estadao.com.br, em 12 de fevereiro de 2010.



Pedro Vieira* comenta


Numa pequena casa perto de Castelnaudary, havia ruídos estranhos e diversas manifestações que faziam olhá-la como assombrada por algum mau gênio. Por esse fato, ela foi exorcizada em 1848, e ali se colocou um grande número de imagens de santos. Desde então, o senhor D., querendo nela habitar, fez-lhe reparos, e, por outro lado, fez tirar todas as gravuras. Ele morreu subitamente, há alguns anos. Seu filho, que a ocupava nesse momento ou antes, que a ocupava ainda há pouco tempo, recebeu um dia, entrando num apartamento, uma vigorosa bofetada dada por mão invisível; como estava perfeitamente só, não pôde duvidar de que não lhe veio de uma fonte oculta. Agora não quer mais ali morar, e vai deixá-la definitivamente. Há, na região, uma tradição segundo a qual um grande crime teria sido cometido nessa casa."


Assim começa a narrativa da interessantíssima "História de um Condenado", que pode ser encontrada na Revista Espírita de fevereiro de 1860. Evocado o Espírito de São Luís, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, e confirmada a ação obsessiva espiritual, foi questionado se "haveria um meio de fazê-lo mudar desta casa, e qual seria?". O benfeitor respondeu: "Se se quiser desembaraçar-se de obsessões de semelhantes Espíritos, isto é fácil orando por eles: É que se negligencia sempre fazê-lo. Preferem-se amedrontá-los com fórmulas de exorcismo, que os divertem muito."


A notícia mostra uma (em princípio) genuína preocupação dos sacerdotes romanos com a carência de ações espirituais num mundo tão atribulado. Ninguém ignora que fenômenos pessoais ou coletivos ocorrem a todos os instantes, trazendo graves prejuízos, de físicos e psicológicos a espirituais, nas criaturas humanas.


Se não são as doenças devastadoras no organismo, são os graves processos psicopatológicos, tais quais a depressão, a desvalorização das relações familiares e do respeito ao próximo em detrimento do dinheiro que o túmulo facilmente inutiliza, chegando aos deprimentes quadros obsessivos-espirituais.


Do que estaríamos precisando nós? Os materialistas desenvolvem - e vendem - a todo instante sistemas político-econômicos que prometem extinguir os males da sociedade. Será essa a resposta? Os espiritualistas já entendem que a ação deve vir do Espírito. Mas, de que forma?


O Espiritismo vem trazendo a proposta da caridade e da fraternidade como remédio para os males humanos e, sem preconceitos, a estendendo a toda a humanidade - encarnada e desencarnada. Os Espíritos são os homens, eis a chave da ação! Tratá-los como demônios ou entidades satânicas só os irrita ou diverte, sem qualquer resultado prático. Os Imortais nos ensinam, com Jesus, a orar por eles e, em mantendo contato direto mediúnico, tratá-los com respeito e carinho, como irmãos em erro, já que não sabemos se, na situação deles, agiríamos diferente ou até pior.


Daí porque, embora o espírita deva se unir em preocupação e em disposição de serviço a todos os que desejam o bem, também mantém perante as manifestações espirituais uma postura sóbria, racional e cristã, entendendo que Deus, o Criador, nada poderia ter feito de mau, e que o mal, como conhecemos, é não senão ignorância passageira daqueles que ainda não entenderam seu objetivo de Vida. Por isso, ao invés de apoiar atos de humilhação e expulsão de homens em equívoco, repete Jesus, quando disse: "vim para os doentes e não para os sãos" (Mt, 9:12-13), realizando ao invés de "exorcismos", o Atendimento Fraterno aos Espíritos e, assim, no mundo espiritual, também contribuir para um mundo melhor.


* Pedro Vieira é expositor e médium espírita. Colabora com o centenário Centro Espírita Cristófilos e com o Centro Espírita Léon Denis, no Rio de Janeiro, além de algumas outras casas.