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Nasa critica Sony por site de filme sobre fim do mundo em 2012

Nasa critica Sony por site de filme sobre fim do mundo em 2012



da Folha Online


Um cientista da Nasa (agência espacial norte-americana) condenou produtores de filmes da Sony, depois de uma campanha de marketing viral cujo teor sugeria que o mundo acabaria em 2012.


De acordo com o jornal britânico "The Daily Telegraph", a Sony colocou no ar um site de uma organização chamada Instituto da Continuidade Humana, que "prevê" um cataclismo atingindo a Terra, daqui a três anos.


"Depois de duas décadas de pesquisa rigorosa dos melhores astrônonomos, matemáticos, geólogos, físicos engenheiros e futuristas, nós sabemos que, em 2012, uma série de forças cataclísmicas vão ocorrer no nosso planeta", diz o site.


A página da Sony também dá detalhes sobre como as eleições para um líder mundial para pós-2012 aconteceriam, a partir do oferecimento de kits de sobrevivência e registrando pessoas em uma loteria para serem salvas.


O site promocional do filme "2012", cujo enredo se baseia nas previsões feitas pelo calendário da civilização Maia, é estrelado por John Cusack e dirigido por Roland Emmerich (que está por trás de sucessos de bilheteria como "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã"). O filme também vai incluir cenas de um tsunami, um acidente de avião na Casa Branca e a cidade de Los Angeles sendo engolida pelo mar.


Ainda de acordo com o site, cientistas encontraram o desconhecido Planeta X, que fica à margem do Sistema Solar, e que está em rota de colisão com a Terra.


Mas o site fez sucesso após centenas de pessoas ficarem convencidas de que algo terrível vai acontecer com o planeta.


David Morrison, cientista sênior do Instituto de Astrobiologia da Nasa, disse que ele recebeu mais de 1.000 questionamentos de pessoas preocupadas com as informações divulgadas pelo site.


Nos remetentes das mensagens, de acordo com ele, estão inclusos adolescentes que relataram vontade de cometer suicídio antes que o mundo acabe. Morrison disse que o site é "eticamente incorreto". Mas Vikki Luya, diretora publicitária da Sony, rebateu o cientista. "É muito claro que este site está conectado com um filme ficcional. Isso pode ser compreendido pela logomarca do site", afirma ela.


Notícia publicada na Folha Online, em 19 de outubro de 2009.



Carlos Miguel Pereira* comenta


A criação, exibição e produção de filmes catástrofe, onde as imagens de destruição e os efeitos especiais dominam sobre histórias medíocres e mensagens de curto alcance, é uma moda que tem atraído às salas de cinema milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, em todas as atividades existem limites éticos que devem ser conhecidos e respeitados, sendo profundamente lamentável que para promover e vender esses filmes seja dada uma aparência de realidade aos acontecimentos retratados, inventando fatos científicos, adulterando profecias antigas, induzindo ao medo e à histeria coletiva de pessoas menos atentas e informadas.


O ano 2012 tem sido indevidamente associado ao fim do mundo, subvertendo uma antiga profecia da Civilização Maia, uma cultura mesoamericana que durou cerca de 3000 anos e que foi particularmente notável nas artes e revelou uma grande sabedoria em algumas ciências, como a arquitetura, matemática e astronomia. Os Maias criaram um sistemas de calendário muito mais complexo e holístico que o nosso, composto por vários calendários sincronizados e interligados, cujas combinações davam origem a outros ciclos mais prolongados. No dia 21 de dezembro de 2012 não termina o mundo, mas sim o maior ciclo do calendário Maia, composto por cerca de 5000 anos. No dia seguinte, começa um novo ciclo de 5000 anos. Segundo os especialistas nesta civilização antiga, existe uma profecia para esta data que pode ser interpretada como a da ocorrência de um grande acontecimento que transformará o mundo. A indústria literária e cinematográfica, sabendo como o medo e a paranóia vendem na nossa sociedade, apoderou-se desta ideia e, com a ajuda das eficazes técnicas de Marketing, deu-lhe uma dimensão descomunal.


