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A escuridão cósmica que desafia a ciência

A escuridão cósmica que desafia a ciência



Especialista americano na chamada energia escura vem ao Rio para falar de força misteriosa que viola leis naturais


Carlos Albuquerque


• Onze anos depois do seu descobrimento, ainda não está claro para os cientistas o que é a energia escura. Essa misteriosa força, que compõe até 70% do Universo - o restante é matéria - e o faz se expandir em velocidade acelerada, desafiando a gravidade, é um dos grandes enigmas cósmicos, um desafio para astrônomos e físicos.


Não por acaso, a próxima reunião do Dark Energy Survey (DES) - projeto internacional que visa a estudar a natureza da energia escura - vai acontecer, a partir de segunda-feira, no Observatório Nacional e no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio, com a presença de centenas de pesquisadores do mundo inteiro, incluindo o físico americano John Peoples, coordenador do projeto.


O GLOBO: O que é, afinal, a energia escura? Ela é algum tipo de antigravidade?


JOHN PEOPLES: A energia escura é uma propriedade do espaço vazio, do vácuo. Ela é uma surpresa, ninguém esperava que ela existisse. Sabemos que o Universo possui matéria e está se expandindo. O que se acreditava era que a força da gravidade dessa massa fizesse com que a expansão fosse freada em algum momento. Em 1998, porém, descobrimos que isso não estava acontecendo e que o Universo estava se expandindo de forma acelerada. A força que move esse fenômeno foi chamada de energia escura, algo que podemos, de certa forma, inferir, mas não sabemos exatamente o que é. E embora ela tenha um efeito contrário ao da energia da gravidade, não acredito que podemos chamá-la de antigravidade.


Será possível imaginar que, em algum momento, a energia escura e a gravidade vão encontrar algum tipo de equilíbrio de forças?


PEOPLES: Não sabemos. Mas Einstein nos deu uma ferramenta para entendermos isso: a chamada constante cosmológica, ou seja, a ideia de que o vácuo conteria energia. Ele teve essa ideia quando foi provado que o Universo estava em expansão. Pela sua teoria da relatividade geral, o Universo deveria encolher por causa da gravidade.


Até quando o Universo vai se expandir?


PEOPLES: Difícil dizer. Já houve um período no qual o Universo se expandiu exponencialmente, o que chamamos de período de inflação. Ele se expandiu tão rapidamente que um sinal de luz emitido não conseguiria chegar a um determinado ponto porque o espaço ficava maior a cada momento. Esse fenômeno parou e recomeçou, há cinco bilhões de anos, mas não sabemos explicar por que ele recomeçou.


A energia escura é uma constante ou depende de alguma coisa?


PEOPLES: Esse é um dos objetivos do DES, descobrir se a energia escura é uma constante ou depende de algo. Mas acreditamos que existam pequenas variações dentro dela.


Qual a importância do DES para a compreensão da energia escura?


PEOPLES: O DES pretende fazer uma varredura profunda no espaço, que nos permita ver mais objetos e aprender mais sobre a energia escura. Precisamos saber, por exemplo, se ela é a mesma em uma direção que em outra.


Quanto tempo levará até que a ciência compreenda totalmente o que é a energia escura? Estamos mais próximos de uma resposta?


PEOPLES: Demos alguns passos importantes nesses onze anos, mas não muitos. No momento, precisamos medir a energia escura com a máxima precisão possível para saber do que ela depende. Isso já vai ser um grande avanço. Mas respostas completas, isso ainda vai demorar bastante.


Como a energia escura pode mudar a forma como observamos as leis da natureza? Se eu jogar uma moeda para cima, ela vai subir um pouco e depois vai cair de volta na minha mão. Por que isso não se aplica às galáxias?


PEOPLES: A energia escura não é perceptível em pequena escala, como nesse seu exemplo. Ela funciona numa escala cosmológica, agindo contra a gravidade e afastando as galáxias umas das outras.


Se Einstein estivesse vivo, qual seria sua reação à energia escura?


PEOPLES: Acredito que ele ficaria muito excitado em participar do DES.


Notícia publicada no Jornal O Globo, em 22 de maio de 2009.



Rosângela Pertile* comenta


Esta matéria é bastante interessante, pois com ela podemos analisar criticamente o progresso da Ciência face às revelações da Doutrina Espírita.


Vejamos a resposta do Sr. John Peoples, quando perguntado sobre o que é a energia escura: "a energia escura é uma propriedade do espaço vazio, do vácuo. Ela é uma surpresa, ninguém esperava que ela existisse."


Começamos a perceber a dificuldade da Ciência em definir conceitos novos em cima de teorias já alicerçadas. Por definição, Vácuo é "Espaço, imaginário ou real, não ocupado por coisa alguma; lacuna, vão, vazio" (Dicionário Aurelio).


Se o vácuo é o nada, o vazio, a energia escura não pode ser uma propriedade de algo que não existe. Alguma coisa existe, mas que foge à compreensão do homem atual.


E como a Doutrina Espírita nos traz este conceito?


Sabemos que a Criação Divina se perde pela eternidade, e desde sempre houve a criação de Universos, e, nestes Universos infinitos, há o elemento material chamado Fluido Cósmico Universal. E este fluido, que se apresenta materializado no nosso mundo, se apresenta quintessenciado neste e em outros Universos, por isso os cientistas não o identificam.


Com o avanço da tecnologia em nosso planeta, os cientistas começarão, a cada dia, a encontrar mais provas do mundo quintessenciado formado pelo fluido cósmico universal.


* Rosângela Pertile é trabalhadora do Centro Espírita Léon Denis, do Rio de Janeiro, e colaboradora do Espiritismo.net.