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A vida de Chico Xavier filmada na ABI

A vida de Chico Xavier filmada na ABI



Bernardo Costa


Entre os últimos dias 1º e 16, o edifício-sede da ABI foi cenário de locação para as filmagens de “Chico Xavier — O filme”, dirigido por Daniel Filho, baseado no livro “As vidas de Chico Xavier”, do jornalista Marcel Souto Maior. A equipe segue agora para Uberaba, Minas Gerais, onde serão rodadas as cenas finais.


O ator Nelson Xavier, que interpreta o médium na idade adulta, é destaque do elenco estelar formado por Tony Ramos, Christiane Torloni, Cássia Kiss, Paulo Goulart, Rosi Campos, entre outros.


— Estou muito feliz com o resultado deste trabalho. Interpretar Chico Xavier está transformando minha vida em todos os sentidos — comentou o ator após as gravações na última sexta-feira, dia 14, na ABI.


Vindo de São Paulo, Marcel Souto Maior visitou as filmagens pela primeira vez também neste dia. O jornalista assistiu ao trailer, e já gostou do que viu:
— A obra traz uma visão nada doutrinária ou dogmática sobre a vida do médium. Mostra o clima de tensão que envolve Chico Xavier, cercado de cobranças e descrenças por parte daqueles que duvidavam da espiritualidade dele, o mesmo caráter que procurei dar ao livro.



Tendenciosa


O primeiro set foi ambientado no 7º andar do edifício-sede da ABI, onde estão localizadas as salas da Presidência, a redação do ABI Online e o setor administrativo, onde foi recriada a redação da revista “O Cruzeiro”, que, em 12 de agosto de 1944, publicou entrevista com Chico Xavier, assinada por David Nasser e Jean Manzon, interpretados pelos atores Charles Fricks e Jean Pierre Noher.


Segundo Marcel Souto Maior, a intenção dos dois jornalistas era desmoralizar o médium, por acreditarem tratar-se de um charlatão:


— Foi uma reportagem muito irônica e tendenciosa. Eles deram nomes falsos e disseram que eram estrangeiros, para evitar resistência por parte do entrevistado. A entrevista foi realizada em Uberaba, onde morava o médium. Ao final, Chico Xavier deu um exemplar autografado de um livro para cada um deles. Quando David Nasser chegou ao Rio de Janeiro, leu a dedicatória: “À David Nasser, com um abraço do Emmanuel”, que era o guia espiritual do médium. Este fato não foi mencionado na reportagem, mas, mesmo assim, ela foi escrita para prejudicar Chico Xavier, que, ao ler a matéria, chorou muito, e foi consolado por Emmanuel, que disse: “Jesus Cristo foi crucificado na cruz e você apenas em “O Cruzeiro”. No final da vida, David Nasser admitiu ter sido este um de seus maiores arrependimentos.



Set de filmagem


O segundo set foi rodado no 9º andar da ABI, que abriga o Auditório Oscar Guanabarino, transformado no auditório do programa “Pinga-Fogo”, da TV Tupi, onde, em 1971, Chico Xavier foi entrevistado pelos jornalistas Saulo Guimarães, Letícia de Almeida, Menezes de Assis, João Leonardo, Daniel Albuquerque, interpretados pelos atores Paulo Goulart, Glaucia Rodrigues, Thelmo Fernandes, Daniel Jaimovich, Luis Serra.


— Este foi o dia de maior audiência do programa, que tinha duração de 60 minutos, mas ficou no ar ao longo de quase três horas. Depois desta entrevista, Chico Xavier se tornou conhecido nacionalmente, e não apenas por mineiros, cariocas e paulistas — explicou Marcel Souto Maior.


O jornalista, que também é diretor do programa “Profissão repórter”, da TV Globo, recordou ainda que a participação do médium no programa “Pinga-Fogo” fez muita gente duvidar da própria descrença:


— Ele disse que vivíamos cercados por espíritos, que o guia espiritual Emmanuel estava ao lado dele, e, ao final, psicografou uma mensagem.



Responsabilidade


Por envolver a fé de milhões de brasileiros, Daniel Filho afirmou que dirigir “Chico Xavier — O filme” é uma responsabilidade muito grande:


— O Espiritismo é seguido por muita gente, e Chico Xavier é o homem mais conceituado na religião no Brasil. Pra você ter uma ideia, foi realizada uma pesquisa em Minas Gerais para saber quem era o mineiro mais importante do País. Em primeiro lugar ficou Chico Xavier, seguido por Pelé e Juscelino Kubitschek.


As filmagens, segundo Daniel Filho, ainda não têm prazo estipulado para chagar ao fim:


— Mas posso garantir que o filme vai estrear no dia 2 de abril de 2010, quando Chico Xavier completaria cem anos de nascimento — afirmou o diretor.


Notícia publicada no site da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), em 17 de agosto de 2009.