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Americana deu à luz gêmeos de pais diferentes

Americana deu à luz gêmeos de pais diferentes



Testes de DNA revelaram que os filhos gêmeos nascidos de uma mulher nos Estados Unidos há quase um ano são de pais diferentes.


Segundo informações da rede de TV americana Fox 4, Mia Washington, de Dallas, engravidou do namorado James Harrison, e também de um outro homem, cuja identidade não foi revelada.


Intrigada porque os meninos - hoje com 11 meses de idade - estavam crescendo com feições bastante diferentes, a mãe decidiu fazer um exame de DNA para provar a paternidade.


Para sua surpresa, o resultado confirmou que os meninos tinham 99,999 % de chances de serem filhos de pais diferentes, e 0% de chances de serem filhos do mesmo pai.


Mia Washington então procurou a rede de TV para contar sua história.


A mãe admitiu o caso, e o noivo, James Harrison - pai de um dos meninos -, diz ter perdoado a traição. Ele prometeu criar Justin e Jordan como se fossem seus filhos.


O pai do outro menino não foi identificado, mas Mia Washington disse à rede Fox que pretende contar a história aos filhos no futuro. Ela, no entanto, não pensa em entrar em contato o outro pai.


"De todas as pessoas nos Estados Unidos, e de todas as pessoas no mundo, foi acontecer comigo. Estou chocada", disse Mia Washington à Fox.


O caso de dois gêmeos de pais diferentes é bastante raro, mas pode ocorrer se a mulher liberar mais de um óvulo durante seu período fértil e tiver relações sexuais com dois homens em um curto período.


O fenômeno é conhecido como superfecundação heteropaternal.


De acordo com o médico Chris Dreiling, da Associação Pediátrica de Dallas, ouvido pelo canal de TV, "este provavelmente será o único caso que vamos ver em na cidade de Dallas. É raro assim".


Notícia publicada na BBC Brasil, em 18 de maio de 2009.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Outrora, o homem pré-histórico, destituído de uma inteligência mais ampla e de um senso moral apurado, tal como qualquer outro animal, relacionava-se sexualmente apenas pelo instinto que o encaminhava à procriação e à preservação da sua espécie. Na antiguidade, por sua vez, as relações poligâmicas, bem como a luxúria e a depravação, eram hábitos usuais, deixando que a sexualidade e o erotismo corressem soltos em festas sem quaisquer pudores ou limites. Com o advento da Idade Média, e a crescente influência do catolicismo nas sociedades, assistiu-se a uma repressão de tudo o que se relacionasse com a sensualidade e o sexo apartado da necessidade de procriação, associando-o a práticas maléficas e ao Diabo. Depois da reforma protestante e o consequente aparecimento de inúmeras correntes religiosas e filosóficas, o Homem foi se desprendendo das amarras castradoras da Igreja Católica, quebrando o elo da ignorância e do obscurantismo em que estava mergulhado, inaugurando uma era em que a liberdade e livre escolha de cada pessoa, tal como o direito à vida e à procura da felicidade, passaram a ser considerados como inalienáveis. O surgimento da pílula contraceptiva na década de 60 do século XX, foi um novo marco da revolução sexual. Era então inaugurada uma importante fase nas relações humanas através de uma aceitação generalizada da igualdade de direitos entre sexos. As mulheres conquistavam a sua emancipação também na área sexual e passavam a dispor de liberdade para agirem de acordo com os seus desejos.


Vivemos ainda uma época de intensas transformações sociais, culturais e espirituais. Nunca, como nos tempos de hoje, o Homem teve à sua disposição tantas condições e oportunidades para poder crescer e atingir níveis cada vez maiores de felicidade. A liberdade pela qual os nossos antepassados tanto lutaram é uma bênção que devemos respeitar e agradecer. Mas a liberdade, se por um lado constitui uma dádiva, é também uma enorme responsabilidade que muitas vezes não conseguimos aproveitar, desperdiçando o equilíbrio íntimo numa busca incessante por prazeres físicos, ofuscados pela tentação dos impulsos sexuais incontroláveis. O sexo quando é usado de forma desequilibrada torna-se um gerador de inúmeros tormentos e perturbações, também a nível espiritual, consequência da complexa teia de influências que estabelece com espíritos ainda obcecados pelo prazer físico, empurrando as suas vítimas para outros vícios e submergindo-as em misérias morais que entorpecem os sentimentos e obstruem a razão. Sofremos os efeitos de uma liberdade sem disciplina, de uma sociedade divorciada dos seus códigos interiores de moralidade, prisioneiros de um sistema econômico que usa o sexo como um produto de marketing.


Esta é provavelmente mais uma etapa no caminho evolutivo que a Humanidade vem trilhando, abusando da euforia pela liberdade conquistada após séculos de repressão e atrofia comportamental e psicológica. Cedo ou tarde, dependendo da vontade de cada um em querer enxergar o que está diante dos seus olhos, haverá uma ampla compreensão que o prazer vulgar e promíscuo limita e ofende a expressão da sexualidade, instrumento divino que amparado por sentimentos de amor genuíno e comunhão entre almas potencia a sublimação das emoções e sensações superiores na construção das nossas vidas. Esta ideia de sexualidade proposta pela Doutrina Espírita, leva o indivíduo a ver o sexo de uma óptica mais transcendente e mais responsável, abandonando a visão simplista, biológica, materialista e religiosa a que esteve relegado desde sempre. Os instintos e as sensações, que comandaram os impulsos sexuais noutros tempos e épocas, precisam de ceder o seu lugar ao sentimento. Através de lutas intensas e de um longo processo de aprendizagem, a manifestação da sexualidade encontra-se em permanente evolução, sublimada pela experiência adquirida em sucessivas encarnações, esculpida por níveis crescentes de inteligência e moralidade, exigindo educação, controle e equilíbrio para que possam ser utilizados na construção de uma vivência mais harmoniosa e em nosso proveito físico e espiritual.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.