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Cientistas conseguem detectar sinais de consciência em paciente em coma

Cientistas conseguem detectar sinais de consciência em cérebro de paciente em coma



O Globo, com agências internacionais


NOVA YORK - Cientistas americanos conseguiram identificar sinais de consciência em um paciente em estado vegetativo, e se comunicaram com o doente enquanto este respondia as perguntas apenas mentalmente. Para os pesquisadores, este é um marco da ciência, que poderá, em um futuro próximo, transformar a maneira como médicos, enfermeiros e familiares tratam pacientes em coma.


O teste, divulgado no "New England Journal of Medicine", foi feito em um paciente de 22 anos que sofreu um acidente de carro e está em estado vegetativo há sete anos. Os médicos das universidades de Cambridge, na Inglaterra, e de Liège, na Bélgica, pediram ao paciente belga que imaginasse atividades motoras, como jogar tênis, para responder "sim", e imagens espaciais, como ruas, para indicar "não".


Os especialistas sabiam que cada tipo de pensamento ativaria uma área diferente de seu cérebro. Portanto, por meio de uma técnica de Imagem por Ressonância Magnética Funcional (IRMF, na sigla em inglês), que monitora a atividade cerebral do paciente em tempo real, eles puderam identificar suas respostas.


O paciente respondeu corretamente a cinco das seis perguntas sobre sua vida pessoal. Ele conseguiu confirmar o nome de seu pai, por exemplo.


- Nós ficamos atônitos quando vimos os resultados do exame do paciente. Ele foi capaz de responder corretamente às questões que fizemos simplesmente alterando seus pensamentos - disse Adrian Owen, professor de neurologia da Universidade de Cambridge e um dos coordenadores da pesquisa, à rede BBC.


Este estudo mostra que os exames tradicionais podem não identificar pacientes que têm algum tipo de consciência. O porta-voz da Academia Americana de Neurologia afirmou que, desde que um estudo similar foi divulgado há quatro anos, familiares de pacientes em coma tem exigido mais ressonâncias para avaliar a atividade cerebral.


Porém, os pesquisadores alertam que o resultado vai depender do motivo que levou a pessoa ao coma. As chances de perceber sinais positivos é mais comum em pessoas que sofreram algum tipo de trauma cerebral, não naqueles que entraram em coma porque ficaram sem oxigênio, como a americana Terri Schiavo, que morreu em 2005.


No total, o grupo trabalhou com 54 pacientes que sofrem de desordem de consciência, dos quais 23 estão em estado vegetativo. Eles também usaram a técnica com voluntários saudáveis, para efeito de comparação. A pesquisa concluiu que dos 54 pacientes envolvidos, cinco foram capazes de voluntariamente alterar sua atividade cerebral. Três deles demonstraram inclusive algum grau de consciência, mas os outros dois não necessariamente mudaram seus pensamentos conscientemente.


Para os pesquisadores, o estudo abre o caminho para que o paciente em estado vegetativo possa tomar decisões quanto ao seu tratamento.


- Você poderia perguntar se os pacientes sentem dor e então prescrever algum analgésico, e você poderia ir além e perguntar a eles sobre seu estado emocional - explicou Adrian Owen.


O uso dessa técnica pode levantar questões éticas, como por exemplo, se é correto desativar os aparelhos para deixar um paciente em estado vegetativo morrer, já que ele pode ter algum grau de consciência e até capacidade de manifestar vontade própria.


Notícia publicada no site do Jornal O Globo, em 4 de fevereiro de 2010.



Nara de Campos Coelho* comenta


Notícias do Espírito


Quanto mais o tempo passa, mais temos visto os preceitos espíritas serem alcançados pela Ciência. Digo alcançados, porque a Ciência progride e chega onde já está o Espiritismo. O caso desta notícia é típico: cientistas americanos detectaram consciência num corpo que está em estado vegetativo! “Nós ficamos atônitos...”, disseram eles. Para o espírita, não existe surpresa. Apenas alegria de ver a Ciência caminhando para beneficiar o Homem. Eis que o Espiritismo nos ensina desde sempre que, por muitas vezes, quando no estado de coma, ou no vegetativo, apenas o corpo permanece sem reação, podendo o Espírito estar ali, preso ao corpo e consciente de seu estado.


E por que tal se dá? Por necessidade evolutiva, muitas vezes, o Espírito que está preso a um corpo em coma, ou em estado vegetativo, aprende muito com o sofrimento, burila sua alma antiga, libertando-se de arestas que lhe impediam o progresso, valoriza pessoas com as quais não se dava, reencontra-se, em espírito, com desafetos do passado, percebe o carinho e atenção como elementos indispensáveis ao equilíbrio de todos... E assim vai... Eis que a vida é oportunidade para a evolução integral, em todos os seus mecanismos.


Outra coisa maravilhosa que depreendemos deste fato é a prova da existência do Espírito. Ele nos dá notícias! Se o corpo está inerte, sem as respostas dos sinais vitais aguardados, “o que” ou “quem” estaria fazendo o corpo responder? A ausência da crença na existência do espírito tem feito com que muitos aceitem a eutanásia, pretendendo que ela seja um ato de caridade por apenas confirmar ou antecipar a morte que é inevitável e iminente. Como o Espiritismo nos ensina, e esta pesquisa atual confirma, percebemos que o Espírito comanda o corpo e o usa como um instrumento. Enquanto o corpo estiver oferecendo condições para o espírito permanecer ali, este se mantém. Do contrário, retira-se. Eis que “não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito”, ensina-nos Kardec em A Gênese, Cap. XI, item 18. E a desencarnação se dará na época aprazada, cumprindo o que foi estabelecido no Mundo Espiritual, tendo como objetivo superior a evolução do Espírito.


Então, por que, em alguns casos, os pesquisadores americanos perceberam que não existe resposta de alguns pacientes aos estímulos que eles provocaram? Aqui também o Espiritismo nos elucida. É que, em alguns casos, enquanto o corpo permanece em estado vegetativo, ou mesmo em coma, o Espírito passa por sono reparador ou vai para longe encontrar-se com quem precisa, para fazer os acertos necessários à sua evolução. Nestes casos, a prova maior é de quem espera pela melhora do paciente, pois, muitas vezes, este já se sente livre, encaminhando-se para a desencarnação, Espírito que é, de posse de seu envoltório perispiritual.


Lembramo-nos de Chico Xavier, o querido médium, em entrevista compilada pela Dra. Marlene Nobre, em comemoração aos 23 anos da Folha Espírita, recomendando-nos “o respeito máximo pela vida humana, ainda mesmo quando a consideremos nos últimos resquícios de resistência em que ela se caracteriza. (...) De modo que, na condição de espíritas cristãos, não só do ponto de vista kardequiano da Doutrina Espírita, mas também do ponto de vista consciencial, somos criaturas com a necessidade de nos respeitarmos uns aos outros, até o momento final do corpo e além dele. Sim, porque além do corpo temos a vida espiritual”.


Os acontecimentos se sucedem, confirmando as palavras de Kardec, em A Gênese, Cap. I, item 16: “O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência sem o Espiritismo se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e compreensão.”


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.