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Mãe de menino com câncer recusa tratamento e gera debate nos EUA

Mãe de menino com câncer recusa tratamento e gera debate nos EUA



Com 13 anos, garoto tem linfoma de Hodgkin, que pode ser curado. Pais, no entanto, dizem ser contra quimioterapia por razões religiosas.


Luis Fernando Correia
Especial para o G1


Um garoto de 13 anos está com câncer e fugindo da polícia com sua mãe, nos Estados Unidos. Daniel Hauser teve um linfoma de Hodgkin diagnosticado em janeiro desse ano, depois de sentir dores no peito. O linfoma de Hodgkin é um tumor maligno que tem tratamento conhecido e com bons resultados, quando iniciado a tempo.


O tratamento ideal para esse tipo de tumor são sessões de quimioterapia e eventualmente complementação com radioterapia. Depois das primeiras sessões de quimioterapia a família do jovem interrompeu o tratamento e não retornou mais ao hospital. Os médicos apelaram para a justiça estadual, que realizou uma audiência em 15 de maio para avaliar a situação.


A mãe do garoto declarou ser contra a quimioterapia por razões religiosas. A família faz parte de uma seita que segue orientações indígenas e que não admite medicações que ataquem o corpo humano. O rapaz está sendo tratado com ervas e vitaminas. A mãe diz que a quimioterapia seria um veneno para o filho.


Os médicos por outro lado explicaram que o tumor de Daniel tem mais de 90% de chances de ser curado e ele tem somente 5% de probabilidade de sobreviver sem o tratamento. O juiz ordenou que uma avaliação radiológica fosse feita, e os raios-X mostraram que o tumor de Daniel voltou a crescer após o tratamento inicial e está pior do que em janeiro.


Mãe e filho faltaram à audiência marcada para 19 de maio e o juiz emitiu uma ordem de prisão para a mãe, caracterizando o quadro como negligência médica.


As últimas notícias dão conta de que os dois estariam fugindo em direção ao México.


O caso não é inédito nos Estados Unidos, e curiosamente os outros episódios também aconteceram com linfomas de Hodgkin. O tumor atinge adultos, jovens e adolescentes, que por isso são legalmente dependentes dos pais. A discussão é até que ponto a vontade dos pais de um menor pode impedir a um tratamento médico que pode salvar a vida dessa criança. Qual o papel do Estado em proteger as crianças, e qual é o limite para essa proteção?


As dúvidas da sociedade são criadas pelo avanço tecnológico e surgem mais rapidamente do que as leis. Todos nós devemos pensar em que sociedade queremos viver para que esse consenso possa chegar até a Justiça através de novas leis, se for o caso.


Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN.


Notícia publicada no Portal G1, em 21 de maio de 2009.



Leila Henriques* comenta


Se são religiosos os motivos para que não se possibilite ao menino Daniel os recursos da medicina a fim de salvar-lhe a vida, poderemos igualmente lançar nosso olhar pelo ângulo da religiosidade e concluir a favor da Ciência Médica, pois se a vida é um presente divino, como tal deve ser mantida e preservada com todos os recursos possibilitados por esta Ciência.


Este mesmo olhar religioso nos leva a ver que negligenciar ou negar as possibilidades científicas para a cura será o mesmo que fazer uma opção suicida, quando negligenciamos a própria saúde, ou uma opção pelo assassinato, quando a negligência diz respeito à saúde alheia.


Olhando, ainda, pelo prisma religioso, percebemos que os recursos que a medicina nos oferece para darmos continuidade à vida, conferindo-lhe o maior tempo possível, também são concessões divinas, pois que Deus permite que o progresso aconteça na medida em que a Humanidade se ache pronta, tanto intelectual quanto moralmente, para recebê-lo.


Quando a fé não se une à razão, torna-se cega e, na sua cegueira, nega até mesmo os benefícios que nos prodigaliza a Inteligência Suprema, Causa Primária de Todas as Coisas, DEUS.


* Leila Henriques é espírita e colabora na divulgação da Doutrina Espírita na Internet.