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Relatório recomenda visitas a sites sociais no trabalho

Relatório recomenda que patrões permitam visitas a sites sociais no trabalho



Uma pesquisa de um centro de estudos britânico sugere que patrões deveriam evitar restringir ou condenar que seus funcionários visitem sites de relacionamento social como Orkut ou Facebook em horários de trabalho.


Segundo a pesquisa do centro de pesquisa Demos as tentativas de controlar o uso destes sites por funcionários podem prejudicar a empresa no longo prazo, pois limitam as formas de comunicação dos funcionários.


A pesquisa sugere ainda que as redes de relacionamentos pela internet podem estimular os funcionários a construir relacionamentos com outros colegas dentro da própria empresa.


O pesquisador da Demos e autor do estudo Peter Bradwell defende o papel que sites como Facebook, MySpace ou Orkut têm sua vida profissional.


"Eles são parte de uma forma de comunicação muito intuitiva. Proibir o Facebook e outros sites vai contra a forma como as pessoas querem interagir. Frequentemente as pessoas fazem amizade com colegas por meio destas redes e é a forma como alguns desenvolvem relacionamentos", afirmou.


No entanto, a pesquisa da Demos recomenda também que as companhias precisam ficar alertas e agir com rigidez em relação aos funcionários que abusam do uso destes sites.



Produtividade


De acordo com Bradwell, o uso destas tecnologias para maior aproximação com ex-funcionários e clientes em potencial também pode aumentar a produtividade, a inovação e criar um ambiente de trabalho mais democrático.


"No ambiente de trabalho atual, onde existem mais dificuldades, a reação mais instintiva é voltar às técnicas tradicionais de comando e controle, que permite que gerentes monitorem e avaliem a produtividade."


"Permitir mais liberdade e flexibilidade aos funcionários pode parecer (uma medida) contra a intuição, mas também parece criar empresas mais capazes de manter a estabilidade", afirmou.


Para Mark Turrel, diretor-executivo da Imaginatik, companhia que desenvolve programas em rede para empresas, a popularidade dos sites de relacionamento mostra que existe a vontade de se conectar com outros, mas o uso destes sites "deve estar atrelado a um objetivo profissional".


Turrell conta que clientes usam seus programas para falar sobre os problemas que enfrentam e então expor estes problemas aos funcionários.


"A primeira pessoa a responder pode não saber a solução, mas pode sugerir alguém que saiba", afirmou.



Regras


Mas, os autores do estudo afirmam que são necessárias regras claras para o uso apropriado de sites de relacionamento.


E as companhias não devem hesitar em falar aos funcionários que passam períodos longos usando estas tecnologias para atividades não relacionadas ao trabalho que seu comportamento precisa mudar.


"(...)Também é bom que as companhias estejam cientes das tensões e analisem a implantação de regras práticas para proteger o impacto positivo das redes de relacionamento", afirmou Robert Ainger, da companhia de telefonia celular Orange, que encomendou o relatório.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 30 de outubro de 2008.



Jorge Hessen* comenta


Peter Bradwell, autor de uma pesquisa feita em um centro de estudos britânico, sugere que os patrões deveriam evitar restringir que seus funcionários visitem sites, de relacionamento social, em horários de trabalho. O autor defende, ainda, a importância que os sites, como Facebook, MySpace ou Orkut têm para vida profissional. Porém, recomenda que as empresas fiquem alerta e interfiram, com rigidez, em relação aos funcionários que abusam do uso desses sites.


Para o pesquisador, a utilização dessas tecnologias, visando maior aproximação com ex-funcionários e clientes em potencial, pode aumentar a produtividade, pode incentivar a criatividade, e pode ajudar a manter um ambiente de trabalho mais democrático. Contudo, alerta que são necessárias regras claras para o uso apropriado de sites de relacionamento. “É bom que as companhias estejam cientes das tensões e analisem a implantação de regras práticas para proteger o impacto positivo das redes de relacionamento", conforme afirmou Robert Ainger, da companhia de telefonia celular, Orange, que encomendou o relatório.(1)


“A maneira como as pessoas interagem com os computadores vai mudar, dramaticamente, nos próximos anos”, afirmou o fundador da Microsoft, Bill Gates, em entrevista à BBC.(2) Ele prevê que as interfaces tradicionais, como o teclado e o mouse, darão espaço, gradualmente, a tecnologias mais intuitivas e "naturais", como o toque, a visão e a fala. “Em cinco anos, teremos dezenas de milhões de pessoas sentadas navegando, organizando suas vidas, usando este tipo de interface de toque.”(3) Cremos que “a Internet tem papel fundamental como palco para a democratização do saber, através de sua diversidade e pluralismo.”(4)


