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Fofoca ‘boa’ ajudou a criar cooperação entre humanos, diz estudo

Fofoca ‘boa’ ajudou a criar cooperação entre humanos, diz estudo



Pesquisadores alemães desenvolveram a teoria de que a fofoca "positiva" ajudou o ser humano a evoluir na direção de adquirir altos níveis de cooperação.


Ao ajudar os indivíduos a construir sua própria reputação fora do ambiente familiar, rumores positivos os ajudaram a conquistar a confiança alheia – um aspecto fundamental para cimentar as relações sociais e, portanto, o progresso econômico, eles indicaram.


A equipe do Instituto Max Plank de Biologia Evolutiva, na Alemanha, conduziu experimentos práticos com 132 estudantes.


A pesquisa foi feita através de um jogo em que participantes recebiam somas imaginárias de dinheiro e concordavam em doá-lo ou não a outros participantes com base em comentários recebidos por terceiros.


Após 17 rodadas de simulações em que os estudantes enfrentavam diferentes situações, os cientistas perceberam que o grau de cooperação variava à mesma proporção das boas impressões recebidas a boca miúda.


Em um artigo na edição da revista científica Proceedings of the Royal Society, Biological Sciences que circula a partir desta quarta-feira, eles escreveram que "a fofoca pode servir como substituto para a observação direta".


"Reciprocidade, confiança e reputações transferidas via fofoca estão diretamente relacionadas. Esta interrelação pode ter ajudado a alcançar os altos níveis de cooperação que podem ser observados em humanos", afirmaram.


"Diversos exemplos de fofoca passam uma impressão melhor do real comportamento de uma pessoa e, portanto, a fofoca ruim ou falsa tem pouco poder enquanto se restringir a uma minoria."


O estudo ressalvou, entretanto, que a pesquisa reproduziu "um mundo benigno, sem incentivos para que os autores da fofoca sejam desonestos".


"Aparentemente, o mundo real é diferente, e precisamos de futuras pesquisas para investigar o poder da fofoca em situações nas quais os desonestos tirem proveito da mentira."


Notícia publicada na BBC Brasil, em 30 de julho de 2008.



Breno Henrique de Sousa* comenta


A pesquisa apresentada na reportagem aborda este tema popular que é a fofoca, neste caso específico, a “boa fofoca”. Mas prefiro dizer simplesmente: “bons comentários”, porque o termo fofoca traz impregnado uma conotação pejorativa, que significa o comentário maledicente ou o simples prazer de falar da vida alheia. Diz uma frase antiga, da qual não me recordo o autor, que as pessoas evoluídas falam sobre ideias, as pessoas medianas falam sobre fatos e as pessoas medíocres falam sobre outras pessoas. Outro provérbio diz que a natureza nos deu dois ouvidos, dois olhos e uma só boca, para vermos e ouvirmos mais que falarmos. Contam que Sócrates propôs a um fofoqueiro o critério das três peneiras, disse ele: - antes de me falar sobre esta pessoa, certifique-se de que isso é verdade, se tem utilidade e por fim se tem bondade; se não passar pelas três peneiras, esqueça.


Se os bons comentários podem provocar tantos resultados positivos, o que não pode provocar uma fofoca? Quantas pessoas têm sua vida prejudicada por causa de comentários irresponsáveis e maledicentes? Já percebeu como hoje em dia os jornais e revistas estão prontos para acusar, fofocar e caluniar apressadamente a qualquer um? A fofoca quando provoca prejuízos é crime chamado “calúnia e difamação” ou “danos morais”, os artigos 138, 139 e 140 do código penal e Art. 5º, X da Constituição Federal/88; Artigos 186, 187 e 927 do Código Civil tratam do assunto. O crime pode levar a detenção de 3 meses a 1 ano e pagamento de multa.


Mas quem nunca contou um fofoquinha que atire a primeira pedra. A gravidade do ato está na intenção que o move e nas consequências que ele gera. Fofoca pode ser desde adiantar-se em anunciar uma novidade e ter o prazer do “furo de reportagem” ou também pode chegar ao extremo da maledicência quando se dissemina inverdades com a intenção clara de prejudicar alguém. Deus que conhece o íntimo de nossos corações saberá a intenção verdadeira que move nossos propósitos e dará a cada um segundo suas obras.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.