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Crianças dão exemplo de solidariedade no Recife

Crianças dão exemplo de solidariedade no Recife



Moradores da comunidade mais pobre da cidade, jovens músicos da Orquestra Criança Cidadã distribuem para vizinhos doações que receberam.


E o Brasil das coisas boas, da gentileza, do afeto e da ajuda sincera? Onde será que está esse Brasil? Está em muitos lugares. Um deles, a repórter Beatriz Castro visitou.


Mesmo com o sol forte e a fila de dobrar o quarteirão, ninguém reclama. “Estou aqui para realizar o sonho deles de ganhar um presente”, contou uma mulher.


As crianças têm bons motivos para esperar. “Quero uma bola”, disse um menino. “Para mim, um boneco”, afirmou outro.


Caixas lotadas de brinquedos, de todos os tipos e tamanhos, fazem a alegria de cinco mil crianças. Essa é uma ação que tem mais simbolismo, quando a páscoa se aproxima.


Uma a uma, as crianças vão recebendo os presentes. Mirtes, de 12 anos, mal consegue carregar o imenso urso de pelúcia que ganhou.


Todas as doações foram feitas por voluntários e tinham um destino certo: chegar às mãos de 130 meninos e meninas da Orquestra Criança Cidadã - um projeto que, em 2,5 anos, transformou crianças e adolescentes em músicos respeitados.


O talento dos pequenos músicos deu visibilidade a um dos bairros mais pobres e violentos do Recife. Hoje, eles estão mostrando que cresceram também como cidadãos. Nesse gesto de solidariedade, as crianças distribuem o que receberam para aqueles que mais precisam.


“Nós, em parceria com o exército brasileiro, deflagramos essa ação de solidariedade para beneficiar as crianças da comunidade mais pobre e de menor IDH do Recife que é a comunidade do Coque”, afirmou o coordenador da orquestra João Targibno.


Embalados pelo quarteto de cordas, os músicos distribuem os presentes para os amigos, parentes, vizinhos.


“São pessoas da nossa comunidade pobre que precisam. Já que nós ganhamos, nós precisamos contribuir com eles ajudando, porque tem muita criança que necessita”, disse a estudante Roseana Oliveira.


De mãos cheias e sorriso no rosto, as crianças do bairro puderam voltar para casa se sentindo um pouco mais cidadãs.


Notícia publicada no site do Bom Dia Brasil, em 1º de abril de 2009.



Claudia Cardamone* comenta


Quando Kardec escreveu no livro A Gênese:


"A nova geração, devendo fundar a era do progresso moral, distingue-se por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, unidas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior. Ela não será composta exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas daqueles que, tendo já progredido, são predispostos a assimilar todas as idéias progressivas e aptos a secundar o movimento regenerador. [...] A regeneração da humanidade não tem pois, absolutamente, necessidade da renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais; esta modificação se opera em cada um, e em todos que para tal estão predispostos, quando são subtraídos à influência perniciosa do mundo. Aqueles que regressam então, não são sempre outros espíritos, mas na maior parte das vezes os mesmos Espíritos, pensando e sentindo de outro modo."


Era exatamente sobre isto que ele falava. A nova geração não são gênios, não são minicientistas, não são superdotados, mas espíritos moralmente superiores que a maioria, que renascem aqui para nos ensinar, através do exemplo, como nos tornarmos espíritos melhores, que podemos deixar nosso orgulho e nosso egoísmo de lado e auxiliar o próximo naquilo que ele mais precisa: um gesto, um brinquedo, uma palavra amiga ou um alimento.


A nova geração somos nós mesmos que vamos aprendendo e progredindo, na Terra e no Espaço, passo a passo, no seu tempo e no seu lugar. Não existe nada mirabolante, não existem cores neon ou chuvas de luzes mágicas. É no olhar feliz daquele que pode ajudar um irmão que poderemos reconhecer esta nova geração.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.