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Estudo: Mais pessoas acham que mãe que trabalha prejudica filhos

Estudo: Mais pessoas acham que mãe que trabalha prejudica filhos



Um levantamento da Universidade de Cambridge divulgado nesta semana indica que mais pessoas acreditam que o fato de uma mãe trabalhar fora de casa pode ter um impacto negativo sobre a família.


O estudo comparou resultados de pesquisas realizadas nos anos 80, 90 e 2000 na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e na antiga Alemanha Ocidental. A amostragem de entrevistados variou de mil a cinco mil pessoas.


Em 1998, 51% das mulheres e 49,5% dos homens acreditavam que a vida familiar não iria sofrer se a mulher trabalhasse.


Este resultado caiu para 46% das mulheres e 42% dos homens em 2002, em meio à “crescente simpatia” pela visão de que as mulheres deveriam cuidar da casa e dos filhos.



Síndrome da "supermãe"


O estudo, conduzido pela socióloga Jacqueline Scott, usou dados recentes do Programa Internacional de Pesquisa Social e de levantamentos anteriores.


Segundo Scott, a idéia de que o apoio para que as mulheres ocupem um lugar de igualdade com os homens no mercado de trabalho vinha crescendo solidamente é “claramente um mito”.


Segundo a socióloga, “em vez disso, há evidências claras de que a mudança de papel da mulher é vista como tendo custos para a mulher e para a família”.


“É concebível que as opiniões estejam mudando e o brilho da síndrome de ‘supermãe’ esteja ficando gasto”, disse. “A idéia de que mulheres possam combinar carreiras poderosas enquanto assam biscoitos com os filhos e lêem histórias para eles dormirem é cada vez mais vista como não realizável pelos simples mortais.”



Pressão


O estudo acrescenta que é preciso agora investigar a razão da mudança de atitude e pergunta se é por que cuidar da família é visto como trabalho de mulher, ou por que as pessoas acreditam que na prática, não há alternativa.


Segundo a socióloga, uma mudança de atitude não é a mesma coisa que uma mudança de comportamento, mas importa.


“As mulheres, principalmente as mães, podem experimentar considerável pressão quando as atitudes reforçam a noção de que emprego e interesses familiares são conflitantes”, disse ela.


“Se formos progredir na criação de políticas para criar oportunidades iguais de trabalho para as mulheres, precisamos saber mais sobre quais papéis para cada sexo as pessoas vêem como práticos, assim como possíveis e justos.”


O estudo também mostra que o número de pessoas que acredita que o papel do homem é trabalhar e ganhar dinheiro, enquanto cabe a mulher cuidar da casa e dos filhos, diminuiu.


Em 1984, 59,2% das mulheres e 65,5% dos homens acreditavam nesta visão, em comparação com 31,1% das mulheres e 41,1% dos homens em 2002.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 7 de agosto de 2008.



Nara Coelho* comenta


Papel da mãe


Quanto mais o tempo passa, mais se comprovam as assertivas de Kardec. Da questão 817 até 822, o Livro dos Espíritos trata da igualdade entre homens e mulheres, numa época em que a mulher nem votava e seus direitos eram, tampouco, considerados. Questionava-se, até, se a mulher tinha alma! Parece inacreditável a linguagem utilizada pelos espíritos ao responderem a questão número 822a. É como se ela pertencesse aos nossos dias. Ante a indagação de Kardec se há a igualdade de direitos entre homens e mulheres os espíritos respondem: “De direitos, sim; de funções, não.” E continuam: “É preciso que cada um tenha um lugar determinado; que o homem se ocupe do exterior e a mulher do interior, cada um de acordo com sua aptidão. A lei humana, para ser justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Qualquer privilégio concedido a um ou a outro é contrário à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização; sua escravização marcha com a barbárie. Os sexos aliás só existem na organização física. Já que os espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto não há nenhuma diferença entre eles, devendo, por conseguinte, gozar dos mesmos direitos.”


