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Italiana que perdeu voo 447 morre em acidente de carro

Italiana que perdeu voo 447 morre em acidente de carro na Áustria



da Folha Online


A italiana Johanna Ganthaler, que "sobreviveu" ao acidente com o Airbus da Air France por ter perdido o voo 447, morreu em um acidente de carro na Áustria. Segundo a agência Ansa, o marido dela, Kurt Ganthaler, que também viajaria do Rio a Paris na aeronave, ficou seriamente ferido.


O Airbus caiu no oceano Atlântico com 228 pessoas, de 32 nacionalidades. Entre elas, 72 franceses, 59 brasileiros e 26 alemães. Desde o último sábado (6), autoridades brasileiras e francesas resgataram 41 corpos.


Johanna, uma aposentada da Província de Bolzano-Bozen, na Itália, passou férias no Brasil com o marido e pretendia voltar para casa no dia 31 de maio, quando aconteceu o acidente. Após perder o avião da Air France, eles foram à Europa em outro voo.


O acidente envolvendo o carro onde estava o casal ocorreu em uma estrada de Kufstein, na Áustria. O veículo tombou ao tentar desviar de um caminhão.



Voo 447


Não há hipóteses claras sobre o que pode ter derrubado a aeronave, mas já há certeza de que o avião sofreu despressurização e uma pane elétrica, porque a aeronave enviou alerta automático do tipo durante o voo. Sabe-se também que a aeronave enfrentou forte turbulência.


As primeiras suspeitas sobre o acidente recaem sobre os sensores de velocidade e a força do vento. Aparentemente, os sensores falharam nos minutos imediatamente anteriores ao acidente, segundo 24 alertas automáticos enviados pelo avião.


Notícia publicada na Folha Online, em 11 de junho de 2009.



Carlos Miguel Pereira* comenta


O Livro dos Espíritos, Capítulo X – Lei da Liberdade – Item VI – Fatalidade, juntamente com a notícia em questão, oferecem-nos excelentes oportunidades para profundas reflexões. Na realidade, nos comportamos quase sempre como se nunca fossemos deixar esta vida física, negligenciando o essencial da existência e concentrando as nossas energias nas coisas mais efêmeras e passageiras.


O ocorrido com esta cidadã italiana, convida-nos a interiorizar: a inevitabilidade da morte física; o fato de o amanhã ser um conceito incerto; a vida física ser preciosa, mas transitória; a insensatez do desperdício de tempo quando não sabemos o que nos reserva a vida.


A reencarnação é uma oportunidade sublime para qualquer Espírito, para que possa crescer e evoluir, caminhando passo a passo para a perfeição. Como nos esclarece a questão 851, de O Livro dos Espíritos, cada um de nós escolhe o gênero de provas que terá de enfrentar, delineando o esboço do seu destino. Este destino é consequência das nossas atitudes, conformes ou contrárias às leis naturais que regem a harmonia do Universo, e poderá ter efeitos imediatos ou num futuro mais ou menos distante. É a chamada Lei de Causa e Efeito.


Apesar de todos nós nos encontrarmos limitados ao contexto daquilo que somos e fomos, fazemos e fizemos, na Doutrina Espírita não existe determinismo. Como nos revela a questão 860, de O Livro dos Espíritos, nós influenciamos constantemente o nosso “destino” através da nossa conduta, agravando ou esbatendo os efeitos nocivos e promovendo ou diminuindo os efeitos bons. Segundo os Espíritos, na questão 853, de O Livro dos Espíritos: “Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar-vos.” O momento da morte física, como não poderia deixar de ser, é uma prova inevitável para todos nós. Dependendo do tipo de morte, a prova poderá ser maior ou menor. As provas são etapas imprescindíveis para que as limitações atuais e os erros do passado possam ser ultrapassados, limando arestas e sublimando o Espírito.


Seria uma enorme pretensão procurar determinar as causas que estão na origem de determinados acontecimentos que transcendem a nossa compreensão. Qualquer tentativa de encontrar essa explicação seria um exercício de adivinhação, e a Doutrina Espírita não se presta a simples suposições e hipóteses. Quando falarmos de acidentes coletivos, evitemos generalizar e encontrar explicações que não assentem em bases sólidas que a razão possa derrubar. Mantenhamos a nossa humildade perante a providência divina que é sábia, infinitamente bondosa, justa e não age segundo a visão imediatista a que nos habituamos. Percebamos que a prova que as vítimas destes acidentes, e também seus familiares, enfrentaram e enfrentam, era uma necessidade de aprendizado que tinham que adquirir, por mais difícil que ela possa parecer.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.