Existem espíritas que veem a Internet com olhos enviesados, aguilhoados pelos seus medos e mitos. Mas, é importante lembrar que o Espiritismo é uma doutrina aberta aos avanços científicos. O pessimista de plantão e o crítico de carteirinha rejeitam a Internet por causa dos excluídos digitais, o que é ainda uma grave realidade. Mas, acredito que, no porvir, ter Internet com tecnologias muitíssimo mais avançadas, usando nossos sentidos, eu diria, será tão comum quanto ter uma geladeira, uma televisão ou mesmo um telefone. Já estamos vendo isso no Estado do Pará.


Transformações sociais, mudanças no panorama dos conhecimentos gerais do homem, não podem estagnar o Espiritismo, não podem fechá-las em um pétreo corpo ortodoxo. A incompatibilidade, que se acredita existir entre tecnologia (ciência) e religião, “provém de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância”.(5) Divaldo diz que “se Allan Kardec estivesse reencarnado, nestes dias, utilizar-se-ia da Internet com a mesma nobreza com que recorreu à imprensa, do seu tempo, na divulgação e defesa do Espiritismo, diante dos seus naturais adversários”.(6)


Segundo o ínclito professor Rivail, "uma publicidade em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até as localidades mais distantes, o conhecimento das ideias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral.”(7)


Desde a popularização do rádio, disseminado em grande parte do mundo, até as décadas de 30 e 40, a expansão da TV, disseminada no Brasil, a partir dos anos 50, a Internet, a partir da década de 90, com a criação dos sistemas de rede (web), creditada a Tim Berners Lee, o nível de informação das pessoas aumentou, consideravelmente. Mesmo aqueles que, na sociedade atual, são considerados ignorantes, detêm um volume de informação muito maior que há algumas décadas. Em termos espíritas, isso pode proporcionar um aprofundamento sobre a Doutrina por parte daqueles que já se dizem adeptos, e, também, atrair outros que tenham alguma informação sobre o caráter conceitual do Espiritismo.


Não devemos temer a Internet, tal qual, no mundo medievo, a Inquisição temia os livros. Apoiados no bom senso kardeciano, é urgente aprendermos a arrostar os desafios cibernéticos, sempre com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer. Devemos saber distinguir o trigo do joio. A Internet, a despeito das informações incorretas, das agressões, das infâmias, da degradação e do crime, é, sem dúvida alguma, um instrumento de grandiosas realizações que dignificam o homem e preparam a sociedade para um porvir mais promissor.


Pela Internet, são possíveis os estímulos de fraternidade entre as diversas instituições espíritas em nível mundial. Pela Internet, está surgindo um novo paradigma para o movimento espírita, reforçando a diretriz dada por Bezerra de Menezes e Ismael, na Pátria do Evangelho. Se o “Convertido de Damasco teve que andar centena de milhares de quilômetros a pé, de cidade em cidade, para divulgar o Evangelho, Deus, atualmente, dá-nos a oportunidade de estarmos no aconchego e comodidade do nosso lar e difundir a Terceira Revelação para todos os continentes.


Diante disso, como garantir que o material postado seja legítimo? Como evitar que surjam cópias falsas ou mal editadas? Ambas as questões são importantes e relevantes, para que possamos entender como aplicar a Internet, corretamente, ao ambiente espírita. Nesse caso, a vigília equilibrada é fundamental para atingir uma abordagem balanceada, que possa explorar, plenamente, a tecnologia que temos disponível, e, concomitantemente, projetar os objetivos maiores do trabalho que está sendo desenvolvido, por permissão do Cristo, em nome da Terceira Revelação.



Fontes:


(1) Disponível em http://www.estadao.com.br/geral/not_ger269431,0.htm, acessado em 20/01/2010;


(2) Bill Gates, em resposta a perguntas de usuários do site em inglês da BBC, disponível em http://www.estadao.com.br/tecnologia/not_tec105424,0.htm, acessado em 20/01/2010;


(3) Idem;


(4) Entrevista de Pierre Lévy (filósofo), dada ao programa Roda Viva, da TV Cultura de SP, em que fala da cibercultura;


(5) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, Cap. I - item 8;


(6) Franco, Divaldo Pereira - Entrevista dada para a Revista Eletrônica  "O Consolador", em 13/04/2008;


(7) Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Projeto 1868.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.