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"Detesto grande parte da espécie humana", declara Brigitte Bardot

"Detesto grande parte da espécie humana", declara Brigitte Bardot



da Efe, em Roma


A atriz francesa Brigitte Bardot disse que detesta "uma grande parte da espécie humana" e que se sente "muito mais próxima à natureza e aos animais que ao homem".


Em entrevista publicada neste sábado (26) pelo jornal italiano "La Repubblica" - na qual a musa do cinema francês e conhecida ativista para a proteção dos animais rememora seus 75 anos -, Bardot acrescentou que abraçou o ativismo "para dar um sentido" à sua existência.


Além disso, afirmou que escolheu a solidão para defender-se e manifestou: "Me preservo da humanidade que me envolve. Uma humanidade ruidosa e intrometida. Vivo rodeada de animais, árvores, flores. Tenho cavalos, burros, cabras, porcos, galinhas e, obviamente, cachorros e gatos. Nem sequer sei quantos tenho".


Perguntada sobre as lembranças de suas histórias de amor passadas, a atriz respondeu que "tem belas imagens e belas lembranças" e assinalou que a pessoa que mais amou em sua vida foi a seu avô.


Sobre sua decisão de abandonar a cena cinematográfica, Bardot afirmou que em 1973, aos 38 anos, não foi o cinema que "provocou uma chaga profunda" em seu coração mas a vida, e que desde então optou por dedicar-se "exclusivamente à proteção dos animais".


A ex-atriz observou que a última vez que entrou em um cinema foi há cerca de trinta anos, e declarou que estima aos diretores com talento, embora veja "poucos" na cena atual.


Bardot afirmou, também, que a política é um tema que lhe "causa profundo desgosto" e apontou que após sua morte quereria ser recordada por sua "batalha pelos direitos dos animais".


Notícia publicada na Folha Online, em 26 de setembro de 2009.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Nas últimas décadas, devido à preponderância que a mídia assumiu na nossa sociedade, cultiva-se uma veneração exacerbada a certas personalidades que adquirindo algum destaque no cinema, televisão e música, transformam-se em ídolos e referências para milhões de pessoas em todo o mundo. Na televisão, pululam os jovens e menos jovens que aceitam expor dramaticamente a sua intimidade na ansiosa busca pela fama. O drama do anonimato é uma marca desta geração. Diz-nos o Espírito do ilustre compositor Italiano Rossini, na Revista Espírita de 1869: “Não desejeis a glória; não desejais ser conhecidos; sede úteis. A popularidade tem os seus espinhos, e, mais de uma vez, me encontrei pisado pelas carícias muito brutais da multidão.”


A fama é uma prova tremenda, já que é um estimulante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. São muitos os exemplos de figuras públicas que, atingindo um alto patamar nos degraus da fama, se viram incapazes de suportar a pressão, mergulhando em profundas depressões, vícios destruidores, tentativas de suicídios e crimes hediondos. Quantos exemplos não existem de ícones com pés de barro, que mostraram uma inaptidão atroz para lidar com as “carícias muito brutais da multidão”? Desde pequenos, passaram noites inteiras sem dormir imaginando o seu nome estampado nos jornais e o seu rosto na tela da televisão. Sonhavam com a veneração da multidão. Concretizado o desejo, a armadilha do orgulho, do egoísmo e dos prazeres físicos torna-se tão forte e sedutora que poucos ousam resistir. Muitos acabam iludidos por uma vida de luxo excêntrico, não conseguindo suster a decadência moral a que se entregam. Cultivam a onipotência, os tiques bizarros, a superficialidade e a ostentação, colocando-se a si próprios num patamar distinto do comum dos mortais. Desgastados por um estilo de vida focalizado na satisfação dos prazeres sensórios, esquecem os deveres sociais que possuem e ignoram as responsabilidades espirituais a que se propuseram, em que deveriam procurar utilizar a sua maior exposição pública como uma forma de influenciar positivamente os outros.


Cansada de uma vida de estrela, perseguida constantemente pelos repórteres e atormentada pela constante devassa da sua vida íntima, Brigitte Bardot afastou-se prematuramente do cinema, refugiando-se na solidão e nos braços da Natureza. Utilizou muito bem a sua exposição midiática e tornou-se numa das vozes mais ouvidas na defesa dos direitos dos animais. As suas palavras, no entanto, denotam uma desilusão vincada e muita raiva contida, pela forma como foi tratada pela opinião pública, mas também pela crueldade com que os homens tratam os animais. Diz-nos Emmanuel, em Fonte Viva: “Não te isoles no orgulho com que te presumes superior aos demais. A comunidade é um conjunto de serviço, gerando a riqueza da experiência. E não podemos esquecer que a harmonia dessa máquina viva depende de nós. Quando pudermos distribuir o estímulo do nosso entendimento e de nossa colaboração com todos, respeitando a importância do nosso trabalho e a excelência do serviço dos outros, renovar-se-á a face da Terra, no rumo da felicidade perfeita.”


A nossa sociedade é ainda bastante imperfeita. Através do nosso egoísmo, insensibilidade e indiferença: desgastamos os preciosos recursos naturais; massacramos os animais com requintes de malvadez; provocamos desigualdades sociais profundas; devastamos populações inteiras com guerras inúteis; aceitamos a corrupção e a mentira; cultivamos o preconceito e a competição; cedemos à inveja corrosiva; somos extremamente frágeis diante das tentações dos prazeres materiais. Essa é a espécie humana, rumo ao aperfeiçoamento constante da sua capacidade moral, da manifestação do seu amor e de utilização do seu conhecimento. Certo homem, vítima de uma injustiça inigualável e crucificado por uma multidão ignorante, gritou do alto da sua sabedoria e compreensão: “Perdoa-lhes, Pai! Eles não sabem o que fazem!”


A humanidade ainda vive uma infância espiritual e está exposta aos erros naturais da sua ignorância. Através da Lei da Reencarnação, sabemos que tudo na vida é evolução e se alguns indivíduos estão uns passos atrás ao nível moral, a sua experiência diária em contato com as dores inevitáveis da sua existência, os levarão a superar-se e a crescer como Espíritos. Os atos maldosos desse mundo têm como origem criaturas imaturas que ainda não sabem o melhor rumo a dar aos seus impulsos e motivações íntimas. Para quê o desprezo por esses meninos que ainda não aprenderam a amar? Não fomos já um deles? Não seremos ainda? Isso é tão insensato como uma professora, no primeiro dia de escola, desprezar os seus alunos por estes ainda não saberem ler. Exercitemos a tolerância, a compreensão e a expressão do nosso amor. Só assim poderemos participar na transformação que pretendemos para o nosso mundo.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.