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Pão, café e aulas de preservação

Pão, café e aulas de preservação



Padarias coletam óleo de cozinha


Fernanda Aranda, SÃO PAULO


A onda "verde" chegou às padarias paulistanas e foi reforçada ontem com a campanha lançada pelo Sindicato das Panificadoras (Sindipan). Além do famoso "pingado" com pão na chapa, os balcões vão oferecer aulas de conscientização ambiental aos clientes. Os estabelecimentos participantes que já haviam trocado os sacos plásticos por sacolas ecológicas, a ecobag, agora viraram ponto de coleta do óleo de cozinha usado por famílias para encaminhá-lo a dois destinos: produção de biocombustível ou material de limpeza.


"As padarias há muitos anos estão engajadas no tema reciclagem e a nossa proposta é embutir a responsabilidade socioambiental nas donas de casa, pais de família e todos que frequentam o local", afirmou o presidente do Sindipan, Antero Pereira. "Primeiro adotamos as sacolas vai e volta, agora estamos atuando com o destino correto para o óleo de cozinha. Nosso próximo passo, em estudo, é fazer com que as padarias recebam garrafas pet."


A transformação das padarias em polos de coleta do óleo de cozinha foi conseguida com a parceria entre o sindicato e duas ONGs que atuam na área, a Trevo e a Bioauto. Essas duas entidades ficam responsáveis por recolher periodicamente o material nas padarias.


A estimativa é de que 2 mil estabelecimentos abracem a causa. Um que já aderiu fica no Brooklin, zona sul, e é de propriedade do português Carlos Gonçalves Teixeira, que desde os 15 anos, idade com que veio morar no Brasil, trabalha em padarias. "A causa ambiental já sensibilizou todos nós e não dá para ficar de fora", disse. Teixeira e o irmão, João Gonçalves Teixeira, desde ontem já distribuíram potes aos clientes para a coleta do óleo. "Isso evita que o material seja despejado em esgotos, um ganho imenso ao meio ambiente."


A adesão aos programas ambientais, avalia Francisco Antônio Menezes, proprietário da Boston Baked, padaria em Moema, também na zona sul, reforça o papel social exercido por esse tipo de comércio. "As padarias são refúgios dos moradores. E estão envolvidas em várias causas do bairro onde ficam", afirmou.


"Nós, por exemplo, oferecemos desde alimentos para as comunidades carentes às festas tradicionais e quermesses de igrejas, como colocamos cartazes de pessoas desaparecidas na parede, informamos à polícia sobre a criminalidade local", completa Menezes, que recicla há anos o óleo de cozinha. A mesma avaliação partilha o gerente da padaria Juriti, também em Moema, João Alvaro. "A reciclagem chegou aqui para nós há dez anos e temos a missão de divulgar para a comunidade", disse ele.


Júlio Moregola, proprietário da Gran Fornalha, no Pacaembu, zona oeste, palpita sobre o engajamento dos locais em causas sociais. "Como café e pão são os ingredientes mais democráticos do País. Atuamos em variados problemas: da causa ambiental ao desemprego, já que é aqui que o fulano conta que está sem trabalho e nós lembramos que o sicrano precisa de alguém. Somos pontes."


Notícia publicada no estadao.com.br, em 15 de julho de 2009.



Sergio Rodrigues* comenta


Ensinam os Espíritos que o instinto de conservação é uma lei da Natureza, que todos os seres possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência. Deus nô-lo concedeu pela necessidade de viver, a fim de que possamos participar da obra da Criação, dando cumprimento aos desígnios da Providência e darmos seguimento ao processo de nosso aperfeiçoamento moral e intelectual. Cuidar da Natureza é, portanto, um dever que cabe a todos, desde as mais simples atitudes, como esta, adotada pelos estabelecimentos panificadores de São Paulo.


Mas este é um aprendizado a ser conquistado no dia a dia, paulatinamente, pois a Natureza não dá saltos. As ideias postas em prática por esses estabelecimentos comerciais, embora aparentemente simples, contribuem de modo eficaz para a formação de uma consciência coletiva quanto à necessidade de preservação do meio ambiente. Muitas das vezes, temos essa consciência, mas encontramos dificuldades no cotidiano para podermos transformá-la em atitude. Sendo um tipo de atividade de frequencia quase que obrigatória por todos - quem é que dispensa o seu pãozinho diário?... -, as padarias podem, efetivamente, transformar-se em polos irradiadores da formação de uma consciência ecológica ainda tão distante da maioria. Na medida em que passam do simples discurso para a prática, esses panificadores estão dando oportunidade àqueles que já perceberam essa necessidade. É um exemplo valioso, que deve ser seguido por todos, cada uma dentro da sua área de atuação, inclusive pelos governantes, que, em sua maioria, nada fazem nesse sentido. Se cada um fizer a sua parte, por menor e mais insignificante que possa parecer, estaremos, pouco a pouco, avançando na preservação do planeta e, consequentemente, dando-nos uma melhor condição de vida.


Os espíritas, que já conhecemos o fenômeno da reencarnação e sabemos que deveremos voltar à vida terrena, mais do que quaisquer outros, temos o dever de dar a nossa contribuição para que a Terra possa nos oferecer uma melhor qualidade de vida, pois a ela, certamente, retornaremos muitas vezes. Pelo ensinamento, mas também, e principalmente, pelo exemplo.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.