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Paes solicita ajuda à Fundação Cacique Cobra Coral contra os temporais na cidade

Paes solicita ajuda a médium da Fundação Cacique Cobra Coral contra os temporais na cidade



Luiz Ernesto Magalhães


RIO - O Plano Verão da prefeitura para evitar enchentes ganhou um aliado do outro mundo. Após ficar até as 2h de quinta-feira monitorando os estragos do primeiro temporal que castigou a cidade em sua administração, o prefeito Eduardo Paes decidiu convocar uma antiga colaboradora de Cesar Maia. Por carta, ele pediu socorro à médium Adelaide Scritori, da Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), que afirma ter o poder de controlar o tempo e desviar as tempestades.


No texto, Paes pede a renovação do convênio de monitoramento do tempo, gratuito, que o município mantinha com a FCCC desde 2001. Em dezembro passado, porém, o atual secretário de Obras e Serviços Públicos, Luiz Guaraná, descartara a possibilidade de manter a ajuda espiritual, por considerar que a cidade deveria priorizar investimentos reais na conservação.


O assessor especial da FCCC, Osmar Santos, disse que a ONG atuou emergencialmente nos últimos dois dias na cidade. E mais: há uma previsão de que ocorram no Rio pelo menos mais 32 temporais semelhantes ao da última quarta-feira.


Notícia publicada em O Globo Online, em 24 de janeiro de 2009.



André Luiz Rodrigues dos Santos* comenta


(O Livro dos Espíritos - Cap. IX - Da Intervenção dos Espíritos)


536. São devidos a causas fortuitas, ou, ao contrário, têm todos um fim providencial, os grandes fenômenos da Natureza, os que se consideram como perturbação dos elementos?


“Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus.”


a) - Objetivam sempre o homem esses fenômenos?


“Às vezes têm, como imediata razão de ser, o homem. Na maioria dos casos, entretanto, têm por único motivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza.”


b) - Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária, nisto como em tudo; porém, sabendo que os Espíritos exercem ação sobre a matéria e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exercerão certa influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?


“Mas evidentemente. Nem poderia ser de outro modo. Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.”


***


Não deixa de ser intrigante a divulgação de notícias como a acima. Começa com o deslumbramento dos que veem nos fenômenos uma milagrosa intervenção divina (para satisfazer os desejos dos homens); vai por aqueles que apenas observam o fato e analisam a consistência da notícia; passa pelo ceticismo dos que julgam com desconfiança essas afirmações, já que não há informações da intensidade dos eventos climáticos antes do seu acontecimento; enfim, há as mais diversas linhas de pensamento e interesses na aceitação ou negação do que é transmitido.


Entre prós deslumbrados e contras céticos, a análise racional deve ser a referência para uma opinião sensata.


O Espiritismo trata do tema com certa reserva. Allan Kardec demonstra interesse nos fenômenos do controle do clima, por exemplo, ao dedicar um item explorando superficialmente o assunto no livro A Gênese (Cap. XV – Tempestade Aplacada – Item 45), baseado no relato do Novo Testamento – Matheus 8:23-27:


E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram;
E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.
E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos! que perecemos.
E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.
E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?


Além desse episódio, não se detém nos fatos isolados, procurando explicações para esse ou aquele evento, mas vai à origem dos fatos na tentativa de elucidar o mecanismo com que se desenvolvem.


Nos dias atuais, há, não somente relatos de influências humanas nos fenômenos dessa natureza, mas tradições que sustentam a possibilidade dessa manipulação através da intervenção de entidades espirituais interagindo com os encarnados: tradições indígenas (dança da chuva), tradições afro-brasileiras (Orixás), esotéricas (seres elementais), dentre outras. Não se trata de uma constatação científica, já que a ciência não atesta a realidade da existência dos Espíritos, seja de que ordem evolutiva forem (superiores ou primitivos), entretanto, Allan Kardec afirma de forma sábia e categórica, com relação à existência do mundo espiritual versus ciência, que:


“Os (fenômenos) do Espiritismo têm por agentes inteligências independentes, que têm seu livre arbítrio e não estão submetidas aos nossos caprichos. Eles escapam, assim, aos nossos procedimentos de laboratório e aos nossos cálculos e, desde então, não são mais da alçada da Ciência propriamente dita.” (...) “As corporações científicas não têm, e não terão jamais, que se pronunciar sobre a questão; ela não é mais da sua alçada...” (O que é o Espiritismo – Pequena conferência espírita – Oposição da Ciência)


Estendendo essa mesma ideia para a realidade do mundo espiritual no gerenciamento dos fenômenos naturais, compreende-se que não há o acaso administrando tais fenômenos, mas leis físicas sabiamente regidas, somadas a inteligências que presidem seres subordinados intimamente ligados à natureza que, cumprindo suas funções, contribuem para a elaboração tanto dos seres vivos primitivos (reinos inferiores da natureza), como para o equilíbrio dessas leis.


As forças da natureza agem e reagem conforme a combinação de uma série de fatores. A própria meteorologia faz uso dessas informações para elaborar suas previsões, que nada têm de sobrenatural, ao contrário, são bastante palpáveis dentro do conjunto de elementos do planeta. Aplicando, então, o conhecimento do Espiritismo a esse respeito, especialmente no fato noticiado, entendemos que é, sim, possível essa interferência, mas dentro de limites na esfera de ação do homem, pois os desígnios de Deus, que permite, se assim se pode dizer, que os eventos ocorram (climáticos, geológicos, florestais, marítimos, etc), têm sua razão de existir e não estão à disposição de alguns conhecedores para serem joguetes da vontade.


Allan Kardec, com a orientação dos Espíritos instrutores, já alertava para a necessidade da observação dos fenômenos mediúnicos – suas causas, efeitos, objetivos e legitimidade – para que não sejamos traídos pelas fantasias e ilusões do mundo. No mais, certamente, "há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia..." (Hamlet - William Shakespeare) Mas a razão já não é apenas um acessório para a mente humana, e para toda as perguntas há as respostas correspondentes, mesmo que ainda não as conheçamos.


*André Luiz Rodrigues dos Santos é paulista, espírita desde 1991, militar e professor. É membro da Equipe Espiritismo.net, atuando nas áreas de Atendimento Fraterno, divulgação e estudos doutrinários no meio virtual.