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Bebê é atropelado por trem e sobrevive

Bebê é atropelado por trem e sobrevive



São menos de três segundos. A mãe se distrai, o carrinho desliza para frente, cai entre os trilhos, e é atingido por um trem, que chega exatamente naquele momento à estação, diminuindo a velocidade.


Imagens impressionantes, da cidade de Melbourne, na Austrália, ganharam a atenção do mundo nesta sexta-feira. As cenas, numa estação de trem, mostram um momento de descuido de uma mulher. Por alguns segundos, ela tirou os olhos do filho de seis meses, que estava num carrinho.


E foi por uma sorte incrível que essa história não terminou em tragédia. As imagens foram registradas pelas câmeras de segurança da estação. A mãe aparece no alto do vídeo, com o carrinho do bebê.


Como está ventando, ela arruma o casaco da criança e empurra o carrinho para longe dos trilhos. O que acontece em seguida é de perder a respiração.


Na repetição, é possível perceber que a mãe ainda tenta correr, escorrega, e não consegue alcançar o carrinho.


São menos de três segundos. A mãe se distrai, o carrinho desliza para frente, cai entre os trilhos, e é atingido por um trem, que chega exatamente naquele momento à estação, diminuindo a velocidade. O maquinista acionou imediatamente o freio de emergência.


Agora, acredite: o bebê teve apenas um pequeno arranhão na cabeça. Segundo especialistas, a criança foi salva porque usava os cintos de segurança.


Ao cair entre os trilhos, o carrinho virou de cabeça para baixo. O trem passou por cima do carrinho, que foi arrastado por 40 metros. No vão, embaixo do trem, o bebê ficou o tempo todo preso ao cinto, protegido pela estrutura do carrinho, que foi se despedaçando.


Foi o uso do cinto que teria impedido o bebê de se desprender, e ser atingido pelos trilhos, pelos dormentes ou pelas partes do vagão.


Perto da estação, policiais retiraram os pedaços do carrinho debaixo do trem. Além de ter se distraído, a mãe se esqueceu de fazer algo recomendado pelos fabricantes de carrinhos em lugares perigosos ou inclinados.


Ela não acionou o freio, que mantém as rodas travadas nessas situações. Depois desse grande susto, mãe e bebê passam bem.

Notícia publicada no site do Jornal Nacional, em 16 de outubro de 2009.



Carlos Miguel Pereira* comenta


A notícia e, sobretudo, as imagens que a acompanham são de uma intensidade dramática muito forte, passando para quem as vê diferentes emoções e sentimentos, dependendo do pormenor que a sua sensibilidade dê maior atenção. Poderemos nos comover pelo simples fato do bebê ter saído ileso do choque com um trem, ficar abalados pela incrível coincidência de acontecimentos que levaram a que este acidente acontecesse ou elevarmos o olhar para o céu, enternecidos pela mão protetora de Deus, sabendo não ser chegada a hora daquele Espírito partir deste mundo. Há, no entanto, um momento no vídeo que toca especialmente os corações: Quando a mãe, desesperada com a veloz aproximação do trem e incapaz de socorrer o filho caído nos carris, coloca a sua frágil mão na frente do gigante de ferro que ameaçava uma vida recheada de sonhos e ambições maternais. Certamente, seguiram-se momentos de dolorosa aflição, em que a sua alma perdeu a esperança e o mundo pareceu desabar sob seus pés. No entanto, dos escombros do embate de um colossal monstro com um débil carrinho de embalar, preso por um cinto que o agarrou à vida, surge um milagre de amor e júbilo que a resgata do tormento e a renova na sua fé, oferecendo-lhe uma nova e preciosa oportunidade de concretizar e reorientar os seus sonhos na educação, proteção e crescimento do seu filho.


Esta é uma situação que acontece mais vezes do que se pensa. Distraídos por um mundo que nos procura restringir os desejos a questões fúteis e superficiais, desperdiçamos o nosso tempo e grande parte da nossa vida, não valorizando devidamente quem nos rodeia, o que possuímos e as preciosas oportunidades que foram colocadas à nossa disposição para criar, amar, aprender e evoluir. Cedo ou tarde, fruto de uma qualquer imprevidência ou tendo como causa uma engelha do destino, somos duramente confrontados com a transitoriedade da vida física, mostrando-se através do envelhecimento, de uma doença grave, um acidente trágico ou pela morte de quem amamos. Surpreendidos pelo doloroso choque e reconhecendo a forma descuidada como gastamos o que nos foi oferecido, tal como aquela mãe que vendo o seu filho estendido nos carris estendeu os braços na ilusão de conseguir deter o trem, o nosso desespero leva-nos a procurar suster ingloriamente a inflexível roda do tempo. A preciosidade da vida e dos momentos negligenciados prostram-se diante de nós sem os conseguirmos agarrar. O abalo sofrido transporta consigo uma notável lucidez que proporciona uma consciência nítida dos erros cometidos, gritamos por nova oportunidade de retificação, mas tudo parece arruinado, irremediavelmente perdido e sem esperança. É apenas uma aparência. Se nos dispusermos a enxergar com os olhos da alma, tal como a Fênix que ressurge das cinzas, o milagre da vida, amparado pelo braços de Deus, eleva-se em todos os momentos dramáticos da nossa caminhada como um constante apelo ao aprendizado, à retificação de comportamentos e à revisão das prioridades em que assentamos a existência física. O drama íntimo de cada um é um clamor surdo que nos invoca à superação própria e ao despertar do conhecimento da realidade espiritual, desvendando oportunidades imperdíveis que as nossas imperfeições e as seduções da matéria ocultam de nós mesmos.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.