Se a humanidade tivesse ouvido os ensinos de Jesus e portanto vivido sob o enfoque da reencarnação, homens e mulheres saberiam, desde então, a responsabilidade da vida material para alcançar o progresso, entendendo que todos somos artífices do próprio futuro. Assim os homens não maltratariam as mulheres e elas, por sua vez não se sentiriam diminuídas por cuidar da casa e da prole. Entretanto, o homem não entendeu que a fragilidade da mulher era necessária à elicadeza e importância de seu trabalho de cuidar dos filhos e da família, dando vazão a um domínio injusto e cruel sobre ela. Além disto, o império do materialismo, dando importância superlativa ao dinheiro, fez com que a sociedade passasse a valorizar apenas o trabalho rentável e, conseqüentemente, quem o produzisse. Educar os filhos, orientá-los para serem cidadãos dignos e de bem não dava retorno financeiro... pensava-se. Assim as mulheres, desprezadas e desvalorizadas, cansadas de terem malbaratados os seus direitos individuais, partiram para o trabalho fora do lar, ansiando por mostrar à sociedade sua capacidade também ali. E as Universidades foram ocupadas por elas, todos os níveis de trabalho se viram realizados por mulheres competentes e trabalhadoras, enquanto seus filhos eram entregues a pessoas também remuneradas, mas não àquelas que haviam recebido de Deus a delegação para tal mister. As mulheres continuam progredindo materialmente, socialmente, individualmente, enquanto a sociedade decai... Violência, desregramentos de todos os matizes, corrupção, desordens generalizadas. Quem vai exercer o papel de mãe senão a mãe?! Um amigo passou-me a seguinte assertiva: “Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os filhos e esquece-se da urgência de se deixar filhos melhores para o planeta!” E quem vai orientar estes filhos? As creches, as empregadas? As avós? As amizades? Eis que estas por melhores, por mais bem intencionadas que sejam, não são aquelas que no Mundo Espiritual assumiram a responsabilidade de iluminar as almas que lhes foram entregues como filhos.


O que o Espiritismo nos ensina desde 1857, a Ciência, agora, está vendo: que a sociedade não pode prescindir das mães para se desenvolver sadiamente.


Quanto às mães, o que pensarão desta conclusão? Se este artigo fosse lido, por exemplo, por aquelas mães feministas ou materialistas, algumas com vistoso espaço na mídia, ele seria motivo de sonoras gargalhadas. No mínimo. É que o enfoque materialista da vida, estreitado sob a teoria da unicidade da vida material, faz de cada pessoa o centro do Universo, especialmente por desconhecer a finalidade superior da experiência na Terra. E como estas pessoas supõem que a vida acaba depois da morte “é preciso aproveitá-la”, pensam, em desconexão com o sentido real do que deve ser feito. São muito inteligentes, mas isto não basta. O mundo está cheio de pessoas inteligentes e infelizes.


Aquelas mães, porém, que já entenderam que todos somos espíritos em evolução, vivenciando na Terra as experiências necessárias ao aperfeiçoamento moral, chave para a felicidade, sentem-se diferentes. Elas já entendem que não mais necessitam provar que podem o que quiserem, inclusive cuidar dos filhos e do lar. Eis que sua preciosa função é fazer de sua família um verdadeiro núcleo de paz e de segurança que, naturalmente, se refletirá na sociedade. Estas mães sentem que precisam ser inteligentes, fortes, abnegadas, cultas, estudiosas, em dia com os acontecimentos, não apenas para terem grandes salários que as façam seguras, nem cargos que as façam poderosas. Mas para melhor orientar seus filhos, despendendo seu precioso tempo para trabalhar-lhes a alma eterna, transformando-se em heroínas de um mundo melhor. Aquele mundo desejado por todos, mas só alcançado por quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir!


* Nara Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e site de diversas regiões do país.


Também sobre este assunto, leia o artigo, de autoria de Nara Coelho, Falta mãe em casa!