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Rio inventa mãe comunitária

Rio inventa mãe comunitária



Gilberto Dimenstein


A Prefeitura do Rio está criando em 150 de suas escolas localizadas em regiões conflagradas a atividade de mãe comunitária. Essa é daquelas ideias para ser acompanhada em todo o Brasil, já que pode se converter num recurso para melhorar, ao mesmo tempo, o ensino e combater a violência.


Cada escola terá três mães, todas com uma ajuda de custo mensal. Seu papel será fazer a ponte entre a escola e as famílias, ajudando a reduzir a evasão, atrasos e até problemas de indisciplina. Cria-se uma ponte com os professores através de uma figura popular no bairro.


Essa mãe terá o apoio de um educador comunitário, que deverá ser um professor que, de preferência, more na comunidade. Essas duas figuras, a mãe e o professor, terão como missão criar uma rede de apoio entre a escola e seu entorno, fazendo alianças com lideranças e espaços locais.


Se é verdade que há uma relação direta entre violência e capital social - e envolvimento familiar e ensino - esse projeto de baixo custo é mais uma entre tantas possibilidades para gerar cidades mais civilizadas. As inovações fazem parte do projeto Escola do Amanhã, que visa colocar os alunos não só em tempo integral mas com atendimento integral.


A questão, como sempre, é saber se vai ter boa gestão. Apenas por um problema de gestão, muitos projetos de educação em tempo integral (os famosos Cieps, de Brizola) não foram para frente.


Notícia publicada na Folha Online, em 6 de abril de 2009.



Sergio Rodrigues* comenta


Esta é uma maneira bastante prática e eficaz de aproximar o poder público daqueles que, em última análise, são a sua razão de ser, que é o povo. O professor que pertence à comunidade aliará a sua formação pedagógica ao conhecimento das reais necessidades da população, tornando-se um canal de ligação entre a população e o poder político fiel ao interesse público.


O resultado terá tudo para ser compatível não apenas com os objetivos educacionais da escola, como também com a realidade daqueles que dela necessitam. A integração, neste caso, será o fator fundamental para o êxito da empreitada, que, todavia, dependerá da maneira como será gerida a ideia, conforme destaca o jornalista. Será importante evitar que a ingerência de interesses político-partidários, de natureza pessoal, tão comuns em nosso país, venham a prevalecer, contaminando uma iniciativa que tem tudo para se tornar um fato positivo.


Vamos aguardar para ver como vai se desenvolver na prática essa iniciativa. A expectativa é que venha a contribuir para diminuição da tensão social, que está na base da violência em nossas cidades, gerada principalmente pelo desnível sócio-econômico que presenciamos em nossa realidade.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.