Sobre as predições de cataclismos futuros, Allan Kardec, sensato como poucos, dá-nos uma visão muito interessante no Livro “A Gênese”, capítulo XVI – Teoria da Presciência: “A forma geralmente empregada até agora nas predições faz delas verdadeiros enigmas, as mais das vezes indecifráveis. Essa forma misteriosa e cabalística, de que Nostradamus nos oferece o tipo mais completo, lhes dá certo prestígio perante o vulgo, que tanto mais valor lhes atribui, quanto mais incompreensíveis se mostrem. Pela sua ambiguidade, elas se prestam a interpretações muito diferentes, de tal sorte que, conforme o sentido que se atribua a certas palavras alegóricas ou convencionais, conforme a maneira por que se efetue o cálculo, singularmente complicado, das datas e, com um pouco de boa vontade, nelas se encontra quase tudo o que se queira.”


O cenário do fim do mundo alimenta a imaginação do ser humano desde sempre. Praticamente todas as civilizações e culturas, principalmente as antigas, criaram lendas e mitos que representam de uma forma mais ou menos criativa o apocalipse. Esta obsessão pelo fim do mundo nasce predominantemente da visão limitativa que o Homem tem da renovação física e moral da humanidade, achando que apenas a destruição e a criação do novo por cima das ruínas do velho podem criar condições para a existência de um mundo melhor. O Planeta Terra não está a salvo de um cataclismo avassalador, mas depois das transformações geológicas abruptas que ocorreram há milhares de anos e que mudaram o seu aspecto geral, entrou num período de alguma estabilidade ao nível da sua estrutura física. Em termos científicos, os mais reconhecidos especialistas nas mais diversas áreas já vieram garantir que não existe qualquer evidência que algo de súbito e extraordinário possa afetar fisicamente o nosso Planeta nos próximos tempos, garantindo que a paranóia que tomou conta da indústria cinematográfica e de boa parte da internet não é assente em dados científicos.


O nosso Planeta também está submetido à Lei do Progresso e como tal se transformará fisicamente pela modificação gradual dos elementos que o constituem e moralmente pela renovação e melhoramento dos Espíritos que o povoam. No livro “A Gênese”, capítulo XVIII, “São chegados os tempos”, mais uma vez as palavras de Allan Kardec são preciosas: “A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas. Tudo, pois, se processará exteriormente, como sói acontecer, com a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.”


Em vez de um cataclismo destruidor, poderá estar chegando o tempo da Humanidade dar um passo em frente na escala dos mundos, substituindo a competição pela cooperação, a inveja pela admiração, o progresso sem limites pela preocupação com a harmonia e o equilíbrio da sociedade e dos ecossistemas, o individualismo pela solidariedade. Poderá estar chegando o tempo em que a vida de uma criança na África tenha tanto valor como a vida de uma criança na Europa ou na América. Poderá estar chegando o tempo em que enterraremos os costumes bárbaros que nos aproximam da natureza animal. Poderá estar chegando o tempo em que eliminaremos das nossas vidas as crenças supersticiosas e dogmáticas. Poderá estar chegando o tempo em que o amor e a tolerância triunfarão sobre a hipocrisia, a indiferença, a corrupção e a discriminação. Poderá estar chegando o tempo em que a Humanidade, farta de guerras, divisões, ódios, ciúmes e promessas fictícias de felicidade consumista, perceba a irracionalidade deste modo de vida, entenda o vazio das ideias materialistas e a incapacidade que essas ideias possuem para lhe oferecer uma felicidade firme e duradoura.


Segundo o calendário Maia, no dia 22 de dezembro de 2012, inicia-se um novo ciclo para o mundo. Cabe a cada um de nós, trabalhar por si e pelos outros, renovar a si mesmo e transformar o que o rodeia para que possa participar na inauguração de uma nova era para a humanidade.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.