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Detentas de Curitiba fazem vestidos de alta costura

Detentas de Curitiba fazem vestidos de alta costura



A modelo que desfila veste uma peça cuja grife não é uma assinatura famosa do mundo da alta moda. Nem foi costurada para circular na alta sociedade. É uma amostra do trabalho de uma dúzia de detentas de uma penitenciária do Paraná, iniciativa de voluntários que procuram valorizar, nos presídios, a função de casas de reeducação. Por entender que a experiência está afinada com o programa "Começar de Novo", o Conselho Nacional de Justiça publicou em seu site o texto reproduzido a seguir:


A Penitenciária Feminina de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), oferece oportunidade de trabalho às detentas. Um grupo de 12 presas recebe aulas para confecção de vestidos de alta costura. Elas produziram cerca de 45 vestidos que foram expostos, no dia 7 de abril passado, em um desfile de moda no museu Oscar Niemeyer. Iniciativas como essa são estimuladas no programa Começar de Novo, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destinado à ressocialização de detentos.


A produção das peças foi possível graças à doação de máquinas de costura feita pelo Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar Ação Social) e dos tecidos doados pela Receita Federal. As detentas receberam um curso especial de alta costura, que foi oferecido por dois empresários dessa área. As apenadas receberam aulas aos sábados para confecção dos vestidos,que possuem acabamento artesanal. Elas ainda estão recebendo treinamento e, ao final, aquelas que saírem do presídio receberão uma máquina de costura doada pela Provopar.


Os vestidos produzidos pelas detentas não foram comercializados. A Propovar Ação Social e os empresários colaboradores decidiram utilizar as roupas como exemplo de trabalho desenvolvido dentro de presídio. No próximo dia 28 haverá outra exposição das roupas na Escola de Governo do Paraná.


O presídio oferecerá o curso a outras detentas para permitir que elas tenham um ofício. As participantes recebem um salário que vai para suas famílias e para uma poupança que só pode ser utilizada pela própria detenta ao sair do presídio. Além disso, a cada três dias de trabalho, um dia da pena é reduzido.


Notícia publicada no Blog do Fred, em 16 de abril de 2009.



Sergio Rodrigues* comenta


Sendo uma das leis da Natureza, o trabalho constitui uma necessidade para o homem. Em condições normais, é através do trabalho que ele consegue atender às necessidades e os gozos que o processo civilizatório lhe impõe. No caso da notícia em questão, tratam-se de detentas que buscam preencher o tempo de enclausuramento com uma ocupação útil. Ao invés do ócio viciante e improdutivo, dedicam-se ao trabalho. Ensinam os Espíritos que o trabalho é uma consequência da natureza corporal, funcionando como um meio de aperfeiçoamento de sua inteligência. Sem ele, o espírito permaneceria indefinidamente na infância espiritual, daí o seu alimento, a sua segurança e o seu bem-estar dependerem do trabalho. Por isso, os Espíritos o definiram como sendo "toda ocupação útil".


As detentas a que se referem a reportagem, encontrando-se temporariamente privadas do direito de liberdade de ir e vir, estão transformando uma circunstância que poderia trazer apenas consequências negativas numa oportunidade de crescimento, através do aprendizado de um ofício que lhes poderá ser útil mais tarde, após o cumprimento do período prisional. Sem qualquer pretensão material, pois a matéria informa que os vestidos produzidos não o são com objetivos de comercialização, toda a produção é usada em eventos expositivos, para servir de exemplo de como um tempo que comumente é preenchido com atividades pouco edificantes pode ser revertido numa ocupação útil, que certamente trará algum benefício aos envolvidos com o trabalho.


Kardec, em O Livro dos Espíritos, comenta que a educação é um elemento fundamental no processo evolutivo. Não apenas a educação pelos livros, mas aquela que consiste na "arte de formar caracteres". Não há como negar que as detentas integrantes desse projeto estão adquirindo novos hábitos, de natureza diferente daqueles que as levaram a esta situação. O processo para reinserir essas mulheres na vida em sociedade após o cumprimento da pena estará sendo facilitado com essa experiência. Retornarão ao convívio social melhores, buriladas pela ocupação a que estão se dedicando. Ao mesmo tempo, estão sendo beneficiadas com a redução da pena, que funciona como um prêmio pelo novo direcionamento que optaram por dar à sua existência. A família é igualmente beneficiada com a remuneração pelo trabalho. Enfim, todos ganham: as próprias detentas, a família e a sociedade em geral. Que esta iniciativa sirva como exemplo e se multiplique, frutificando por todos os pontos do país.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.