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Americana é a 1ª pessoa sem braços que recebe brevê de piloto

Americana é a 1ª pessoa sem braços a receber brevê de piloto



Nascida sem os braços por conta de um defeito genético, a americana Jessica Cox vem ganhando popularidade nos Estados Unidos como exemplo de superação ao se tornar a primeira pessoa a dirigir um avião somente com os pés e conseguir uma licença de piloto de avião esportivo.


Aos 25 anos e formada em psicologia, Jessica trabalha com palestras motivacionais, nas quais sua história é contada como forma de incentivar a superação de obstáculos.


A aparente limitação física não a impede de levar uma vida normal. Desde a infância, Jessica aprendeu a usar os pés para realizar tarefas do dia-a-dia como escovar o cabelo, usar o computador, colocar lentes de contato, preparar uma refeição ou falar ao telefone.


Jessica também aprendeu a dirigir usando os pés e conseguiu uma carteira de motorista sem restrições, usando um carro comum, sem adaptações.



Sem limites


Ela diz não ver limites pessoais e nunca pensar “não posso”. “Eu somente digo ‘Ainda não consegui’”, afirma.


Segundo Jessica, essa lista de coisas ‘a conseguir’ inclui, entre outras coisas, uma escalada de montanha e fazer um rabo-de-cavalo. “Sempre tenho problemas com aqueles elásticos de cabelo”, comenta.


“Nasci assim, então somente aprendi a me adaptar”, conta.


Entre as conquistas de Jessica está uma faixa-preta de Tae Kwon-Do. Ela diz, porém, que seu maior triunfo na vida vai além de seus feitos físicos.


Para ela, seu maior feito é sua auto-estima e seu grau de auto-aceitação, que dá a ela “liberdade e poder para insistir que a sociedade me aceite como sou”.


“Quando eu nasci, meus pais ficaram chocados, mas nunca deixaram que eu me sentisse diferente. Outras pessoas sempre me olharam e fizeram comentários, mas eu consegui transformar os sentidos negativos em algo positivo.”



Medo superado


Para conseguir realizar o feito de pilotar sozinha um avião, Jessica teve que superar, além da limitação física, seu medo de voar.


Até que, há três anos, ela teve a oportunidade de dirigir um avião pela primeira vez, acompanhada de um instrutor ligado à organização não-governamental Wright Flight, que promove programas motivacionais com base na aviação.


Após três anos e 89 horas de pilotagem em uma aeronave Ercoupe, que exige um controle somente com as duas mãos – ou os dois pés, no caso de Jessica -, ela finalmente conseguiu sua licença de piloto em outubro deste ano.


Em suas palestras, Jessica procura mostrar às outras pessoas que a auto-confiança é a principal arma para superar as adversidades.


“Muitas pessoas ditas normais sofrem de uma deficiência verdadeira – uma falta de confiança em si mesmos. Espero que minha história os ajude a atingir todo o seu potencial”, afirma.


“Quero que as outras pessoas digam: ‘Se ela pode fazer tanta coisa sem os braços, eu posso fazer muito mais com minha vida’.”


Notícia publicada na BBC Brasil, em 11 de dezembro de 2008.



Claudia Cardamone* comenta


Muitas vezes, ao olharmos um indivíduo com alguma deficiência física, principalmente se for de origem genética, pensamos: Como pode um Deus justo e bom dar corpos perfeitos a uns e imperfeitos a outros?


Na questão 335, de "O Livro dos Espíritos", Kardec pergunta: "O Espírito tem o direito de escolher o corpo ou somente o gênero de vida que lhe deve servir de prova?" Os Espíritos então esclarecem: "Ele pode escolher também o corpo, porque as imperfeições do corpo são provas que o ajudam no seu adiantamento, se ele vencer os obstáculos encontrados; mas a escolha nem sempre depende dele, que pode pedi-la."


Vamos então refletir sobre a questão 264, do mesmo livro. Kardec pergunta: "O que orienta o Espírito na escolha das provas? Os Espíritos respondem: "Ele escolhe as que lhe podem servir de expiação, segundo a natureza de suas faltas, e fazê-lo adiantar mais rapidamente. Uns podem impor-se uma vida de misérias e privações, para tentar suportá-la com coragem; outros, experimentar as tentações da fortuna e do poder, bem mais perigosas pelo abuso e o mau emprego que lhes pode dar e pelas más paixões que desenvolvem; outros enfim, querem ser provados nas lutas que terão de sustentar no contato com o vício."


Isto pode nos parecer estranho, como pareceu à Kardec também, pois ele pergunta a seguir, na questão 266: "Não parece natural que os Espíritos escolham as provas menos penosas?" Os Espíritos então respondem: "Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando ele está liberto da matéria, cessa a ilusão, e a sua maneira de pensar é diferente."


Isto nos faz refletir como olhamos o mundo. Quando lemos esta história, ou vemos fotos similares, a primeira coisa que provavelmente iremos pensar é por quanto sofrimento este Espírito passou ou está passando. Nós, muitas vezes, se não for em todas, estamos mais preocupados em evitar um sofrimento do que adquirir um conhecimento ou uma virtude. Isto reflete numa frase que ouvimos frequentemente: "Não tenho medo de morrer, tenho medo de sofrer." Por que então quando desencarnados pensamos diferente? Enquanto Espíritos na erraticidade, temos a consciência de quanto é efêmero o sofrimento físico, e que este sofrimento não afeta diretamente o Espírito, cessando com a morte do corpo. Como temer algo que se sabe ter uma curta duração?


Jessica é um exemplo de como devemos aceitar com resignação nossas limitações, mas não nos fixarmos nela, procurarmos todos os meios lícitos para superar estas limitações. Não só físicas, como morais também. Quantas pessoas perdem a oportunidade de progredirem espiritualmente, porque passam a vida repetindo e se fixando em suas limitações: Eu nasci assim, vou morrer assim. Eu sou imperfeito e não há nada que se possa fazer.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.