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SP: mãe incentiva a filha a brigar na porta da escola

SP: mãe incentiva a filha a brigar na porta da escola



Em uma briga entre alunas na porta de uma escola, a mãe de uma das meninas grita para a filha: "mete o pé que nem eu te ensinei. Mete um soco na cara".


Educação ou deseducação? A violência não está mais apenas na rua, não está mais apenas no trânsito. Está na escola e é ensinada dentro de casa. Um flagrante desse mau exemplo foi feito no interior de São Paulo.


As imagens são estarrecedoras. São quase uma caricatura de tão exageradas. O repórter Leandro Rossito foi até Araçariguama, uma pequena e tranquila cidade no interior de São Paulo, para investigar uma briga entre alunas na porta de uma escola. As respostas que ele ouviu nos fazem parar para pensar.


A briga foi na saída do colégio, e um aluno gravou tudo pelo celular. A mãe de uma das estudantes incita a filha: "vai, mete o pé que nem eu te ensinei. Mete um soco na cara. Seu pai está no carro."


A violência é estimulada por uma mulher que tem obrigação de evitá-la, não apenas por dever de mãe, mas também por profissão. Ela trabalha como monitora escolar.


Depois da confusão, mas calma, Meire Aparecida Fernandes disse estar arrependida e tenta se justificar. “Acho que qualquer mãe ou qualquer pai que visse a filha no chão, por baixo, ia gritar sim para sair debaixo. Eu falava mesmo, porque, se apanhar aqui, ela vai apanhar em casa, porque eu não criei filha para estar apanhando na rua", diz a monitora escolar Meire Aparecida Fernandes.


O Conselho Tutelar levou o caso ao Ministério Público. "Fica uma dúvida: como será a educação que essa adolescente está tendo na casa dela?", questiona o conselheiro tutelar Marcos Silva.


A mãe da aluna que foi agredida, a aposentada Sueli Silvestrin dos Reis, esperava outra atitude da monitora. “Como nós estamos educando nossos filhos, se nós em casa estamos incentivando a violência, se nós estamos ensinando em casa a violência? Se nós estamos ensinando a bater? Acho que isso não é educação", afirma.


O Ministério Público de São Paulo vai investigar a briga. O prefeito de Araçariguama anunciou que vai demitir essa funcionária que incentivou a briga entre a filha e outra aluna.


Notícia publicada no site do Bom Dia Brasil, em 16 de setembro de 2009.



Nara de Campos Coelho* comenta


Violência a granel


Quem gosta de violência? Teoricamente, todos a desprezamos...


Conclama-se a Paz em todos os cantos da Terra. E a guerra continua. Inúmeras passeatas são feitas pela Paz, com a participação de milhares de pessoas. Líderes religiosos falam dela em lindos discursos e frases de efeito. Palavras pela Paz mundial são sempre invocadas, ante a indagação sobre qual nosso desejo maior. Camisetas, pombas brancas, balões brancos, símbolos inúmeros são, artisticamente, criados e usados a favor da conclamação da não violência. Mas sua presença persiste como uma peste a infectar e destruir a sociedade contemporânea.


Se todos a repudiam, por que isto se dá?


Quando uma mãe estimula a sua filha a espancar outra jovem, ditando do alto de sua autoridade todos os lances da “batalha”, que deve ser vencida a qualquer custo, senão a filha apanhará em casa, temos a medida do que se passa na nossa sociedade. Queremos que o outro faça a Paz porque, em nós mesmos, cumpre-nos sempre vencer a guerra da vida, a batalha das emoções e das concorrências cotidianas. Por isto, disse-nos Jesus: “A boca fala daquilo que o coração está cheio!”


Mataram Jesus, mataram Sócrates, Ghandi, John Huss, Martin Luter King e tantos outros que, mesmo em níveis diferentes, seguiam a Paz; viviam e exemplificavam-na. É que tal comportamento provoca o ódio de quem não o pratica, embora o ache politicamente correto. Nosso coração ainda não está cheio da Paz que desejamos...


A violência persiste do lado de fora porque está dentro de nós.


“A minha Paz vos trago, a minha Paz vos deixo; não a Paz que o mundo vos dá”, nos ensina Jesus. Sábio e experiente, o Mestre nos ensina a identificar a diferença que existe entre a Paz interior e a exterior. A exterior, a do mundo, muitas vezes é confundida com ausência de barulho, com o silêncio dos campos, edificada, falsamente, pelo consumismo exagerado, pela riqueza, pelos bens materiais. Por isto, muitas vezes, estamos vivenciando estas conquistas e vivendo num verdadeiro inferno íntimo. A Paz que Jesus nos deixou é a interior, feita do dever bem cumprido, sempre em harmonia com as leis de amor que são divinas e que ele nos exemplificou. Paz é saude e alegria do espírito, nos ensina Emmanuel pela psicografia do, também, missionário da Paz, o querido Chico Xavier.


O que nos falta, a todos que compomos a nossa sociedade, é conhecer Jesus, seguindo-lhe os ensinamentos. Não há diploma de escola alguma que nos ajude a edificar a Paz em nós mesmos. Com Jesus, que o Espiritismo nos faz entender e conhecer, trazemos para a vida prática  seus ensinos, usando toda e qualquer situação a favor de nosso desenvolvimento espiritual, compreendendo a Justiça Divina em seu sentido amplo, jogando por terra a hipocrisia dos teóricos que alimenta o fanatismo religioso e o pedantismo do conhecimento que nos faz sentir donos de tudo, para, enfim, nos despojar de nossas deficiências, transformando-nos moralmente, amando-nos uns após outros...


A violência do nosso cotidiano não está só nas agressões físicas. Está no desequilíbrio moral, na vulgarização da sexualidade, no desrespeito ao corpo físico, aos valores morais e éticos e no palavreado chulo adotado até por quem deveria ser exemplo nacional. Tudo isto concorre para a fomentação de uma atmosfera psíquica deletéria, de baixo nível moral e que vem envolvendo todo o nosso país.


A mãe citada na reportagem é a demonstração desta afirmativa.


Eis que jamais conquistaremos a Paz por decreto. Ela é construção diária das individualidades conscientes que, quando unidas, formam a coletividade consciente. Eis o que precisamos fazer. Apontar os erros é ótimo, quando nos ajuda a evitá-los e a eliminá-los.


Que esta mãe nos sirva de alerta para que nos indaguemos: já edificamos a Paz em nós mesmos?


Pensemos nisto e lembremo-nos, ainda, do conselho do Apóstolo Pedro: ”Busque a Paz e siga-a”.


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.